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Arquivo : Delta

Delta ganhou de 13 governos estaduais e de 28 prefeituras
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Fernando Rodrigues

Dados fiscais da empreiteira Delta, suspeita de abastecer o esquema de Carlinhos Cachoeira, expõem sua dependência do Estado para existir. Declarações de Imposto de Renda de 2009 e 2010 mostram que a empresa faturou nesses anos R$ 3,172 bilhões. Desse total, só provém do setor privado 0,4% (R$ 12,4 milhões).

Do setor público, a Delta recebeu R$ 3,159 bilhões no período analisado. O governo federal lidera o ranking de pagadores da empresa: contribuiu com 49% (R$ 1,567 bilhão) do faturamento total. Governos estaduais e do Distrito Federal respondem por 35% (R$ 1,108 bilhão). As prefeituras, por 15% (R$ 484 milhões).

O sigilo fiscal da Delta foi quebrado a pedido da CPI do Cachoeira e analisado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), integrante da comissão. Em entrevista ao Poder e Política, projeto da Folha e do UOL, Randolfe disse que chama a atenção a quantidade de pagamentos feitos pelo governo e por prefeituras do Rio de Janeiro à Delta. Clique aqui para assistir a esse trecho da entrevista de Randolfe em tablets e em smart phones.

Foram 12 Estados e o Distrito Federal e que transferiram dinheiro à empreiteira no período analisado. As transferências do Governo do Rio representam 48,6% (R$ 539 milhões) do total.

Com relação às prefeituras, 10 das 28 que contrataram a Delta são do Rio. Esse grupo fluminense responde por 36,3% (R$ 176 milhões) do que foi pago por municípios à empresa.

Nenhum pagamento recebido pela Delta pode ser considerado ilegal, em princípio. Está tudo declarado pela empresa à Receita Federal. A CPI do Cachoeira terá de analisar quais foram de fatos os serviços prestados pela empreiteira. Aí poderá fazer um juízo sobre o que foram de fato esses pagamentos.

Os R$ 12,4 milhões recebidos pela Delta do setor privado têm origem em apenas 4 empresas, segundo os dados fiscais da empreiteira: Dimensional Engenharia, Thyssenkrupp, Construcon e Universo Online (UOL).

Acesse aqui a lista completa e detalhada dos pagamentos recebidos pela Delta em 2009 e em 2010. Aqui, quadro resumido.

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Demóstenes ajudou a proteger dono da Delta
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Fernando Rodrigues

A CPI do Cachoeira não quer convocar o empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta, alegando que não há razão para investigar a empresa fora dos limites da região Centro-Oeste.

Mas há indícios nas ligações telefônicas em posse da CPI que Carlinhos Cachoeira se interessava em proteger Cavendish. Até porque em uma das conversas em maio de 2011 de Cachoeira com o senador Demóstenes Torres (à época do DEM de Goiás) o assunto é como fazer para que o dono da Delta não fosse convocado.

A data de um dos telefonemas é 8 de maio de 2011.

Cachoeira pergunta a Demóstenes: “Viu a matéria da Delta, aí?”.

Tratava-se de uma reportagem da revista “Veja” sobre o fato de a Delta ter contratados os serviços de consultoria de José Dirceu, ex-deputado federal, do PT de São Paulo.

Ao que Demóstenes responde: “Estou te ligando por isso”. Diz que fará um pedido para Cavendish ir ao Senado falar, “mas requerimento é convite, o cara pode recusar”. Ou seja, era apenas um jogo de cena.

Demóstenes então faz uma sugestão de estratégia para o dono da Delta: “…Talvez o Fernando [Cavendish] se antecipasse soltando a nota dizendo que isso é mentira, que é um problema empresarial, que nunca teve isso e tal, tal… e pula fora”.

Resumo: Cavendish não teve de depor no Senado. Agora, a história está se repetindo, apesar dos indícios que demonstram haver muitos interesses entre Cachoeira e o dono da Delta.

Abaixo, transcrições dos telefonemas a respeito de Cavendish em conversas de Cachoeira:

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