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Arquivo : Beto Richa

Dilma mediou encontro entre Renan e ex-editor de Veja, diz Mário Rosa
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Fernando Rodrigues

3ª parte do “Glória e Vergonha” sai hoje (23.nov)

Consultor detalha “guerra” pelo Grupo Pão de Açúcar

Como Eduardo Campos conseguiu Recife na Copa de 2014

Outros casos: “rei” Roberto Carlos; Daslu; RBS e Beto Richa

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Dilma Rousseff e Renan Calheiros em fevereiro de 2016

A ex-presidente da República Dilma Rousseff foi a responsável por marcar um encontro entre o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o então diretor da revista Veja, Eurípedes Alcântara, em um momento de desavença entre os 2. O caso se deu durante o 1º mandato da petista, quando ela mantinha bom diálogo com o editor.

O caso é emblemático do vai-e-vem da política. Poucos anos depois, a revista, ainda sob comando de Eurípedes, realizaria cobertura jornalística crítica durante a campanha de reeleição de Dilma em 2014.

A história é contada pelo consultor político e empresarial Mário Rosa em seu livro “Glória e Vergonha: memórias de um consultor de crises”. A obra está sendo publicada em capítulos no UOL. Eis a 3ª parte, que foi ao ar nesta 4ª feira (22.nov).

Esta resenha foi preparada pelo jornalista Mateus Netzel e está publicada também no Poder360.

A mediação da ex-presidente foi efetiva. O encontro resultante do gesto de Dilma ajudou a amenizar o conflito. Apenas 1 entre as muitos envolvendo Renan Calheiros que Mário Rosa vivenciou.

Em 2007, no episódio que culminou com renúncia de Renan à presidência do Senado, Mário Rosa foi observador privilegiado. O ato foi resultado de ampla articulação para que o senador não tivesse seu mandato cassado. Renan era acusado de bancar as despesas de uma filha fora do casamento com dinheiro recebido da empreiteira Mendes Junior. O inquérito tramita até hoje no Supremo Tribunal Federal.

No ápice da crise, com processo de cassação avançando no Senado, Mário Rosa presenciou os momentos mais soturnos de Renan. Em um jantar, o senador chegou a desmaiar à mesa. Grogue, aparentava ter tomado remédios para enfrentar a situação. Nas semanas seguintes, se recompôs e conseguiu negociar a salvação de seu mandato em troca da renúncia ao cargo de presidente do Senado.

DISPUTA PELO PÃO DE AÇÚCAR
Uma das maiores batalhas empresariais da história do país, a contenda pelo controle do Grupo Pão de Açúcar teve mais do que analogias com a guerra. Abilio Diniz chegou a contratar um especialista em negociações de guerra –de verdade– para assessorá-lo.

O empresário havia vendido em 2005 o controle da rede de supermercados ao grupo Casino, do investidor Jean-Charles Naouri. Em 2011, anunciou uma manobra para retomar o grupo e ainda abocanhar parte do Carrefour mundial. A estratégia envolvia a criação de uma nova empresa para obter recursos do BNDES e comprar participações no Pão de Açúcar e no Carrefour. Com a ajuda do governo –que fomentava a política dos “campeões nacionais”– Abilio pretendia montar uma gigante global do varejo.

A operação foi duramente criticada na imprensa e por Naouri, que teria o controle do Pão de Açúcar diluído se o plano se concretizasse. Com repercussão, o BNDES declarou que o fim das negociações.

Mário Rosa foi contatado pelos 2 lados da disputa e optou pelo Casino. Ficou com o francês. Acompanhou de dentro uma disputa jurídica e de comunicação em que os lados não economizaram recursos. Exércitos de assessores atuaram em cada frente pelos 2 anos que o imbróglio durou. No fim, a guerra, que envolveu pedidos negados de audiência de Naouri com a então presidente Dilma Rousseff, foi selada com um acordo.

FUTEBOL E PODER PÚBLICO
Nos capítulos da 3ª parte do livro publicado pelo UOL, Mário Rosa expande o conjunto de histórias do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para além das regalias do mundo privado do futebol. Mostra como o escopo político da CBF entremeava decisões do poder público.

Após o título da Copa de 2002 e com a iminência da eleição de Lula para a Presidência pela 1ª vez, o cartola aproximou-se do futuro governo. Como 1º ato, promoveu a 1ª exposição do trófeu da Copa no Brasil em Campo Grande (MS), como gesto na direção de Delcidio do Amaral (político petista à época e agora sem partido, expulso do PT depois de ter sido preso num episódio da Lava Jato).

Ricardo Teixeira quando queria agradar não tinha muitos limites. Como Lula no poder, forjou-se uma aliança governo-CBF para realizar o “jogo da paz” –ideia de José Dirceu (outro hoje preso na Lava Jato)– da seleção brasileira em um Haiti devastado pelo terremoto de 2004.

Por fim, o maior projeto: a Copa do Mundo no Brasil. Durante as negociações para escolher as cidades-sede, o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos (1965-2014), recorre a Teixeira para tentar garantir Recife como uma das cidades selecionadas. Os 2 eram desafetos desde que Campos, ainda deputado, trabalhara contra a CBF nas CPIs da Câmara. No momento conveniente, resolveram as pendências em um encontro regado a uísque no Palácio das Princesas, sede do Poder Executivo pernambucano. Nas palavras de Rosa, “saíram bêbados e aliados”

CASOS DO PODER
Como consultor de crises, Mário se especializou em socorrer personagens não só da política. Em meio à discussão sobre as biografias deverem ou não ser autorizadas pelo biografado, foi procurado pelo empresário do cantor Roberto Carlos, personagem central da polêmica, para uma consulta sobre a ideia de “o rei” dar entrevista ao Fantástico, programa da Rede Globo.

Também fora de Brasília, o consultor atendeu a dona da Daslu, loja de artigos de luxo investigada por sonegação de impostos; e o presidente da RBS, rede gaúcha de comunicação, Nelson Sirotsky, no caso em que um dos herdeiros do grupo empresarial era acusado de abuso sexual.

Ainda longe da capital, mas de volta à política, aconselhou o governador paranaense Beto Richa a aproveitar a derrocada na imagem do PT para dissipar a crise gerada por um confronto da polícia com professores em greve que deixou diversos manifestantes feridos.

Eis os PDFs da 1ª e da 2ª, e da 3ª parte do livro. A 4ª parte será publicada nesta 5ª feira (24.nov).

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Há um complô do PT para desviar foco da Lava Jato, diz tucano Beto Richa
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Fernando Rodrigues

Sobre protestos de abril: manifestantes queriam um cadáver

Professor no Paraná ganha bem e 5% de reajuste “é limite”

“Se faço o ajuste fiscal de Dilma no PR, seria deposto”

“Auditor preso não deu 1 centavo à minha campanha”

“Nunca pensei em renunciar; não passa pela minha cabeça”

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), enfrenta baixa popularidade, acusação de envolvimento em casos de corrupção e ainda sente os efeitos do confronto entre professores e a polícia paranaense, em abril, com saldo de 200 feridos. Acuado pela conjuntura política inóspita, ele falou ao programa “Poder e Política”, do UOL:

“Nunca pensei em renunciar, isso não passa pela minha cabeça”.

Aos 49 anos, o engenheiro Beto Richa rebate as acusações atacando os adversários:

“Estou enfrentando com coragem toda essa armação política, a divulgação dessas acusações, delações premiadas que nem podiam ser divulgadas. Existe um complô político para desviar o foco dos escândalos de corrupção que envergonham o Brasil. É mensalão, é petrolão. Se for mexer no BNDES possivelmente será pior. Pela minha honra e minha família, eu não aceito essas acusações. Querem me arrastar para o mar de lama onde eles estão atolados”.

O sr. acusa especificamente o PT? “Acuso, sim. Não tenho dúvida alguma. Dando uma grande divulgação, os ataques nas redes sociais são imensos. Identificamos origens de outros Estados do Brasil, muitos do Nordeste me atacando nas redes sociais”.

O inferno astral de Beto Richa se tornou dramático em abril, quando professores entraram em confronto com a Polícia Militar, em Curitiba. O governador diz ser contra violência, mas afirma que os dirigentes da manifestação “queriam um cadáver naquele dia”.

O problema é que os professores das escolas públicas mantidas pelo Estado do Paraná continuam em greve desde abril. Querem um reajuste salarial de 8,17%. O governo oferece apenas 5%. Dificilmente Beto Richa cederá. “Se a gente não colocar um limite nisso aí, daqui a pouco toda a arrecadação das administrações, 100% vai para pagar folha [de salários]”.

Mas o reajuste de 5% repõe menos do que foi a inflação de 2014. Para Beto Richa, essa conta deve ser feita com base nos aumentos dados em anos anteriores. “O salário que eu pago para os professores do Paraná é um dos maiores do Brasil. Dei o maior aumento salarial da história do Paraná nos últimos 4 anos aos professores. O maior aumento do Brasil: 60% de aumento salarial”. Para o tucano, esses reajustes anteriores compensariam o percentual menor agora para 2015.

E as acusações das quais Richa têm sido alvo, como receber dinheiro de propina de fiscais de impostos paranaenses? Ou que um parente distante teria fraudado uma licitação e seria o caixa de sua campanha eleitoral em 2014? Ou a citação de sua mulher, Fernanda Richa, teria extorquido dinheiro de auditores prometendo promovê-los?

Fala o governador paranaense: “Minha campanha não recebeu um centavo de fiscais da Receita através de propina e corrupção”. E o caso de sua mulher? “Essa história é uma canalhice. Garanto para você que ela nem sabe o que é auditor fiscal, nem sabe onde fica a sede da Receita [estadual]. Isso foi resultado de uma carta anônima, que jamais o Ministério Público devia ter aceito. Devia ter arquivado na hora”.

Contrário ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (diferentemente de alguns setores do PSDB) e a favor das medidas de ajuste fiscal propostas pelo governo federal, Beto Richa não deixa de ser crítico à administração federal petista.

Para o tucano, Dilma mentiu na campanha de 2014 ao dizer que não mexeria em direitos trabalhistas. Sobre o ajuste fiscal da petista, o paranaense emite o seguinte juízo: “Se eu faço no Paraná já tinham me deposto. São medidas pesadas. Uma série de direitos trabalhistas sendo suprimidos”.

O tucano se exalta um pouco quando fala de seu adversário local no Paraná, o senador Roberto Requião (PMDB), a quem classifica de “maluco”, “irresponsável” e “mau perdedor”. Ouvido pelo UOL, Requião rebateu: “O Beto é um bobalhão. Mau piloto, quebrou o Paraná. Está à procura de um culpado disponível. Ele sucedeu seu próprio desgaste. É o único culpado”.

A seguir, trechos da entrevista de Beto Richa, concedida no início da tarde de quarta-feira (20.mai.2015), no estúdio do UOL, em Brasília:

UOL – O que o sr. acha das medidas de ajuste fiscal propostas no plano federal pela presidente Dilma Rousseff?
Beto Richa – Se eu faço [isso] no Paraná já tinham me deposto. São medidas pesadas. Diferente do que ela pregou na campanha eleitoral, [dizendo] que nem que a vaca tossisse ela ia mexer com direitos trabalhistas. Ela mexeu e foi a fundo. Abono salarial, seguro desemprego, a pensão das viúvas. Enfim, uma série de direitos trabalhistas sendo suprimidos. Eu concordo [com o ajuste].

O sr. é a favor das medidas?
Sou um político ético. Não agrido meus adversários sistematicamente só para lhes impor um desgaste, como estão fazendo comigo no Paraná. Sou a favor do ajuste fiscal. É necessário. O Brasil hoje, na situação em que está, é ingovernável.
Só que tem o seguinte. No Paraná, para reajustar algumas alíquotas de impostos e pedir esforço dos servidores, eu dei o exemplo. Diminui cinco secretarias, mil cargos comissionados, reduzi o gasto de custeio. O salário do governador e de todos os nossos secretários de primeiro escalão foi congelado. Isso faltou para o governo federal. Há 39 ministérios e nem um só ministério foi reduzido ou fundido. [Não houve] redução dos milhares e milhares dos cargos em comissão. O governo deveria dar o exemplo antes de pedir o esforço da sociedade e impor um esforço pesados aos trabalhadores.

Mas as medidas do ajuste fiscal são corretas?
Não sei exatamente quais as necessidades financeiras e orçamentárias do governo federal. O que vai gerar de economia cada uma dessas medidas. Mas não há dúvida que é uma punição muito severa aos trabalhadores, o corte de direitos conquistados historicamente. Se eu faço isso no Paraná, eu estava arrebentado.

O seu partido, o PSDB, foi na terça-feira, dia 19, à TV, e mostrou cenas da campanha de 2014, nas quais a presidente Dilma Rousseff falava sobre condução da política econômica. O PSDB afirma que a presidente mentiu ao ter dito aquilo na campanha. Ela mentiu?
Olha. Estão apontando os erros cometidos.

O programa falou que ela mentiu.
O erro ou mentira, que seja. Isso ficou claro. Ela usou até um termo mais enérgico, dizendo que “nem que a vaca tussa vou mexer em direitos dos trabalhadores”. Então a vaca tossiu. E foi feito com energia e profundidade, com a supressão de direitos trabalhistas.

O seu partido falou que a presidente mentiu. O sr. concorda?
Nesse aspecto, sim. Porque ela disse que não ia mexer e mexeu. E o Aécio [Neves] participou da campanha, vimos ali as promessas feitas pela presidente que não se confirmaram depois.

Seu partido oscila entre pedir ou não pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Qual é a sua posição?
A minha posição é pública. Não há fato jurídico que justifique, até agora, o impeachment da presidente Dilma. Faço política com responsabilidade. Nunca fui adepto do “quanto pior, melhor”, embora eu respeite a insatisfação da população que vai às ruas.

O sr. foi reeleito no primeiro turno com 56% dos votos válidos. Um levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, em março, mostra que o sr. é desaprovado por 76% dos paranaenses. O que aconteceu?
Sem querer terceirizar responsabilidades, eu tenho culpa nisso tudo. Mas primeiro é importante lembrar que hoje existe um grande mau humor da população com a classe política. É difícil encontrar um governante que esteja bem avaliado.
Segundo, eu propus um ajuste fiscal no Paraná para o enfrentamento dessa crise financeira nacional, que atinge todas as administrações, em todos os níveis. O Paraná não é uma ilha dentro desse cenário.
Propusemos, em janeiro, a recomposição de alíquotas de ICMS e de IPVA. Sem nenhuma aberração, dentro da média do que é praticado no Brasil. Ampliamos de 2,5% para 3% o IPVA. Em São Paulo, Rio, e, se não me engano, Minas Gerais, é de 4%.
O IPVA é a principal receita do mês de janeiro. Tive que respeitar o princípio da “noventena” [imposto majorado só pode ser cobrado 90 dias depois do reajuste]. Ficamos janeiro, fevereiro e março com obras paralisadas. Dívidas que não podíamos pagar. Só íamos receber esses impostos reajustados no mês de abril. Agora estamos colocando a casa em ordem, retomando obras que estavam paralisadas.

Não teria sido melhor ter proposto esse aumento no ano anterior, para antecipar a noventena já em 2014 e poder cobrar em janeiro?
Fizemos no final do ano com a vinda do Mauro Ricardo [secretário da Fazenda do Paraná], que é um especialista no setor e identificou as áreas em que estávamos com impostos defasados em relação ao resto do país.

Em abril, policiais e professores do Paraná entraram em confronto em frente à Assembleia Legislativa, em Curitiba. Duzentas pessoas, aproximadamente, ficaram feridas. Por que a polícia agiu daquela forma violenta?
O salário que eu pago aos professores do Paraná é um dos maiores do Brasil. Dei o maior aumento salarial aos professores da história do Paraná nos últimos 4 anos. O maior aumento do Brasil: 60% de aumento salarial. Não conheço uma pessoa que tenha ganho nos últimos 4 anos 60% de aumento. Eu dei aos professores. Mas não parou por aí: ampliei a hora-atividade em 75%.

O que é a hora-atividade?
É a hora reivindicada pelos professores para ficarem fora da sala de aula. O período em que eles ficam corrigindo provas, preparando a aula seguinte. Um professor com jornada semanal de 40 horas, dá 26 horas de aula e 14 fica fora da sala.
O salário médio no Paraná é de R$ 4,7 mil. Tem professor ganhando até R$ 12 mil no Estado do Paraná.

O sr. me informou que no Paraná, em 2010, a remuneração no início de carreira era R$ 2,1 mil e em 2014, R$ 3.194.
Esse é o nosso piso. O piso nacional é R$ 1,9 mil. No Paraná é R$ 3,2 mil.

Os professores, na greve atual, querem um aumento salarial de 8,17%. Rejeitam o reajuste ofertado em duas parcelas pelo governo, de 5%. Na opinião do sr. não tem como chegar a 8,17%?
Foi difícil chegar a 5%. Com muita insistência convenci a minha equipe que era importante apresentar um número que demonstrasse todo o esforço do governo para mais uma vez atender os professores.
[Tivemos] 60% [de aumento] nos 4 anos anteriores. Isso garante em torno de 32% de ganho real acima da inflação [no período]. Agora estou ficando 3% [3 pontos percentuais] abaixo da inflação, mas já garanti um grande aumento de 32% acima da inflação. A greve não se justificava.
Tínhamos um projeto de lei em votação na Assembleia que o sindicato pegou como bandeira: a reestruturação no sistema previdenciário do Paraná. É o sistema previdenciário mais moderno, mais seguro, com uma das maiores solvências do Brasil. O fundo mais capitalizado que nós temos no país, com R$ 8,5 bilhões no fundo previdenciário.
Não fizemos nada além do que migrar 33 mil servidores do fundo financeiro, que é bancado com recursos do Tesouro, para o fundo previdenciário, que tem R$ 8,5 bilhões de reais, garantindo uma solvência de mais de 35 anos. Inclusive prevendo para 2021 o aporte de R$ 1 bilhão de royalties da hidrelétrica de Itaipu e a formação de uma equipe de estudo paritária, com servidores do governo, para identificar novas fontes de financiamento ou imóveis que possam ser colocados no sistema.

O sr. diz que o salário médio do professor no Paraná, em comparação com outros Estados, é maior. Ainda assim, como a educação é uma prioridade, não seria o caso de pelo menos repor as perdas inflacionárias do período anterior?
A dificuldade é financeira. Eu não posso. Seria muito confortável, para mim, como gestor e como político, atender a todas as demandas corporativistas. E o que faço com as finanças do Estado? Devo satisfação à população do meu Estado. Tenho que ser responsável. Coloquei em risco a minha imagem pessoal para colocar medidas no Paraná que garantam um desenvolvimento sustentável e vigoroso.

Mas há um impasse. Os professores estão em greve no Paraná. Querem 8,17%. O Estado oferece 5%. Não há a menor hipótese do Estado melhorar essa proposta?
É difícil. Já melhoramos bastante para 5%. Tudo é possível, só que eu vou tirar dinheiro de outra área. Não tem dinheiro sobrando hoje.

Mas é possível tirar de outra área? Tem condições?
Condições, têm. Mas dá para tirar da saúde? Dá para paralisar obras que estão em andamento? É essa a conta que tem que fazer. Tem Estado que não está dando nem 5%. Tem muitos Estados no Brasil que não estão conseguindo pagar a folha de servidores.

Se o sr. fosse compelido hoje a chegar nos 8,17%, o sr. ofereceria quanto e tiraria de qual área?
Teria que fazer um estudo mais amplo. Te garanto que os 5% estou tirando de algumas áreas. E nesse passo que estão indo as demandas corporativas, em alguns lugares abusivas, instrumentalizado por partidos políticos… Se a gente não colocar um limite, daqui a pouco toda a arrecadação das administrações, 100%, vai para pagar folha [de salários].

O sr. falou que essas demandas são instrumentalizadas politicamente por grupos que não são o seu. O sr. poderia descrever por que o sr. acha isso e quais grupos são esses?
Faço questão. Agora, só exemplificando, um levantamento na capa de um jornal mostrou que professores da rede pública hoje estão ganhando mais do que professores da rede particular. Nesse ritmo vai passar longe o que ganham.

Mas isso é bom, não é?
É bom. Só para mostrar o outro lado da coisa.
Mas vamos lá. O que aconteceu naquele confronto [de abril, entre professores e PM]? Faço questão de explicar, até porque as pessoas me conhecem. Nunca fui de confronto. Abomino. Para mim, violência, agressão, é inaceitável. Sou uma pessoa conciliadora, de fácil diálogo, acessível. O que aconteceu ali é que eles quiseram ir para o confronto.
Não há dúvida que eles queriam um cadáver naquele dia.

Os manifestantes?
Os manifestantes. Tinha a convocação de grupos radicais. Tinha convocação pela internet de black blocs. Tiraram as grades e foram para cima dos policiais.
Por que a Assembleia estava cercada? Recebi uma determinação do Tribunal de Justiça para que garantisse o funcionamento da Assembleia. Lembrando que é uma instituição democrática. Ali tem 54 deputados, que independentemente da sua orientação ideológica e da sua opinião na apreciação de uma ou outra matéria, têm a legitimidade do voto popular para representar cada um dos paranaenses.
Já tinham invadido a Assembleia uma vez. Foi uma festa lá dentro. Era bandeira dos partidos de extrema esquerda, de entidades controladas por esses partidos. E ficaram acampados dentro do plenário.
Eu nem precisava de determinação judicial para cercar a Assembleia. É obrigação do governante. A Constituição determina que são áreas invioláveis. Era invasão de uma instituição democrática. Eles foram lá para invadir. Tinha palavras de ordem: ‘Invadir e invadir’. Proibir a votação do projeto.

Por quê?
De forma maldosa, o sindicato dos professores espalhou para todos os servidores do Paraná que eu ia acabar com a aposentadoria deles. Quando, volto a insistir, o fundo é o mais capitalizado do Brasil, com recursos do contribuinte. Dei 10 passos para frente e estou dando 1 atrás, para garantir a segurança desse fundo. A projeção, nos próximos 5 anos, é a aposentadoria de mais 30 mil servidores. O que vai representar para os cofres do Estado um ônus de mais R$ 200 milhões.
Movimentos radicais jogaram pedras. Foram para cima dos policias. E aí houve um confronto. Lamentavelmente.
Já instaurei inquérito na Polícia Militar, na Polícia Civil, para apurar eventuais abusos ou excessos que possam ter sido cometidos.

Mas uma polícia estadual não tem que estar preparada para esse momento de confronto e de provocação, para saber reagir com a força correta?
A polícia estava cercando o prédio da Assembleia. Alguns manifestantes desses grupos radicais foram para cima dos policias com as grades. Os policiais reagiriam.
O único momento em que eles [policiais] foram pra cima foi para que [os manifestantes] voltassem naquela cerca de contenção, para evitar a invasão da Assembleia Legislativa. Os policias não foram lá no meio da praça bater em professores. Nunca foi a nossa ideia que isso acontecesse.
Tenho o maior respeito pelos professores. Sempre procurei visitar escolas. Sempre valorizei a classe dos professores. E aí os meus adversários políticos, os maus perdedores que derrotei na eleição passada, no primeiro turno, não aceitam o resultado. Buscam hoje um 2º turno, foram lá instigar os manifestantes no trio elétrico. Alguns que estão réus na Lava Jato querem ir lá ser meus julgadores.

Hoje, de 0 a 10, qual a chance de evoluírem essas negociações e o sr. fazer um remanejamento orçamentário para acabar com o movimento grevista?
É difícil. Cheguei com muito esforço aos 5%, que representa a mais na folha de servidores R$ 65 milhões por mês. É um dinheiro que faz falta hoje na crise que vivemos.
Mas o problema não é o salário. Cada hora é uma bandeira nova. O sindicato é comandado pelo Partido dos Trabalhadores, que conseguiu, momentaneamente, desviar o foco das denúncias do petrolão, das denúncias de mensalão. Essas denúncias e apurações têm saído do Estado do Paraná. Eles acharam por bem, lá no Paraná mesmo, desviar o foco e puxar para mim essa insatisfação da sociedade. Eles querem me arrastar para o mar de lama em que eles estão hoje.

O sr. espera, portanto, que os professores aquiesçam e aceitem os 5%?
Espero que sim. Não podemos penalizar quase 1 milhão de alunos que já estão há algum tempo sem aulas.

Um advogado, Tarso Cabral Violin, anunciou que vai protocolar um pedido de impeachment do sr. por causa do confronto de abril. Como o sr. reage a esse tipo de iniciativa?
Não reconheço a autoridade moral desse sujeito. Vou te mostrar a foto dele abraçado com o Lula, até parece embriagado. Esse sujeito montou um blog para me perseguir há algum tempo. É um petista de carteirinha. Foi diretor da Celepar [Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná] no governo Roberto Requião [PMDB]. Não reconheço a autoridade moral desse sujeito para falar qualquer coisa a meu respeito.

Vou perguntar sobre algumas acusações que surgiram contra o sr. Recentemente, um auditor chamado Luiz Antônio Sousa foi preso por supostas fraudes na Receita do Paraná. Ele fez um acordo de delação premiada e disse que usou R$ 20 mil do dinheiro que desviou para comprar 70 divisórias de compensado para o seu comitê de campanha à reeleição em 2014. Luiz Antônio Sousa também afirmou que o grupo do qual fazia parte fraudava e anulava multas tributárias. E teria repassado, segundo ele, cerca de R$ 2 milhões em propina à sua campanha à reeleição no ano passado. O sr. sabia desses fatos?
Claro que eu não sabia. Ele fala que o esquema de corrupção na Receita vem de mais de 10 anos. Outros fiscais que também foram presos dizem que o esquema de corrupção na Receita vem de 30 anos. Procurei, nos 4 anos como governador, combater de todas as formas qualquer tipo de corrupção. Notadamente, na Secretaria de Fazenda, na Receita Estadual do  Estado do Paraná.
Não é fácil. Um fiscal aborda um empresário, identifica uma sonegação de milhões de reais, cobra uma propina e muitas vezes o empresário dá. Como é que você combate essa situação?
Agora, o cara está preso. E é importante destacar, com diversas acusações de pedofilia e estupro de vulnerável. Estupro de crianças. Existe uma pressão muito forte, e ele falou isso.
Nunca tive contato com esse cidadão. Minha campanha eleitoral nunca recebeu esses recursos. Estamos investigando e processando essas pessoas. Tem uma investigação na Secretaria de Fazenda, comandada pelo Mauro Ricardo, para apurar essas denúncias. Minha campanha não recebeu um centavo de fiscais da Receita através de propina e corrupção.

Mas uma compra dessas divisórias de compensado foi entregue no endereço da campanha…
Vi na televisão, R$ 5 mil em notas. Mas que seja R$ 20 [mil]. Não foi solicitação da minha campanha. Vi pela imprensa que a nota fiscal da compra desses materiais está em nome desse fiscal preso. Nós alugamos o comitê de uma empresa, pela segunda campanha consecutiva, 2010 e 2014, e já tem a manifestação do tesoureiro da campanha em Londrina que nunca houve a solicitação desses materiais. Parece que o proprietário do imóvel fez esta aquisição para o comitê. O ‘madeirite’ está lá até hoje.

O sr. está dizendo que chegou esse material e o comitê não sabe exatamente por que que chegou?
Nós alugamos o imóvel. E me parece que é todo mobiliado. Não cabe a mim, governador, saber o imóvel em cada cidade, quem comprou o telefone, onde é que está a mesa, onde é que está a divisória, a porta. Isso já foi esclarecido pelo nosso partido.

Quando o sr. diz que o auditor fiscal é uma pessoa sobre quem pesam várias acusações, há uma certa desqualificação dessa fonte. Agora, em geral é assim mesmo, alguns criminosos falam, outros não. O fato de ele ter crimes que pesam contra ele desqualifica a acusação?
Sim. Uma pessoa que estupra criança não tem nenhuma moral. E ele deu dinheiro para outro fiscal, que disse que era para a minha campanha. Se existe alguma corrupção entre eles, que já vem há décadas, como é que vai se provar que esse dinheiro veio para a minha campanha? Nós nunca trabalhamos com isso. Já é minha quinta campanha majoritária e as minhas prestações de contas são detalhadas. E todas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral, em especial essa de 2014.

O sr. citou agora há pouco o senador Roberto Requião, do PMDB do seu Estado. Ele publicou recentemente uma mensagem em uma rede social dizendo que a renúncia é uma das poucas saídas para o governo que “bate em professor, rouba dinheiro pública e desgoverna o Estado”. O que o sr. tem a dizer sobre essa avaliação de Requião?
Ele é um maluco. Todo mundo conhece o político irresponsável que ele é. Primeiro, nem está aqui no Brasil. Está lá na Letônia. Pode investigar. É o senador turista. Não trabalha, adora mordomias, andava a cavalo toda manhã quando era governador. Tem um inquérito no Ministério Público apontando que ele desviou R$ 8 milhões dos cofres públicos para tratar os cavalos, que ele fazia passeios com seus convidados, toda manhã.
Adorava vinho importado. Na residência oficial construiu uma adega com mais de mil garrafas, que ele ganhava dos empresários e empreiteiros. Uma vez ele me falou isso. Tem uma imagem para o público externo e o seu comportamento é muito diferente. Devia trabalhar mais, aceitar o resultado das urnas. É um mau perdedor.
Ele espalhou para todo mundo que seria candidato ao governo e ia me dar uma sova. Eu pus 2 por 1 nele na urna. Porque seus métodos são ultrapassados. Ele representa o atraso. O Paraná andou para trás no seu período de oito anos de governo, ninguém queria investir. Ouvi de empresários, dos mais renomados do mundo, como Carlos Ghosn, presidente da aliança Renault-Nissan. Só estava investindo de volta no Paraná porque tinha mudado o governo. Ele afugentava investidores, não existia segurança jurídica, ninguém queria mais se arriscar. Hoje vivemos o maior ciclo industrial. Renault investiu R$ 2 bilhões. Temos o maior investimento privado da história do Paraná acontecendo, da Klabin, de R$ 7 bilhões.
[Requião] não permitia o plantio, comercialização e transporte no porto de Paranaguá de soja transgênica. Um atraso para a agricultura, que é a base da nossa economia e salva a balança comercial brasileira.
Ele precisa pensar muito bem antes de falar de uma pessoa honrada. E faço questão. Vou levá-lo ao constrangimento de comparar o meu governo com o dele, na área que ele quiser discutir, principalmente no campo ético

Tem um inquérito no Ministério Público do Paraná que investiga Fernanda Richa, sua mulher. Ela estaria sendo acusada de exigir dinheiro de auditores fiscais para que o sr. os promovesse. O que é essa história?
Essa história é uma canalhice. É difícil eu falar porque possivelmente você não conhece a minha esposa. Qualquer marido vai defender a sua mulher. Mas pergunte no Paraná quem é Fernanda Richa. Pergunte a quem você quiser. Até no meio político, aquele que for sério, ético, vai reconhecer a mulher de valor que ela é. Nunca lidou com essas coisas. Garanto para você que ela nem sabe o que é auditor fiscal, nem sabe onde fica a sede da Receita [estadual].
Isso foi resultado de uma carta anônima, que jamais o Ministério Público, na minha opinião, deveria ter aceito. Deveria ter arquivado na hora. Até porque o Ministério Público sabe quem é a minha mulher. Uma mulher de valor, trabalhadora. Uma mulher muito religiosa, vem de um bom berço, uma boa família.
Repudio com toda a veemência a divulgação que deram ontem [19.mai.2015] a uma carta anônima. Não aceito. Já recebi dezenas de ligações de pessoas solidárias, indignadas com a divulgação que deram no Estado do Paraná por uma pessoa que nem nome nem cara tem.

Os auditores citados foram de fato promovidos em 5.mai.2014. Sua mulher conhece alguns desses auditores? Falou com eles?
Não acredito. Não conhece. Isso não existe.

Ela nunca falou com esses auditores?
Não existe. Não existe isso.

Mas ela conhece os auditores?
Acredito que não. Vou saber se ela conhece os auditores? Nós trabalhamos no governo já há 4 anos e meio. Perguntar se minha mulher conhece professores, se minha mulher conhece profissionais da saúde…

Nesse caso, como o fato foi divulgado nesta semana, o sr. chegou a conversar com ela e a indagou a respeito?
Não. Foi divulgado ontem [19.mai.2015] à noite. Eu estava aqui em Brasília.

O sr. chegou a falar com ela depois disso?
Ela chegou do México hoje [20.mai.2015] pela manhã.

E falou com ela, quando ela chegou? Ou não teve oportunidade?
Não falei com ela ainda.

Outro caso. O fotógrafo Marcelo Caramori foi preso recentemente por suspeita de envolvimento com esquema de prostituição de menores. Ao ser preso, disse que havia sido assessor do governo do Paraná, mostrou uma tatuagem em apoio ao sr., disse que era seu amigo. Marcelo Caramori de fato trabalhou para o sr.? Tem alguma relação com o sr.?
É o mesmo caso dos auditores. A investigação de exploração sexual de menores é a mesma. E esse sujeito foi contratado lá atrás pelo meu secretário de Segurança para fazer a cobertura de fotos na região norte do Estado do Paraná. Nunca tinha ouvido nenhum rumor de que esse sujeito estivesse envolvido com a exploração sexual de menores. Senão jamais teria permitido ele fazer parte da nossa equipe. Está sendo investigado, havendo a comprovação, vai ser punido. Já está afastado do governo desde o momento que surgiu essa denúncia.

A pessoa que o contratou disse o que a respeito?
Eu não falei mais com ele, não está mais no governo. Eu nem lembrava quem o tinha contratado. Ele disse que foi contratado, foi convidado, pelo primeiro secretário de Segurança que tivemos. Obviamente, assim como eu, não sabia das ações ilícitas e ilegais e reprováveis desse fotógrafo.

Último caso que eu gostaria que o sr. comentasse. Em março foi preso um suspeito de fraudar licitações para o conserto de carros oficiais do governo do Paraná. No grupo estava Luiz Abi Antoun. Qual o grau de relação que o sr. tem com essa pessoa ou de parentesco?
Essa pessoa é da minha relação pessoal, eu admito, é um parente de sétimo grau.

Sétimo grau?
Sétimo grau, segundo o Código Civil, nem parente é. Mas é da minha relação. Não vou esconder isso. Todos sabem. Teve lá uma licitação de oficina para atender às viaturas da polícia na região de Londrina. Ele participou. Ou pessoas ligadas a ele participaram.
Não há, segundo os advogados, nenhum ilícito nisso. Nós fizemos uma licitação, pregão presencial, para gestão de toda a frota de veículos do governo. Para acabar com a máfia das oficinas cobram algumas vezes mais do que custa um determinado serviço ou a reposição de uma peça em um carro.
Está investigado. Cegou a ser preso. Foi solto pelo Tribunal de Justiça, com parecer do Ministério Público dizendo que algumas prisões foram abusivas, lá na cidade de Londrina.

Marcelo Caramori, o fotógrafo, disse ao Ministério Público que o Luiz Abi Antoun seria o “grande caixa financeiro” nas campanhas de Beto Richa. O que o sr. tem a dizer sobre isso?
Eu falo, sem a menor dificuldade. É até oportuna a sua indagação para eu poder esclarecer. O que um fotógrafo sabe de arrecadação de campanha? Mesmo porque nós tínhamos a arrecadação centralizada na capital. Tínhamos um coordenador financeiro de campanha. O Luiz nunca fez parte da arrecadação da campanha.

Terminei aqui a lista de acusações. É uma lista grande de acusações que apareceram nos últimos dois, três meses…
Você não acha estranho?

Acho que é uma lista grande. Como o sr. se sentiu nesse processo todo? O sr. chegou a pensar em tomar alguma atitude como renunciar?
Nunca pensei em renunciar. Isso não passa pela minha cabeça. Fui eleito pelo voto popular. Tenho legitimidade. Estou enfrentando com coragem toda essa armação política. A divulgação dessas acusações, delações premiadas que nem podiam ser divulgadas. E está tudo na mídia.
Hoje existe um complô político para desviar o foco. Ninguém dúvida mais, no meio político, no Paraná e inclusive aqui em Brasília. Existe um complô para desvio de foco dos escândalos de corrupção que envergonham o Brasil. É mensalão, é petrolão. Se for mexer no BNDES possivelmente será pior. Já está na mídia mundial, para vergonha dos brasileiros. E agora querem ir lá me desgastar de todas as formas. Não aceito e vou reagir. Não só pela minha vida política, mas muito mais do que isso. Pela minha honra e minha família. Não aceito essas acusações. Querem me arrastar para o mar de lama onde eles estão atolados.

O sr. acusa especificamente o PT?
Acuso sim, é um partido que chegou ao poder dizendo que era diferente dos demais. Hoje, eles querem insistir dizendo que todos os demais são iguais a eles. Eu sou diferente deles.

O sr. está dizendo que o PT fez essas acusações ou está por trás delas?
Não tenho dúvida alguma. Dando uma grande divulgação. Os ataques nas redes sociais são imensos. Identificamos origens de outros Estados do Brasil, muitos Estados do Nordeste me atacando nas redes sociais.

O Paraná é um Estado muito importante. Mas o Estado de São Paulo tem o maior PIB do Brasil e é governado há 20 anos pelo PSDB. Por que que o PT, ao invés de escolher um Estado maior, como São Paulo, teria escolhido o Estado do Paraná para fazer essa operação que o sr. menciona?
Mas lá em São Paulo também tem uma greve dura de professores para atingir o governo do PSDB. Tiveram alguns movimentos lá no Pará, com o governador Simão Jatene [do PSDB]. E o Paraná, talvez por ser ali o foco das denúncias contra o PT, da Lava Jato, as investigações saem lá do Paraná.
Então entenderam que o Paraná tinha um momento propício: a votação do meu projeto de reestruturação da Previdência –que é o melhor, o mais seguro e mais capitalizado do Brasil. Não havia motivo para aquilo. A invasão da Assembleia Legislativa, com sindicatos instrumentalizados pelo PT. É o sindicato dos professores, é a CUT e outras entidades que o PT controla também, com a convocação de grupos radicais, inclusive black blocs, pela internet.

Perguntei sobre várias acusações e o sr. negou responsabilidade. Ao longo das investigações conduzidas pelo Ministério Público no Paraná, que ao final desse processo não vão aparecer evidências formais contra o sr. e a sua campanha eleitoral no ano passado?
Tenho absoluta segurança e tranquilidade que isso não vai aparecer. O que vai aparecer em breve é a verdade de toda essa armação que estão fazendo contra mim.

E o sr. está dizendo aqui que tem segurança de que não aparecerá nenhuma prova material, formal, de envolvimento do sr. com essas acusações citadas?
Óbvio que não. Porque não tem. Posso te afirmar com toda segurança.

O PSDB nunca repetiu, depois do Fernando Henrique, nenhum candidato em duas eleições presidenciais: José Serra em 2002, [Geraldo] Alckmin em 2006, Serra em 2010, Aécio [Neves] em 2014. Isso é bom ou ruim? E como deve ser a posição do partido em 2018?
Por um lado é bom, porque o PT lá teve várias vezes a mesma candidatura do Lula porque só tinha ele. O PSDB tem vários nomes qualificados para representar o partido como candidato a presidente da República. Cito o Geraldo Alckmin, o Serra, o Aécio Neves, Aloysio Nunes, Tasso Jereissati.

Em 2018, no PSDB, há uma tendência de a escolha recair sobre Aécio Neves ou Geraldo Alckmin. O sr. concorda?
Concordo. São os nomes mais fortes. Temos acompanhado essa disputa, embora ainda tenha muito tempo.
Eu me dou bem com os dois. Qualquer um dos que estiverem lá, fico feliz. O PSDB está bem atendido.

O sr. está no 2º mandato. Não pode mais se candidatar à reeleição ao cargo de governador do Paraná. Qual é o seu plano para o futuro?
Não tenho. Não é porque estou nessa situação momentânea. Vamos dar a volta por cima, com trabalho, com a verdade, com a transparência, que sempre foram muito presentes na minha vida pessoal e pública.

Nesses episódios todos, a greve, a manifestação, as acusações: teve alguma atitude da qual o sr. se arrepende?
Não. Evidente que ainda estou triste pelo ocorrido. Sempre fui avesso a confronto.
Sou do diálogo. Sou uma pessoa de muito equilíbrio emocional. Como toda pessoa de bem, óbvio que não gosto de ver aquelas imagens do confronto da polícia com manifestantes. Isso me causa muito tristeza. Que sirva de lição.

Acesse a transcrição completa da entrevista.

A seguir, os vídeos da entrevista (rodam em smartphones e tablets, com opção de assistir em HD):

1) Principais trechos da entrevista com Beto Richa (12:52)
2) Existe complô do PT para desviar foco da Lava Jato, diz Beto Richa (2:31)
3) Manifestantes queriam um cadáver no protesto, diz Beto Richa (1:52)
4) Professor no Paraná ganha bem e 5% de reajuste é limite, diz Richa (4:41)
5) Se faço o ajuste fiscal de Dilma no PR, seria deposto, diz Richa (2:21)
6) Minha mulher nem sabe o que é auditor fiscal, diz Beto Richa (2:43)
7) Não penso em renúncia, diz Beto Richa (1:00)
8) Requião é um maluco, irresponsável e mau perdedor, diz Beto Richa (2:49)
9) Auditor preso não deu 1 centavo à minha campanha, diz Beto Richa (4:07)
10) Richa: Luiz Abi é meu parente em 7º grau e não foi caixa de campanha (2:31)
11) Não vai aparecer nenhuma prova contra mim, diz Beto Richa (1:46)
12) Quem é Beto Richa? (1:40)
13) Íntegra da entrevista com Beto Richa (65 min.)

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PSDB é contra a “DRU”, mas deve propor a “DRE”
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Fernando Rodrigues

Governadores do partido discutirão tema amanhã em Curitiba.

Os 8 governadores do PSDB vão se reunir amanhã (17.abr.2012) na sede do governo paranaense em Curitiba. Entre os assuntos a serem discutidos está a elaboração de um projeto de mudança constitucional para criar mecanismo de desvinculação de recursos estaduais.

A DRE (Desvinculação dos Recursos Estaduais) é a versão estadual da DRU (Desvinculação dos Recursos da União), que libera para o governo federal 20% de sua arrecadação para gastar como quiser (recurso desvinculado significa que não está obrigatoriamente associado a nenhum tipo de gasto).

Em 2011, o PSDB puxou a oposição no Congresso contra o pedido de Dilma Rousseff (PT) para que a DRU fosse prorrogada de 2011 para 2015. Além de ter sido derrotado, agora o PSDB parece querer sua própria desvinculação de recursos.

Segundo apurou o repórter do UOL Fábio Brandt, a assessoria do governo paranaense informa que haveria diferença entre a DRU e a DRE. Enquanto o mecanismo federal permite o uso dos recursos desvinculados para qualquer finalidade, a versão estadual tornaria obrigatória a aplicação das verbas em investimentos. Entenda-se: obras.

Além de Beto Richa, governador do Paraná, estarão na reunião Geraldo Alckmin (São Paulo), Antonio Anastasia (Minas Gerais), Marconi Perillo (Goiás), Simão Jatene (Pará), Teotônio Vilela (Alagoas), Siqueira Campos (Tocantins) e Anchieta Júnior (Roraima). O presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra, de Pernambuco, também estará presente.

Apesar da presença exclusiva de tucanos, a reunião é divulgada pelo governo do Paraná apenas como um encontro de governadores. Na pauta oficial também estão temas como Rio+20, reforma do Código Florestal, redefinição das taxas estaduais de ICMS e renegociação das dívidas estaduais.

Mas dado o envolvimento do governador Marconi Perillo, de Goiás, no caso Carlinhos Cachoeira, é possível que esse tema também faça parte das conversas.

 

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