Blog do Fernando Rodrigues

Arquivo : fevereiro 2013

No Brasil, 28% acham que política é coisa de homem
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Fernando Rodrigues

Ainda assim, no ranking das Américas, país é o 2º menos machista na política

Maioria dos brasileiros também aprova gays, negros e deficientes nas eleições.

Universidade dos EUA pesquisou 26 países americanos.

Para 28% dos brasileiros, política é coisa de homem. Esse é o percentual dos que concordaram, em uma pesquisa internacional, com a afirmação de que os homens são melhores líderes políticos do que as mulheres.

Ainda assim, o Brasil é mais favorável à participação das mulheres na política do que a maioria de seus vizinhos.

Recém divulgado pela Universidade de Vanderbilt, nos EUA, o estudo “Barômetro das Américas” mostra que o Brasil é, na região, o 2º país que menos concorda com a superioridade dos homens na política.

De acordo com a pesquisa, o Uruguai é o país que menos concorda com a afirmação (26,6% dos entrevistados concordaram), mas quase empatado numericamente com o Brasil (28%), que vem em seguida. Depois aparecem os EUA (30,1%). Na outra ponta, os países que mais concordam com a afirmação de que os homens são melhores líderes do que as mulheres são Guiana (53,3%), República Dominicana (47,9%) e Haiti (42,1%).

No quadro geral da pesquisa, 48,6% dos entrevistados em 26 países discordam da ideia de que os homens são os melhores líderes. Outros 25,7% discordam fortemente dessa ideia. Os que concordam são 18,6%. E os que concordam fortemente, 7,1%.

Mulheres e corrupção
No Brasil, segundo o estudo, as mulheres também são menos associadas à corrupção na política do que os homens. Para 68,1% dos entrevistados brasileiros, o homem é mais corrupto do que a mulher na política.

Minorias
O Brasil também aparece na pesquisa entre os países mais favoráveis à participação de negros, gays e deficientes na política. A afirmação de que pessoas de pele escura não se saem bem como líderes políticos teve a 3ª menor aprovação entre brasileiros (19,3%). No Uruguai 15,4% concordaram; e em Trinidade e Tobago, 17%.

Sobre o direito de gays disputarem cargos públicos, o Brasil foi o 4º país que mais aprovou a ideia (64,4% de aprovação). Ficou atrás de Canadá (77,8% de aprovação), Uruguai (77,6%) e EUA (73,9%).

O país também foi o 4º que mais aprovou a participação de deficientes nas eleições (83,1% de aprovação). Os mais favoráveis à ideia são EUA e Uruguai (88,8% de concordância em cada um) e Canadá (87%).

Metodologia
A pesquisa “Barômetro das Américas”, do Projeto de Opinião Pública Latino-Americana da Universidade de Vanderbilt, ouviu 41.632 pessoas de 26 países americanos, incluindo Américas do Norte, do Sul e Central. No Brasil foram entrevistadas 1.500 pessoas de 1º.mar.2012 a 18.abr.2012. A margem de erro para os dados referentes ao Brasil é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos (a mesma da maioria dos países pesquisados). A íntegra da pesquisa pode ser acessada aqui.

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Só 2% das chapas são formadas por mulheres
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Fernando Rodrigues

Partidos colocaram mulheres para prefeita e vice em 281 das 15,7 mil chapas que tentaram inscrever…

…elas são 12,6% das candidatas a prefeita e 17,2% das candidatas a vice.

Das mais de 15 mil chapas de candidatos a prefeito e a vice-prefeito que os partidos tentaram inscrever em 2012, só 281 (1,8% do total) são formadas por duas candidatas mulheres. O dado foi obtido pelo Blog com base nas estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre solicitações de registro de candidaturas.

A maioria das chapas é formada por dois homens como candidatos a prefeito e a vice. Estão nesse grupo 11.275 chapas –72% do total.

Entre as formações mistas, a maioria (2.413) tem um homem como candidato principal, disputando o cargo de prefeito. Mulheres são cabeça de chapa e tem um homem como vice em 1.699 casos.

Partidos
Mesmo que nem todas as candidaturas solicitadas sejam aprovadas pelo TSE e os números do levantamento mudem, a alteração não será suficiente para mudar a desproporção entre a participação de homens e mulheres na eleição.

A lei eleitoral não explicita percentual mínimo de candidaturas femininas para cargos majoritários, como o de prefeito. Mas fala em “preencher” o mínimo de 30% das candidaturas para cada sexo nas eleições proporcionais (vereadores e deputados). Esse texto está no parágrafo 3º do artigo 10º da lei 9.504.

Essa regra nunca é cumprida.

O levantamento do Blog mostra que apenas o PCO solicitou mais que 30% de candidaturas de mulheres a prefeita. Mas o partido só conseguiu isso porque tentou o registro de só 6 candidatos (2 mulheres e 4 homens).

Os partidos competitivos na política nacional ficaram sempre em torno de 10% de candidatas mulheres. A sigla que mais requereu candidaturas femininas para prefeita foi o PMDB: 317, ou 13,3% do total de seus candidatos. Em seguida vêm PT (239 candidatas, 13,2% de suas candidaturas) e PSDB (213, ou 12,9%).

Para vice, a situação se repete: o PMDB lançou 305 candidatas a vice (16,2% de suas candidaturas a esse cargo). O PT aparece com 282 (16,9% de suas vices) e o PSDB com 231 (17,6%).

Método
Para conseguir esses dados, o Blog usou dados divulgados pelo TSE sobre pedidos de registro de candidaturas para as eleições municipais de 2012. Essas informações estão disponíveis na seção “Repositório de dados eleitorais” do site do tribunal.

É importante lembrar que os números do TSE não são definitivos e apresentam algumas inconsistências. Isso ocorre porque o tribunal não elimina de seu sistema os pedidos de candidatura que são negados ou que são retirados. Isso faz, por exemplo, com que haja número diferente de candidatos a prefeito e a vice (o sistema mostra prefeitos sem vice e vice-versa). Para o candidato aparecer na urna, no entanto, é preciso que a chapa esteja completa.

 

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