Blog do Fernando Rodrigues

Arquivo : maio 2013

PSDB quer desmontar noção de que Lula criou programas de proteção social
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Fernando Rodrigues

documento atribui a FHC a “arquitetura da rede de proteção social”

fim da inflação é apontado com essencial para programas criados

ideia é usar o argumento na campanha de Aécio Neves a presidente

O iFHC (Instituto Fernando Henrique Cardoso) publicou nesta 4ª (15.05.2013) um artigo que detalha as políticas sociais implementadas pelo tucano em sua passagem pelo Palácio do Planalto. A ideia é distribuí-lo no sábado (18.mai.2013), durante a convenção nacional do PSDB na qual o senador Aécio Neves será escolhido presidente da legenda –e dará mais um passo como pré-candidato da legenda ao Palácio do Planalto em 2014.

O documento faz parte do plano de Aécio Neves de valorizar o governo FHC, nunca bem defendido pelos candidatos tucanos à Presidência.

O texto enumera as datas e leis que fundamentaram os projetos sociais do governo tucano. E conclui que o Bolsa Família, criado pelo governo Lula, foi a união de quatro programas da era FHC: Bolsa Escola, Bolsa Família, Auxílio Gás e PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil).

Em outras palavras: o PSDB deseja alterar a noção sempre difundida pelo PT de que os programas de proteção social são criações do PT a partir da posse de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente, em 2003.

Eis um trecho do documento, ao qual o Blog teve acesso e pode ser baixado aqui:

“As políticas sociais no Brasil mudaram de paradigma durante o período governamental de FHC. Antes, predominavam auxílios variados, quase sempre intermediados pelo poder público local: doações de cestas básicas, entrega de leite, distribuição de água na seca. Depois, estruturou-se uma rede de proteção social para combater a pobreza, introduzindo ações públicas coordenadas contra suas causas estruturais e transferências diretas de renda aos cidadãos”.

“A arquitetura da rede de proteção social construída no período governamental de FHC dependeu, inicialmente, da estabilização da economia. Com o fim do “imposto inflacionário”, que penalizava fortemente os mais pobres, pôde-se alcançar um novo patamar de combate à exclusão social, atacando as fontes geradoras da miséria”.

Xico Graziano, ex-chefe de gabinete de Fernando Henrique e autor do documento, afirma que o objetivo não é discutir o passado, mas “resgatar uma agenda liderada por FHC”.

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Poder e política na semana – 11 a 17.mar.2013
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Fernando Rodrigues

Fatos relevantes da semana: 1) começará na 3ª feira (12.mar.2013) a reunião de cardeais para escolha do novo papa; 2) a presidente Dilma Rousseff voltará a visitar o Nordeste, desta vez irá a Alagoas; 3) Lula e FHC terão eventos públicos, na 2ª feira e na 3ª feira, respectivamente; 4) Todos os governadores deverão estar em Brasília na 4ª feira (13.mar.2013) para discutir o pacto federativo; 5) Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) também terão chance de aparecer nos principais jornais ao longo da semana; 6) Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo levarão à Justiça a questão dos royalties do petróleo.

A reunião dos governadores com os presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Alves e Renan Calheiros, será na 4ª feira (13.mar.2013), a partir das 11h. Mas os governadores começarão a chegar em Brasília antes disso. Os 6 governadores do PSB, por exemplo, deverão chegar já na 3ª feira (12.mar.2013) para afinar o discurso.

Na 3ª feira (12.mar.2013) à noite, os governadores tucanos estarão todos em um jantar no apartamento de Aécio Neves, em Brasília, para reforçar o apoio político ao pré-candidato tucano a presidente em 2014.

A presidente Dilma Rousseff começará a 2ª feira (11.mar.2013) recebendo o primeiro-ministro da Nova Zelância, John Key, no Palácio do Planalto. Na 3ª feira (12.mar.2013), ela irá a Alagoas para inaugurar obras. Na semana passada ela já foi ao Nordeste: visitou a Paraíba.

Os ex-presidentes Lula (PT) e FHC (PSDB) também voltarão a aparecer nesta semana. Lula promoverá uma campanha da ONU pelo fim da violência contra as Mulheres na 2ª feira, em São Paulo. Na 3ª feira, FHC dará uma aula magna na USP.

Também na 3ª feira, Aécio deverá lançar um dossiê com dados negativos da Petrobras sob a gestão petista. E o Congresso deverá se reunir para continuar a votação do Orçamento 2013. No Vaticano, ainda na 3ª feira, começará o conclave –reunião secreta de cardeais eleitores da Igreja Católica (aqueles com menos de 80 anos) destinada a escolher o novo chefe da instituição.

Na 5ª feira (14.mar.2013), haverá reunião da comissão mista do Congresso que analisa a MP 592, que trata das áreas em que o dinheiro dos royalties do petróleo devem ser investidas.

Na 6ª feira (15.mar.2013), termina o período de trégua acertado entre governo e sindicatos para negociarem mudanças na MP dos Portos. Sem acordo, os sindicatos deverão organizar greves para a próxima semana.

A seguir, o drive político da semana:

 

Segunda (11.mar.2013)
Dilma e a Nova Zelândia – presidente receberá o primeiro-ministro neozelandês, John Key, no Palácio do Planalto, às 17h.

Lula e as mulheres – ex-presidente assinará termo de adesão à campanha da ONU pelo fim da violência contra as Mulheres. Às 16h, no Instituto Lula, em São Paulo.

Lula e Menicucci – a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres estará presente no momento em que Lula assinar o documento. Ela não tem evitado opinar favoravelmente a mudanças na lei do aborto. Após assumir o cargo do governo, nunca mais falou a respeito em público.

Royalties do petróleo – Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo irão ao STF para derrubar mudanças na redistribuição dos royalties do petróleo.

Beto Richa e o PDT – o governador do Paraná, do PSDB, receberá, às 14h, o deputado Paulinho da Força (PDT-SP) e sindicalistas para tratar da MP dos Portos. Na semana passada, foi Eduardo Campos (PSB-PE), quem recebeu o grupo. Paulinho tem defendido colocar o PDT numa chapa adversária à do PT na eleição presidencial de 2014.

Copa das Confederações – Fifa inspecionará os estádios que sediarão jogos do torneio até 5ª feira (14.mar.2013). Nos próximos dias, o ministro Aldo Rebelo (Esportes) também levará uma comitiva do governo para verificar os estádios.

Fernando Bezerra na Suíça – ministro da Integração representará o Brasil na reunião da ONU sobre políticas relacionadas à seca.

Tombini na Suíça – o presidente do BC participará da reunião bimestral de presidentes de Bancos Centrais do Banco de Compensações Internacionais (BIS) em Basileia.

Inflação – Fipe divulgará IPC referente ao período de 8.fev a 7.mar.2013.

 

Terça (12.mar.2013)
Início do conclave – começará a reunião secreta de cardeais eleitores da Igreja Católica (aqueles com menos de 80 anos) destinada a escolher o novo chefe da instituição.

Dilma em Alagoas – presidente irá a Água Branca para inaugurar obras do Canal do Sertão, projeto de infraestrutura hídrica.

Aécio x Dilma – o tucano lançará um dossiê com dados negativos da Petrobras sob a gestão petista. Ele já foi lançado pelo PSDB como candidato à Presidência em 2014, mas ainda não assumiu a candidatura.

Anastasia & Aécio – o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), oferece um jantar no apartamento do senador Aécio Neves, em Brasília, para os governadores tucanos. A ideia é consolidar o apoio a Aécio e também fechar os nomes da nova Comissão Executiva do PSDB, a ser eleita em maio.

Eduardo Campos em Brasília – governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB deve reunir os outros governadores de seu partido na capital. Tentarão afinar o discurso para a reunião de 4ª feira com os outros governadores do país e os presidentes da Câmara e do Senado.

FHC na USP – ex-presidente da República, do PSDB, dará a aula magna de 2013 da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, às 19h30, no auditório FEA5. Haverá transmissão ao vivo pela internet.

Orçamento 2013 – Congresso deverá se reunir a partir das 19h para continuar a votação do tema. Na última semana, os deputados votaram a lei orçamentária, mas os senadores não.

Ética pública – comissão da Presidência da República fará reunião, em Brasília.

Fotos do Senado – até 8.abr.2013, estarão expostas 100 fotos sobre acontecimentos do ano de 2012 na Casa. A inauguração começará às 11h, no hall das alas Teotônio Vilela e Tancredo Neves.

Tombini na Polônia – presidente do BC passará o dia em Varsóvia. Terá reuniões com o ministro das Finanças e vice-primeiro ministro da Polônia, Jacek Vincent-Rostowski, e com o presidente do Banco Nacional da Polônia, Marek Belka. Depois, dará palestra em seminário do Banco Nacional da Polônia (BNP).

Brasileiros na Itália – o deputado Rubens Bueno (PPS-PR) estará com sua filha, Renata, na apresentação e posse do novo parlamento italiano. Ela foi eleita deputada em uma das vagas reservadas à comunidade italiana no exterior.

 

Quarta (13.mar.2013)
Governadores no Congresso – às 11h, os presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Alves e Renan Calheiros, receberão os governadores de Estado para tratar do pacto federativo (forma como os recursos da União são distribuídos às Unidades Federativas). Querem ver se há consenso em torno de alguns temas para poder mudar a legislação vigente.

 

Quinta (14.mar.2013)
Dinheiro do petróleo – está marcada para esta data reunião da comissão mista do Congresso que analisa a MP 592, que trata das áreas em que o dinheiro dos royalties do petróleo devem ser investidas.

PSD na TV – partido de Gilberto Kassab exibirá seu programa em rede nacional de apenas 5 minutos. Das 20h às 20h05, no rádio. Das 20h30 às 20h35, na TV. No 2º semestre o partido terá mais 5 minutos, em 17.out.2013.

Indústria – CNI divulgará seu Indicador de Custos Industriais.

Comércio – IBGE divulgará pesquisa mensal de comércio.

 

Sexta (15.mar.2013)
MP dos Portos – este é o último dia da trégua entre governo e sindicatos do setor. Críticos da proposta de concessão dos portos à iniciativa privada feita pelo governo, os sindicatos deverão organizar greve para a próxima semana.

Eleição na Alesp – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo deverá eleger sua nova Mesa Diretora. O favorito para ser presidente da Casa é Samuel Moreira (PSDB).

Crise na Itália – novo parlamento fará sua primeira sessão sem que haja definição sobre a formação do governo do país. Os partidos representados no parlamento não conseguiram compor maioria para formar um governo estável.

Emprego e salário na indústria – IBGE publicará novos dados sobre o tema.

 

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FHC diz que PT parece “criança” e faz “picuinha” sobre governo tucano
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Fernando Rodrigues

Em vídeo, ex-presidente diz que gostaria que os petistas fossem “mais felizes”

Tucano responde previamente a comparação entre governos do PT e do PSDB

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acaba de postar um vídeo na internet no qual rebate previamente a comparação entre as administrações do PT e do PSDB no Palácio do Planalto. Os petistas fazem uma festa amanhã (20.fev.2013) pelos 33 anos da fundação da sigla e 10 anos no comando da República.

FHC governou o Brasil por 8 anos, de 1995 a 2002. No vídeo, diz achar “uma coisa engraçada” a forma “de o PT comemorar”. Para o tucano, que aparenta estar de bom humor, o PT “em vez de ficar satisfeito com o que fez, não, ficam falando o que o outro não fez”. O PT governa o Brasil há 10 anos: de 2003 a 2010, com Lula, e de 2011 até agora, com Dilma Rousseff.

O tucano defende “comemorar a vitória do Brasil”, e não ficar “o tempo todo olhando pra trás”. Para FHC, “isso é coisa de criança, parece picuinha”. Na sua festa neste 20.fev.2013, o PT pretende apresentar números para argumentar que administra melhor o país do que na época do PSDB.

“Ainda bem que eu já estou maduro o suficiente para deixar para lá. Eles são assim mesmo. O que eu vou fazer? Preferiria que eles fossem mais espontâneos, mais felizes com o que estão fazendo e com o que o Brasil está fazendo. Mas cada um tem seu jeito. Deixa lá”.

Eis o vídeo de 48 segundos postado no Observador Político:

Eis a íntegra da fala de FHC:

Uma coisa engraçada é o modo de o PT comemorar. Em vez de ficar satisfeito com o que fez, não, ficam falando o que o outro não fez. E esquecem… Eles pensam que o Brasil começou agora. Não começou. No meu governo, eu mudei o rumo do Brasil, que estava muito desorganizado. Mas eu sei reconhecer o que no passado se fez de bom no Brasil. E cada vez que o PT acerta, meu Deus, é bom para o Brasil. O mal é quando ele erra. Quando atrapalha a Petrobras, atrapalha a Eletrobras. Aí, complica. Complica não é a mim, complica o Brasil. Mas é curioso. A gente deve comemorar a vitória do Brasil, e não ficar o tempo todo olhando pra trás. Isso é coisa de criança, parece picuinha. Meu Deus. Ainda bem que eu já estou maduro o suficiente para deixar para lá. Eles são assim mesmo. O que eu vou fazer? Preferiria que eles fossem mais espontâneos, mais felizes com o que estão fazendo e com o que o Brasil está fazendo. Mas cada um tem seu jeito. Deixa lá”.

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Morre Luiz Carlos Santos, articulador da emenda da reeleição de FHC
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Fernando Rodrigues

político habilidoso, foi do PDC, PMDB, PFL e PSD e era conhecido por dar “nó em fumaça”

Morreu hoje (31.jan.2013) o ex-deputado e ex-ministro Luiz Carlos Santos. Ele tinha 80 anos.

As causas da morte não foram divulgadas, mas a suspeita é que Santos tenha morrido dormindo, depois de sofrer um infarto. Ele tinha boa saúde e só se queixava nos últimos tempos de uma bursite (inflamação) na cabeça do fêmur de uma das pernas.  O velório será a partir das 16h30 de hoje, na Assembleia Legislativa de São Paulo. O enterro está marcado para amanhã, 01.fev.2013, no cemitério Gethsemani, no bairro do Morumbi, em São Paulo.

Luiz Carlos, como era mais conhecido, fazia parte de um grupo de políticos tradicionais que fizeram carreira em São Paulo: sempre negociando, atuando nos bastidores e tocando grandes projetos de poder. Era um exímio negociador,

Luiz Carlos dos Santos nasceu em Araxá (MG), em 26 de maio de 1932. Estudou direito na USP (54-58). Foi o mais relevante articulador político do primeiro mandato (1995-1998) do tucano Fernando Henrique Cardoso no Palácio do Planalto.

Exerceu a função de líder do governo FHC na Câmara, de 95 a 96. Antes, havia sido também líder de Itamar Franco. Assumiu o Ministério da Coordenação de Assuntos Políticos de FHC em maio de 96. Ao nomeá-lo para o posto, o tucano enfrentava dificuldades para coordenar sua base de apoio no Poder Legislativo. No discurso em que apresentou seu novo ministro, Fernando Henrique disse que Luiz Carlos sabia “dar nó em fumaça”.

No Ministério de Assuntos Políticos, Luiz Carlos deu o nó na principal fumaça à sua frente: foi o articulador-chefe da aprovação da emenda constitucional que deu a FHC o direito de disputar a reeleição. Os trabalhos de convencimento dos congressistas se arrastaram durante o segundo semestre de 1996, até que o texto foi aprovado em 28 de janeiro de 1997. O gabinete ocupado por Luiz Carlos centralizava todas as demandas de deputados e de senadores que prometiam votar a favor do projeto político de interesse do governo tucano.

Quando surgiu o escândalo da compra de votos para aprovar a emenda da reeleição, em 13 maio de 1997, Luiz Carlos soube como manobrar politicamente para abafar o caso, apesar dos fortes indícios de irregularidades. O Palácio do Planalto conseguiu conter o ímpeto da oposição e uma CPI nunca foi instalada. O governo posterior ao de FHC, o de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nunca teve um articulador no Planalto do estilo e com a habilidade de Luiz Carlos Santos –o Blog aqui não faz juízo de valor se o que era articulado era bom ou ruim para o país. O fato é que Luiz Carlos Santos trabalhava com grande competência a favor do sucesso do governo ao qual servia. Era um dos mais fieis colaboradores do tucano FHC, mesmo sendo um político do PMDB.

Luiz Carlos começou sua carreira  como vereador em São Paulo (1963-1968), pelo antigo PDC. Depois, foi deputado estadual (1979-1982; 1983-1996 e 1987-1990), pelo MDB/PMDB, partido ao qual ficou filiado muitos anos.

Na sua encarnação peemedebista foi também eleito deputado federal três vezes (1991-1995; 1995-1999 e 2003-2007). No final de 1997, filiou-se ao PFL.

Pouco depois de ingressar no PFL, já no início de 1998, deixou de ser ministro de FHC. Teve de se desincompatibilizar do cargo para concorrer à vaga de vice-governador paulista na chapa encabeçada por Paulo Maluf (PP). Luiz Carlos tomou esse caminho com o consentimento e aval total de FHC –que disputava a reeleição para presidente e desejava ter dois palanques naquela eleição em São Paulo (o outro palanque foi o do candidato à reeleição para o Palácio dos Bandeirantes, o tucano Mário Covas, que venceu).

Com a derrota de Maluf em 1998, Luiz Carlos ficou sem mandato a partir de 1999. Sentiu-se, no começo, abandonado por FHC. Até que em maio de 1999 assumiu a presidência de Furnas (empresa estatal federal de energia). Foi uma indicação política explícita de Fernando Henrique para compensar o amigo e aliado derrotado na eleição do ano anterior.

Ficou no posto de presidente de Furnas até 5 de abril de 2002. Saiu do cargo para disputar uma vaga de deputado federal naquele ano. Foi eleito para exercer seu último mandato na Câmara, até o início de 2007.

Em 2011, Luiz Carlos deixou o PFL (já então chamado de Democratas) para entrar no novo PSD, sigla criada pelo seu amigo e então prefeito paulistano, Gilberto Kassab. Encantou-se com o projeto da nova sigla e passou a ser um defensor incasável de uma Constituinte para o Brasil.

Luiz Carlos era casado com Maria Aparecida de Faria Santos. Teve duas filhas, Ana Lúcia e Ana Laura, e três netos.

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Dilma ataca governo FHC em discurso
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Fernando Rodrigues

presidente diz que governo tucano privatizou e “torrou patrimônio público para pagar dívida, e ainda terminou por gerar monopólios, privilégios, frete elevado e baixa eficiência”

No seu pronunciamento em rede nacional de TV para comemorar o 7 de Setembro, a presidente Dilma Rousseff atacou fortemente o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Dilma falava sobre o seu plano de concessões de serviços públicos à iniciativa privada. Afirmou que será “um novo tipo de parceria” e “que trará benefícios para todos os setores da economia e para todo o povo brasileiro”.

Aí veio a pancada em FHC: “Ao contrário do antigo e questionável modelo de privatização de ferrovias, que torrou patrimônio público para pagar dívida, e ainda terminou por gerar monopólios, privilégios, frete elevado e baixa eficiência, o nosso sistema de concessão vai reforçar o poder regulador do Estado para garantir qualidade, acabar com os monopólios, e assegurar o mais baixo custo de frete possível”.

Esse é mais um capítulo da troca de acusações entre Dilma e FHC, que começou na semana passada. FHC escreveu um artigo atacando Lula. Dilma respondeu em nota oficial.

Pelo jeito, vai ficar no passado a relação amena entre Dilma e FHC. É no mínimo incomum que a presidente da República use uma rede nacional de TV para festejar o 7 de Setembro e ataque tão duramente o governo passado de um partido adversário.

Está em jogo, é claro, a sucessão de 2014.

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Dilma deve ir à África, Peru e Espanha no 2º semestre
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Fernando Rodrigues

Confirmadas as viagens, petista terminará 2º ano de mandato visitando 24 países…

…no mesmo período, Lula foi a 34; FHC, a 21…

…agenda também inclui ida aos EUA e recepção ao presidente egípcio.

A agenda internacional da presidente Dilma Rousseff para o 2º semestre inclui mais 4 países além da Inglaterra –onde ela já esteve, de 25 a 28.jul.2012, por causa das Olimpíadas. De setembro a novembro, a presidente deve passar por EUA, Peru, Guiné Equatorial e Espanha, levantou o Blog com assessores da área internacional do governo.

Se Dilma cumprir a agenda esperada, fechará seu 2º ano de governo tendo visitado 24 países –menos do que fez Lula e mais do que fez Fernando Henrique. Com 2 anos de mandato, Lula foi a 34 países. No mesmo período, FHC foi a 21.

A presidente, como seu antecessor, segue o ritmo de visitas a países africanos –mesmo que sejam governados por ditaduras, como Guiné Equatorial.

Abaixo, quadro com comparação entre os presidentes:

Calendário de Dilma
Em setembro, nos EUA, a presidente deverá abrir pela 2ª vez o debate geral da Assembleia Geral da ONU, em 25.set.2012. A viagem está confirmada e os preparativos já começaram. É uma tradição da ONU que o Brasil sempre tenha o direito de fazer o primeiro discurso nessas ocasiões.

Essa visita fará dos EUA, junto com a Argentina, o país que Dilma mais visitou: 3 vezes cada. Para os EUA terão sido 2 idas ao evento da ONU (18 a 22.set.2011 e 25.set.2012) e uma visita de Estado (8 a 10.abr.2012). Para a Argentina, 1 visita de Estado (31.jan.2011), ida à posse de Cristina Kirchner (9 e 10.dez.2011) e ida a uma cúpula do Mercosul (29.jun.2011).

Em outubro, será a vez do Peru. A expectativa dos assessores da presidente é que ela confirme presença na Cúpula América do Sul-Países Árabes, marcada para 1º e 2.out.2012 em Lima. Se for ao encontro, será a 2ª visita aos peruanos –a 1ª foi em 28.jul.2011 para a posse do presidente Ollanta Humala.

Em novembro, a presidente poderá ir à Guiné Equatorial para a Cúpula América do Sul-África. Será a 2ª visita da petista à África, onde já esteve de 17 a 20.out.2011 na África do Sul, em Moçambique e em Angola.

Para encerrar o calendário internacional de 2012, ainda em novembro, Dilma poderá ir pela 1ª vez à Espanha. O país receberá, em 16 e 17.nov.2012, em Cádiz, a Cúpula Ibero-Americana (que reúne países da América Latina, Portugal e Espanha).

Egito e Mercosul
Em Brasília, Dilma deverá receber no 2º semestre o presidente do Egito, Mohamed Morsi, e presidentes do Mercosul e Estados associados ao bloco.

A visita do mandatário árabe é esperada pela área internacional do governo, mas ainda não tem data para acontecer. Já a visita dos chefes do Mercosul ocorrerá em 7.dez.2012, quando haverá uma reunião do grupo no Brasil.

 

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Foto com Maluf: repercussão é boa, diz Lula
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Fernando Rodrigues

Numa rápida conversa ontem (20.jun.2012) no plenário da Rio+20, Luiz Inácio Lula da Silva foi indagado sobre o que achara da repercussão da aliança e da foto sua com Paulo Maluf, do PP, na disputa pela Prefeitura de São Paulo. O ex-presidente reagiu assim: “Pior seria se não houvesse repercussão”.

A lógica de Lula é simples. Fernando Haddad, o candidato do PT a prefeito de São Paulo, é pouco conhecido da população (só cerca de 40% dos eleitores sabem quem ele é). Com o episódio da foto Lula-Maluf-Haddad, o petista neófito em eleições apareceu extensivamente na mídia. E Lula acha isso bom.

Mas e o possível efeito ruim, de estar ao lado de um adversário histórico no cenário paulistano? Lula responde que o PP, de Maluf, está junto com o governo federal há mais de meia década, no comando do Ministério das Cidades.

Tudo considerado, Lula acha que não cometeu nenhum erro de estratégia nem de tática ao aceitar se deixar fotografar no jardim da mansão de Paulo Maluf nesta semana. E Fernando Haddad ainda ganhou cerca de 1 minuto e meio a mais para a sua propaganda eleitoral.

Outro ex-presidente que estava ontem (20.jun.2012) na Rio+20 era Fernando Henrique Cardoso. Convidado a avaliar o episódio da foto Lula-Maluf-Haddad, ele disse que essa aliança é sinal de aproximação cada vez maior dos partidos que ficam compelidos a ampliar suas coligações para conseguir vencer uma eleição –por causa da necessidade de ter tempo de TV no horário eleitoral.

A respeito do efeito político eleitoral da foto, FHC diz o seguinte: “Vai depender de como a oposição usará esse fato na campanha. Mas não acredito que muitos possam fazer uso desse episódio, pois já se aliaram também ao Maluf e a outros partidos”.

Indagado se José Serra (PSDB), candidato a prefeito de São Paulo, poderia usar a foto Lula-Maluf-Haddad para atacar o PT, FHC disse que não. “No fundo, o efeito dessa aliança vai depender de como vocês, a mídia, usarão o caso”, afirmou. E concluiu que o 1 minuto e meio que Haddad recebeu no seu tempo de propaganda eleitoral (por causa do apoio de Maluf) pode até compensar mais adiante os efeitos negativos produzidos pelo episódio no momento.

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Dilma viaja mais que FH e menos que Lula
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Fernando Rodrigues

Até junho presidente deve completar tour por 21 países…

…com 1,5 ano de governo, FHC tinha ido a 18 países e Lula a 28.

A presidente Dilma Rousseff começa sua semana na Alemanha e seu histórico de viagens internacionais deve contar 21 países até jun.2012, quando ela completar 1,5 ano de mandato. Com esse mesmo tempo no poder, FHC tinha ido a 18 países. Lula, a 29.

Mas Dilma fica atrás dos 2 antecessores se contados os dias que cada presidente dedicou a viagens internacionais nos primeiros 18 meses de mandato. Ela terá cerca de 2 meses (54 dias) dedicados às viagens. FHC teve quase 3 meses (88 dias). Lula, quase 4 meses (111 dias), informa o repórter do UOL Fábio Brandt.

 

Outra diferença entre os 3 presidentes é o nº de repetições de destinos. Apesar de EUA e Argentina estarem na lista de destinos repetidos pelos 3, Lula foi quem mais repetiu viagens com 1,5 ano de governo. O petista foi 3 vezes a México, EUA, Suíça e Venezuela, e 2 vezes a Argentina, Colômbia, Espanha, França, Paraguai e Peru. Já FHC esteve na Argentina 5 vezes, e 2 vezes nos EUA e no Uruguai. Dilma repetiu menos: até junho, terá ido 2 vezes aos EUA, ao Uruguai e à Argentina.

 

Os números foram obtidos pelo Blog com informações disponíveis nos sites da Biblioteca da Presidência (para Lula e FHC) e da Secretaria de Imprensa (para Dilma). Foram levados em conta os períodos de viagens indicados pelos dados oficiais, incluindo datas de realização de deslocamentos.

Na agenda da presidente Dilma foram incluídas no levantamento viagens ainda previstas para este 1º semestre de 2012: Índia, em 29.mar.2012 (cúpula dos Brics); EUA, de 9 a 11.abr.2012 (visita oficial a Barack Obama); Colômbia, 14 e 15.abr.2012 (Cúpula das Américas) e México, em 18 e 19.jun.2012 (cúpula do G-20).

 

 

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