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Poder e política na semana – 20 a 26.mai.2013
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Fernando Rodrigues

Eis os fatos mais relevantes do poder e da política nesta semana: 1) Dilma Rousseff e Eduardo Campos se encontram duas vezes nesta 2ª feira, em Pernambuco. De manhã, num evento no Porto de Suape. À tarde, na cerimônia de inauguração da Arena Pernambuco, em Recife; 2) na 3ª feira, Dilma e seu vice, Michel Temer, participam de jantar no Palácio do Jaburu com os governadores e vice-governadores do PMDB; 3) também na 3ª, a Comissão Nacional da Verdade divulga relatório de um ano de seus trabalhos; 4) o PSDB veicula suas propagandas partidárias na TV e no rádio para massificar a imagem do senador Aécio Neves (MG), virtual candidato a presidente da legenda em 2014 (na 3ª e no sábado). Na 5ª feira, Aécio também participa do “Programa do Ratinho”, do SBT.

Na 4ª feira, o ex-presidente Lula fará palestra em seminário sobre o potencial de desenvolvimento econômico da África, ao lado de empresários brasileiros, do ministro dos Transportes de Moçambique e do embaixador da Argélia.

Na 5ª feira, o IBGE divulga os dados da Pesquisa Mensal de Emprego.

Na mesma data, o emergente PSC (Partido Social Cristão) estará na TV e no rádio. A sigla já conta com 16 deputados federais na Câmara (inclusive o pastor Marco Feliciano) e 1 senador. Veiculará 10 minutos de propaganda partidária em rede nacional. Deve massificar a imagem de defensora da família e de valores tradicionais e conservadores. O PSC diz pretender lançar candidato próprio a presidente em 2014, o seu vice-presidente nacional, pastor Everaldo Dias Pereira, da Assembleia de Deus.

Brasília estará cheia de personalidades da política na 5ª e na 6ª feiras. Durante esses dois dias, o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), que tem entre seus sócios o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), promove um seminário sobre administração pública e recebe os governadores Geraldo Alckmim (SP), Eduardo Campos (PE), Tarso Genro (RS), Tião Viana (AC) e André Puccinelli (MS) e o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto.

O governo deve enviar nesta semana sua proposta para regulamentar a PEC das Domésticas. O relator da Comissão Mista de Consolidação das Leis e Regulamentação da Constituição, senador Romero Jucá (PMDB-RR), quer remeter o texto ao plenário até 6ª.

Também podem ser anunciados nesta semana os cortes aos Orçamento de 2013. A tesoura sobre as emendas parlamentares corre o risco de insuflar o movimento de deputados que querem aprovar o Orçamento Impositivo.

Abaixo, o drive político da semana:

 

Segunda (20.mai.2013)

Dilma e Eduardo – a presidente Dilma Rousseff e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, inauguram às 11h30 o navio petroleiro Zumbi dos Palmares, no estaleiro Atlântico Sul, em Ipojuca (PE). A cerimônia ocorre no complexo industrial do Porto de Suape, ponto de atrito entre ambos durante a aprovação da MP dos Portos.

A presidente almoça no próprio estaleiro, ao lado de operários. Às 15h, Dilma e Eduardo voltam a se encontrar na inauguração da Arena Pernambuco, em Recife.

Think tank – o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa, o escritor Fernando Morais e o líder do MST João Pedro Stédile, ao lado de outros políticos e intelectuais, lançam o Instituto de Estudos Políticos e Sociais, em evento no Rio.

Indústria brasileira – a CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulga a Sondagem Industrial de abril, que revela a percepção dos empresários sobre a produção, o emprego e a utilização da capacidade instalada da indústria.

Inflação – FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulga os números do IGP-M.

 

Terça (21.mai.2013)

Dilma, Temer e governadores do PMDB – a presidente e seu vice participam de jantar no Palácio do Jaburu com os governadores e vice-governadores do PMDB. Será mais um passo para reafirmar a aliança PT-PMDB em 2014, que enfrenta ainda muitos problemas regionais.

Deputados estaduais reunidos – a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais realiza, em Recife (PE), a sua XVII Conferência Nacional, sob o tema “Os desafios para o futuro que queremos”. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o prefeito de Recife, Geraldo Julio, confirmaram presença. São aguardados políticos de todos Estados, além de delegações de outros 10 países. O evento vai até 6ª (24.mai.2013).

Ditadura militar – a Comissão Nacional da Verdade divulga balanço de um ano de seus trabalhos. O documento indicará centros de tortura clandestinos utilizados na repressão e nomes de militares e agentes que atuavam nesses locais. Às 10h, em Brasília.

Código Florestal – a Câmara dos Deputados promove um balanço de um ano da entrada em vigor do novo código. O evento pretende discutir entraves, avanços e retrocessos identificados nesse período.

Mapa da indústria – CNI divulga o Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022, com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, do senador Lindberg Farias (PT/RJ), do senador Armando Monteiro (PTB/PE) e do deputado federal Duarte Nogueira (PSDB/SP).

Belchior na Câmara – a Comissão de Viação e Transportes da Câmara convidou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, para audiência pública sobre o RDC (Regime Diferenciado de Contratações Públicas). Às 14h.

Tombini na Câmara – o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participa de audiência conjunta no Congresso sobre os objetivos e metas das políticas monetária, creditícia e cambial do país. Às 15h.

Novos municípios – o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), coloca em votação projeto de lei que cria novas regras para a criação, o desmembramento e a fusão de municípios. O texto também confirma a validade de 57 cidades criadas de 1996 até 2007.

PSDB na TV – partido veicula 5 minutos de propaganda em rádio e televisão, divididos em inserções de 30 segundos ou 1 minuto. O senador Aécio Neves (MG) deve ser o protagonista das inserções. Os comerciais foram produzidos pelo publicitátio Renato Pereira, que pode vir a ser o principal marqueteiro tucano em 2014. Pereira já fez campanhas para o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) e para o candidato persidencial de oposição na Venezuela, Henrique Capriles.

Parcerias Público-Privadas – empresários e gestores públicos se reúnem em São Paulo para discutir essa modalidade de contratação no PPP Summit 2013. O evento vai até a 4ª (22.mai.2013).

 

Quarta (22.mai.2013)

Lula e a África – ex-presidente faz palestra no seminário “As relações do Brasil com a África, a nova fronteira do desenvolvimento global”, em Brasília, promovido pelo jornal Valor Econômico. Também estarão o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, o embaixador da Argélia, Djamel Bennaoum, e o ministro dos Transportes de Moçambique, Paulo Zucula, além de empresários brasileiros.

Graça Foster na Câmara – presidente da Petrobrás é a convidada de audiência pública para esclarecer a aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas, EUA.

Transparência – o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, e o ministro da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, participam de debate sobre os 4 anos de vigência da Lei da Transparência. No Conselho Federal da OAB, em Brasília. Às 10h30.

Inflação – IBGE divulga o Índice Nacional de Preços ao Consumidor.

Eleições nas Ilhas Cayman – o paraíso fiscal caribenho realiza eleições legislativas.

 

Quinta (23.mai.2013)

Administração pública – o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) recebe os governadores Geraldo Alckmim (SP), Eduardo Campos (PE) e Tarso Genro (RS), e o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, para um seminário sobre direito administrativo e administração pública. O evento termina na 6ª (24.mai.2013).

Azevêdo no Senado – o embaixador Roberto Carvalho de Azevêdo, eleito novo diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), estará na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Às 10h.

Dívida pública – Tesouro Nacional divulga o relatório mensal da dívida pública federal referente ao mês de abril.

Moeda – Conselho Monetário Nacional se reúne em Brasília.

Emprego – IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Emprego.

PSC na TV – sigla do pastor Marco Feliciano veicula 10 minutos de propaganda partidária no rádio (20h) e na TV (20h30),  em rede nacional. É um teste para tentar lançar candidato próprio a presidente em 2014, o vice-presidente nacional da legenda, pastor Everaldo Dias Pereira, da Assembleia de Deus.

PTB na TV – partido veicula 5 minutos de propaganda em rádio e televisão, divididos em inserções de 30 segundos ou 1 minuto.

Aécio no Ratinho – Aécio Neves participa do “Programa do Ratinho”, no SBT.

 

Sexta (24.mai.2013)

Administração pública – o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) recebe os governadores Tião Viana (AC) e André Puccinelli (MS) para um seminário sobre direito administrativo e administração pública.

Financiamento de campanha – STF realiza a última audiência pública sobre o financiamento de campanhas. O evento prepara o terreno para os ministros julgarem uma ação direta de inconstitucionalidade, proposta pela OAB federal, que quer proibir doações de empresas a políticos.

 

Sábado (25.mai.2013)

PSDB na TV – tucanos veiculam 5 minutos de propaganda em rádio e televisão, divididos em inserções de 30 segundos ou 1 minuto.

 

Domingo (26.mai.2013)

Guiné Equatorial – país africano realiza eleições parlamentares

 

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Nomeação de Afif sinaliza aliança gigante pró-Dilma
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Fernando Rodrigues

Ainda é cedo para fazer o cálculo completo. O Congresso pode votar uma lei mudando as regras. Deputados podem pular o muro e alterar a história. Escândalos às vezes brotam do nada e desarranjam o rumo das coisas.

Mas mesmo com tantas ressalvas, Dilma Rousseff caminha para montar a mais robusta aliança partidária-eleitoral em 2014 –no que diz respeito ao tempo de rádio e de TV, calculado com base nas bancadas de cada legenda dentro de uma coligação. É isso o que sinaliza a nomeação de Guilherme Afif Domingos para ser ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa.

Afif pertence ao PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab. Esse partido é hoje o 3º maior dentro da Câmara, apenas atrás do PT e do PMDB.

Tudo indica que Dilma terá, portanto, os 3 maiores partidos do Congresso ao seu lado na campanha da reeleição: PT, PMDB e PSD. Pode também (pelo menos está tentando encaçapar) para sua aliança o PP, o PR e o PDT –as 5ª, 6ª e 8ª maiores legendas da Câmara. Isso sem contar siglas menores como PC do B, PRB e outras.

O 4º maior partido hoje é o PSDB, do provável principal candidato de oposição na corrida presidencial de 2014, o senador mineiro Aécio Neves.

Ocorre que o PSDB de hoje é bem diferente do de 2010. Está desidratado, assim como o DEM, seu maior aliado.

Em 2010, a dobradinha PSDB-DEM deu apoio a José Serra como candidato a presidente. Os tucanos tinham um tempo de TV correspondente aos seus 66 deputados eleitos em 2006. E os demos faturavam em cima de 65 cadeiras. Total: 131 deputados. Um número respeitável.

Hoje, o PSDB tem 49 deputados. O DEM está com apenas 28. Total: 77 deputados. Ou seja, juntos agora valem cerca de metade do que valiam há 4 anos.

Eduardo Campos, do PSB, é outro que terá grandes obstáculos para fechar acordos formais para a eleição de 2014. Seu partido tem apenas 26 cadeiras na Câmara.

Marina Silva, do ainda em formação Rede, também deve ficar à míngua.

Tudo considerado, a nomeação de Afif pode ser a primeira pedra na pavimentação da gigantesca aliança que Dilma Rousseff e o PT pretende montar para 2014.

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Em 1 mês, Feliciano teve 449 mil menções no Twitter
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Fernando Rodrigues

Citações são mais que o dobro dos votos que elegeram o deputado em 2010.

Na rede social, pastor polêmico é mais citado do que Renan Calheiros.

O deputado federal e pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP) foi tema de 449.079 tweets desde que foi indicado por seu partido para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara há exato 1 mês, em 5.mar.2013. O levantamento, feito pela consultoria Bites, mostra que o nº de citações a Feliciano nesses 30 dias são mais que o dobro dos votos que ele teve na eleição de 2010 (211.855 votos).

A análise mostra ainda que, pelo menos entre os usuários do Twitter , a polêmica sobre o pastor Feliciano é muito mais popular do que as suspeitas de corrupção que recaem sobre os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN). Nos últimos 30 dias, Calheiros foi tema de 160.224 tweets. Alves, de míseros 5.953.

Ou seja: de maneira inadvertida, o deputado Feliciano acabou ajudando a minimizar a crise de imagem de Renan Calheiros e de Henrique Alves que dominava a mídia quando o assunto era Congresso no início deste ano.

Segundo o levantamento, o perfil oficial de Marco Feliciano (@marcofeliciano)  ganhou 24.861 seguidores desde 5.mar.2013 –hoje ele tem 160.141 seguidores e,  de acordo com a consultoria, pode chegar a 180 mil nos próximos 30 dias.

A maior parte dos usuários do Twitter que falaram sobre Feliciano são de São Paulo, afirma a Bites. Desse Estado saíram 161.848 tweets sobre o pastor. Do Rio de Janeiro foram 46.404. De Minas Gerais, 20.893. Do Rio Grande do Sul, 18.171.

As citações a Feliciano, de acordo com a análise, ganharam grande proporção desde o dia em que ele foi indicado para presidir a comissão. Foram 4.667 tweets em poucas horas no dia 5 de março. No dia seguinte, 6.mar.2013, já eram 8.170 posts no microblog sobre o pastor. No dia 7, 38.734 posts.

O gráfico abaixo, feito pela Bites, mostra o número de citações a Feliciano no Twitter a cada dia. Clique na imagem para ampliá-la.

 

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Michel Temer ganha, mas não assume o PMDB
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Fernando Rodrigues

Senador Valdir Raupp continua como presidente interino da legenda.

Mas o vice-presidente da República ajudará a montar chapas para a eleição de 2014.

O vice-presidente da República, Michel Temer, foi reeleito para a presidência do PMDB em 2.mar.2013. Mas não assumiu o cargo. Renovou sua licença e manteve o partido sob os cuidados do interino Valdir Raupp, senador de Rondônia e 1º vice-presidente da sigla.

Como publicou o Blog, Temer quebrou uma promessa feita aos colegas peemedebistas quando pedia apoio para continuar presidente do partido: a de reassumir completamente a função. Sua decisão deixou insatisfeita uma parte do PMDB, que queria vê-lo participar ativamente da formação de chapas e de alianças para a eleição de 2014.

Nos próximos dias, no entanto, o PMDB promete amansar esses insatisfeitos ao anunciar uma agenda de viagens de Temer e Raupp a todas as Unidades da Federação. A ideia é que o comandante afastado ajude o que está em exercício a organizar o partido para a eleição.

Bagunça
Depois de reeleito em 2.mar.2013, Temer ocupou a presidência do PMDB até 9.mar.2013, quando assinou um novo pedido de licença, segundo informou sua assessoria ao Blog. Mas, mesmo nesse curto período em que comandou o PMDB, delegou as tarefas administrativas a Valdir Raupp. Ou seja, na prática, Raupp nunca deixou de ser o presidente em exercício.

Nenhum partido brasileiro é obrigado a informar as licenças de seus presidentes à Justiça Eleitoral, exceto no período de eleição. O site do TSE mostra apenas que o PMDB é presidido interinamente por Valdir Raupp.

Há uma grande desordem nos partidos brasileiros. Os dirigentes fazem o que bem entendem com as estruturas partidárias. No caso do PMDB, o estatuto interno não obriga o vice-presidente da República a se afastar da direção da legenda nem obriga o dirigente eleito a assumir sua função. O texto diz apenas que haverá licença automática para quem se tornar presidente da República, ministro de Estado, secretário de Estado e de capitais. Nas direções municipais, prefeitos e vice-prefeitos também são afastados automaticamente.

 

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O discurso de Dilma para o PMDB
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Fernando Rodrigues

houve ênfase, mas é inegável que as portas ficaram abertas

Deu-se uma pequena guerra no final da convenção nacional do PMDB no sábado (2.mar.2013) por conta da interpretação do discurso da presidente Dilma Rousseff.

No trabalho de “spinning” feito pelos peemedebistas de má vontade ou insatisfeitos com o Planalto, Dilma deixou tudo em aberto a respeito da composição da chapa presidencial para 2014.

Já o “spinning job” feito pelos, vamos dizer, “peemedebistas-governistas de raiz” foi na direção oposta. Dilma teria deixado mais do que claro que a chapa em 2014 é entre PT e PMDB e os nomes são Dilma e Michel Temer.

E o que diz o discurso, de fato? No final deste post está a íntegra do que falou Dilma Rousseff e os internautas podem fazer seu juízo. É a versão escrita. Não contém improvisações. Por exemplo, nesse texto previamente preparado Michel Temer é citado 7 vezes. No final, esse número pula para 12 –sem grande alteração de conteúdo, mas apenas de ênfase.

[o texto não está no site do Planalto por ser uma manifestação privada da presidente].

E o que acha o Blog? Dilma e Temer vão repetir o casamento político-eleitoral em 2014? O Blog acha que há exagero por parte dos peemedebistas de ambos os lados ao fazer a interpretação peremptória do discurso presidencial.

Para o bem ou para o mal, o titular deste Blog tem assistido a convenções do PMDB desde a década de 80 (cartas e e-mails para a Redação para quem desejar se solidarizar com esse carma vivido pelo jornalista…). O fato é que nunca um ou uma dirigente do PT foi tão generoso com o PMDB como Dilma Rousseff no sábado (2.mar.2013).

Nem quando o PT recebeu o apoio, à época inédito, em 2010 para a chapa Dilma-Temer houve tantas palavras elogiosas. Inclusive em volume. Em 2010, Dilma discursou por 25 minutos. Agora, foram 45 minutos.

Por outro lado, Dilma poderia até ter emprestado uma metáfora futebolística de Lula. Por exemplo, sem infringir a lei (no Brasil o político que ocupa cargo público e admite candidatura fora do prazo legal está no sal com a Justiça), a presidente poderia ter dito: “Em 2104, em time que está ganhando não se mexe”.

Mas esse tipo de referência explícita não foi feita. Embora pareça ser óbvio que o mais natural seja a repetição da chapa Dilma-Temer em 2014.

Essa naturalidade, na explicação dos dilmistas, fica clara pelo seguinte:

1) importância das alianças: Dilma constatou em seu discurso de sábado que as alianças são partes fundamentais dos governos pós-ditadura. Não há governo sem alianças. Faz uma menção indireta ao caso em que não houve aliança e fracassou: o de Fernando Collor (“Apenas um governo não contou com ampla coalizão partidária de apoio. E foi o único que não concluiu o seu mandato”);

2) afago ao PMDB do bem: a presidente faz uma deferência ao passado decente do PMDB ao recordar as raízes da resistência do partido, ainda como MDB, ao citar Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Faz aí então uma relação entre PMDB e PT;

3) lembrai-vos de 2010: Dilma cita o discurso de 2010 quando formou-se a chapa com Temer (aliás, as citações elogiosas ao PMDB foram quase copiadas daquele texto…). A presidente fala que hoje a associação de 2010 tem ainda mais relevância, o que sinalizaria a reedição da aliança tal como está (“Ao participar da Convenção do PMDB em 2010, aquela que lançou a minha candidatura e a de Michel Temer ao governo da República, eu manifestei o que pensava e sentia. É muito importante perceber o quanto aquelas palavras tem sentido e significado ainda maior quanto mais o tempo passa”).

4) Michel Temer é o cara: a presidente faz muitas menções elogiosas ao atual companheiro de chapa. Essas citações, no entender do Planalto indicariam que Dilma quer ajudar Michel Temer a se solidificar como o único interlocutor do PMDB com força real dentro do governo federal. Daí a razão de haver ciumeira entre peemedebistas que hoje se sentem escanteados por Dilma.

Eis uma citação de Dilma sobre Temer e que provocou muita inveja em outros peemedebistas: “[Temer] divide comigo a responsabilidade pela condução do país e reforça, com suas qualidades de político competente, sério e excepcional negociador, a capacidade de articulação do governo tanto no plano internacional, representando o País com distinção e postura soberana. No plano interno, além da atuação administrativa contribui, de forma sistemática, para construir relações estáveis e construtivas com os demais poderes e junto à sociedade civil”.

Tudo considerado, é evidente que o PT e Dilma desejam reafirmar a aliança com o PMDB para 2014. É óbvio também que o ideal seria manter a chapa tal como está.

Mas é também claro que Dilma e o PT prepararam um discurso com palavras escritas e medidas com um paquímetro. Um bom texto político, que permite tudo, inclusive nada.

Até porque os discursos políticos devem ser lidos pelo que não dizem explicitamente. E pelas brechas que deixam para eventuais recuos de posições que no calor do pronunciamento parecem inarredáveis.

E eis o discurso:

Íntegra do discurso escrito da presidente
Dilma Rousseff na Convenção Nacional do PMDB

Brasília, 02 de março de 2013

[este é o discurso escrito que estava nas mãos da presidente. Com os improvisos, ela acabou citando Michel Temer 12 vezes; neste texto escrito há 7 citações]

É uma honra participar da convenção nacional do partido que é o maior parceiro do meu governo. O convite do PMDB para estar aqui ofereceu uma oportunidade extraordinária de celebrarmos, juntos, essa parceria sólida, produtiva e que, sem dúvida alguma, terá vida longa.

Ao participar da Convenção do PMDB em 2010, aquela que lançou a minha candidatura e a de Michel Temer ao governo da República eu manifestei o que pensava e sentia. É muito importante perceber o quanto aquelas palavras tem sentido e significado ainda maior quanto mais o tempo passa.

Disse, que os dois maiores partidos no coração do nosso povo, PMDB e PT, naquele dia se uniam numa grande frente pelo Brasil.

Que a experiência das lutas democráticas e a experiência das lutas sociais no Brasil estavam presentes nesta firme aliança.

Disse que seguiríamos mais fortes, em direção a um país melhor, mais justo, com direitos e oportunidades para todos, a partir daquela aliança.

Afirmei que vinha de longe as nossas lutas. E hoje mais uma vez reafirmo.

Que nossas lutas vem da resistência democrática e do combate à opressão, onde forjamos nosso compromisso inabalável com a liberdade e a justiça social.

Destaquei que era um tempo em que muitos de nós amargávamos o exílio, o cárcere, a perseguição odiosa.

Um tempo que não se pode contar sem reverenciar alguns dos grandes líderes do PMDB .

Homenageei e hoje mais uma vez homenageio a figura maior de Ulysses Guimarães.

Era outubro de 1973. Toda esperança parecia vã. Ulysses lançou-se anticandidato, em protesto contra ditadura.

Valendo-se da coragem como estratégia e da palavra como arma, levantou o país com um verso: “Navegar é preciso!”

No ano seguinte, o Brasil respondeu ao chamado com a estrondosa vitória eleitoral do MDB no Senado, na Câmara e nas Assembleias Legislativas.

Recordei também que quando os trabalhadores brasileiros voltaram a se levantar, nas grandes jornadas sindicais de 1978 e 1979, nossa luta ganhou novo ânimo e novos atores.

Ali nasceria o PT e a liderança do Presidente Lula.

Lembrei que estivemos juntos nas mobilizações da sociedade pela Anistia, pelo estado de direito, pelas eleições diretas, por uma Constituinte livre e soberana.

Coroamos esta jornada em 1988, entregando ao país uma Constituição profundamente democrática e socialmente avançada.

O que mais uma vez eu quero enfatizar é que a Constituição cidadã estabeleceu um vínculo indissolúvel entre democracia e justiça social, um vínculo mais que nunca fundamental para o Brasil e que foi assim definido por Ulysses Guimarães:

“O estado de direito, consectário da igualdade, não pode conviver com o estado de miséria. Mais miserável do que os miseráveis é a sociedade que não acaba com a miséria”.

Hoje damos mais um passo na nossa aliança. O PMDB é um dos protagonistas de uma das maiores coalizões já formadas para governar o Brasil em toda a nossa história. Juntos, estamos construindo um novo Brasil, mais justo, mais desenvolvido, do qual todos nos orgulhamos.

Minhas amigas e meus amigos do PMDB,

Desde a redemocratização do país, o Brasil tem sido governado por coalizões políticas amplas. O diálogo, o entendimento e a união de esforços na forma de alianças tornaram-se práticas usuais para a eleição de presidentes – e de governadores de Estado e prefeitos -,assim como para a formação de maiorias parlamentares e para o exercício do poder executivo.

Este tornou-se um traço institucional brasileiro. Em nosso país, convivem as características centrais do presidencialismo com a flexibilidade típica de regimes parlamentaristas.

As coalizões mais amplas e bem construídas costumam oferecer maior estabilidade política e segurança institucional. Não impedem crises, mas previnem e atenuam impasses. Constroem estabilidade e harmonizam os diferentes interesses que tem lugar num mundo complexo.

Desde que recomeçamos a eleger nossos presidentes pelo voto direto, apenas um governo não contou com ampla coalizão partidária de apoio. E foi o único que não concluiu o seu mandato.

Foi com governos de coalizão que o Brasil alcançou, ao longo de sua história, as suas maiores conquistas institucionais, políticas, econômicas e sociais. Tem sido assim e, provavelmente, assim continuará, porque já ficou demonstrado, com fatos, que amplas coalizões permitem tomar, sustentar e dar viabilidade a decisões relevantes, inovadoras e estruturantes.

Em meu governo, a ampla coalizão que conseguimos formar tem alcançado grandes resultados. O país avança, se moderniza, constrói paradigmas e se transforma de maneira célere e perene.

O PMDB nunca faltou ao meu governo. Independentemente das visões internas muitas vezes distintas dentro do PMDB, ele sabe ser e continua sendo o partido da unidade, da estabilidade e da governabilidade.

O PMDB não me oferece apenas apoio parlamentar ou a sua capilaridade em todos os lugares deste imenso país. O PMDB me ajuda a governar e, sobretudo, me deu uma das maiores contribuições: o vice-presidente Michel Temer, que divide comigo a responsabilidade pela condução do país e reforça, com suas qualidades de político competente, sério e excepcional negociador, a capacidade de articulação do governo tanto no plano internacional, representando o País com distinção e postura soberana. No plano interno, além da atuação administrativa contribui, de forma sistemática, para construir relações estáveis e construtivas com os demais poderes e junto à sociedade civil.

Michel Temer é o grande parceiro que eu poderia ter para as responsabilidades da Presidência da República. Digo que, com ele, formou-se uma dobradinha que se completa e se complementa. Só tenho a agradecer pelo seu trabalho, pela sua solidariedade e pela parceria, assim como o empenho e a dedicação dos ministros Edison Lobão, Garibaldi Alves, Gastão Vieira, Mendes Ribeiro e Moreira Franco.

Juntos, PT, PMDB e os demais partidos da nossa coalizão fizemos muito por este país. Nosso modelo de desenvolvimento criou uma classe média que já é maioria da população brasileira e passou a compor um dos maiores mercados internos de consumo do mundo, uma das bases de nosso dinamismo econômico.

Juntos, somente nestes dois anos de governo, retiramos da extrema pobreza 22milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho certeza que terminaremos nosso mandato, amigo Temer e meus amigos do PMDB, tendo superado esta chaga que há séculos envergonhava o nosso país.

Aliás, também quero mais uma vez lembrar a bandeira que constava no discurso de posse que Tancredo Neves faria perante o Congresso Nacional. Ele nos deixou estas palavras, que estamos tornando realidade 28 anos depois:

“Enganam-se os que imaginam possível levantar uma nação rica e poderosa sobre os ombros de um povo explorado, doente, marginalizado e triste.

Uma nação só crescerá quando crescer cada um de seus cidadãos – no conhecimento, na saúde, na alegria e na liberdade”

Por estes milhões de brasileiros que retiramos da extrema pobreza e os milhões de brasileiros que batalham cotidianamente sonhando por uma vida cada vez melhor, conclamo o PMDB a continuarmos trabalhando juntos, para garantir que o fim da miséria seja só um começo!

Começo da formação profissional, da educação de tempo integral, das creches de qualidade, do investimento em transporte, da saúde e segurança pública de qualidade, de moradias dignas. Os brasileiros necessitam agora de novas oportunidades para construir uma vida melhor.

Minhas amigas e meus amigos do PMDB,

Juntos, nós fizemos muito, fizemos o que era difícil, fizemos o que parecia impossível, fizemos o que nossos adversários políticos, quando puderam, não souberam ou não quiseram fazer.

Nestes primeiros dois anos de governo, o PMDB foi parceiro decisivo para a construção de medidas e de políticas que vão resultar nas mudanças de que o país precisa.

Apoiou as medidas necessárias que exigiram negociação e muita vontade política.

Regulamentamos um novo sistema previdenciário para o funcionalismo público. Estabelecemos uma política de valorização do salário mínimo e pactuamos com os servidores regras de reajuste salarial até 2015, o que aumentou a previsibilidade do gasto público.

Modificamos a remuneração da caderneta de poupança, sem provocar qualquer prejuízo aos poupadores, para acabar com um indexador que impedia a redução da taxa de juros básica, a Selic. Hoje, os juros reais estão no menor nível da história do país.

Promovemos a maior redução das tarifas de energia que se tem notícia na história desse país. Com bem desenhadas parcerias entre o Estado e a iniciativa privada, daremos mais eficiência à nossa infraestrutura logística, principalmente em nossos portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.

Promovemos desonerações tributárias e começamos a enfrentar o desafio de tornar nossa estrutura tributaria mais racional e mais favorável à produção. Desoneramos a folha de pagamento das empresas, facilitando a ampliação do emprego e reduzindo os custos de produção.

Temos zelado diuturnamente pela estabilidade econômica. A inflação foi mantida dentro da meta nos últimos nove anos. Praticamos uma política fiscal responsável e temos dado a necessária atenção à evolução do câmbio.

Estas e muitas outras medidas que tomamos, principalmente ao longo de 2012, passaram por uma fase inevitável de maturação e já apresentam seus primeiros bons resultados: os índices de desemprego são os mais baixos da história; a massa salarial continua se expandindo; a inflação está sob controle; a indústria dá sinais claros de retomada da produção e das vendas; o comércio e os serviços mantêm-se aquecidos; alcançamos um superávit primário recorde em janeiro e a relação dívida PIB é a menor da história recente; e temos certeza de um crescimento mais robusto do PIB em 2013.

Mais uma vez, os mercadores do pessimismo vão perder, como perderam quando previram o racionamento de energia. Mais uma vez, os que apostam todas as fichas no fracasso do país vão se equivocar. Torcer contra é o único recurso daqueles que não sabem agir a favor.

Em tudo o que foi feito, é normal que tenhamos enfrentado interesses divergentes, que estavam acostumados ao passado, e não queriam mudanças. Mas, com a força política da coalizão que sustenta o governo, o meu partido, o PMDB, cada um e todos os partidos aliados, nós estamos vencendo as resistências e os obstáculos e tomando as decisões políticas necessárias à construção de um novo Brasil.

Amigas, amigos e parceiros do PMDB,

Nosso governo –o  governo conduzido por mim e pelo meu amigo Michel Temer– tem a inclusão social como prioridade, a educação de qualidade como meta mais importante, a saúde pública como obsessão permanente e o crescimento econômico como cenário obrigatório e imprescindível para que o Brasil entre, altivo e eficiente, em uma nova etapa do seu desenvolvimento: um país de classe média.

O povo brasileiro percebe que nós sabemos o que deve ser feito, sabemos como fazer e de fato estamos fazendo. Percebe que estamos preparados para enfrentar qualquer dificuldade. Percebe que tornamos o país mais forte, e que não se intimida diante dos desafios e das crises.

O mundo viveu enorme crise, cuja intensidade começa a diminuir, mas sem oferecer ainda sinais de retomada clara do crescimento global. O Brasil não deixou de ser atingido, por ser impossível escapar ileso de uma situação mundial tão grave, mas continuamos crescendo, gerando emprego, distribuindo renda e melhorando as condições de vida do nosso povo.

Não faz muito tempo que crises até menores do que essa quebravam o Brasil, levavam o país a bater as portas do FMI, e impunham ao nosso povo sofrimento, carestia, desemprego e perda da esperança.

Nestes dez anos em que estamos juntos, mudamos o Brasil para melhor. Sob a batuta de um grande maestro, Luiz Inácio Lula da Silva, e nestes últimos dois anos fizemos mudanças profundas, rompemos com ciclos históricos de atraso, promovemos verdadeiras transformações e criamos novos paradigmas que não podem mais ser abolidos. Lançamos um olhar generoso sobre o povo, sobretudo sobre os mais pobres e os excluídos. Podemos dizer com orgulho, porque não abandonamos nosso povo agora a pobreza está nos abandonando.

Este compromisso com o povo brasileiro e seus direitos faz parte da história do meu partido e dos partidos que compõem a nossa base aliada. Mas faz parte, muito especialmente, da história do PMDB.

Criado em março de 1966 para ser um arremedo de oposição, subverteu a lógica da ditadura e se transformou no maior partido brasileiro – durante muitos anos o único abrigo e proteção institucional dos perseguidos e dos maltratados pelo regime de exceção.

O MDB de então tornou-se forte, legítimo, autêntico, popular – e ao longo da ditadura salvou muitas vidas, sempre conduzido pela liderança firme e inatacável do querido Ulysses Guimarães, um dos maiores símbolos da nossa luta contra a opressão.

Foi o próprio Ulysses que, em tom de blague, bem humorado que era, afirmou um dia: “O MDB é como pão-de-ló, quanto mais batem, mais cresce”.

Pois o MDB cresceu, virou PMDB, e com José Sarney na presidência da República, diante da fatalidade que nos levou Tancredo Neves, teve competência e sabedoria para conduzir a transição política do país da ditadura à democracia sem sobressaltos e com rigoroso respeito às instituições e aos direitos do povo.

Esse PMDB que mantém a identificação com seu passado e com sua história.

Minhas amigas e meus amigos,

Muito do que conseguimos alcançar deve-se à presença no centro do governo do Vice-presidente Michel Temer, ao apoio dos parlamentares do PMDB, ao apoio político do partido, à parceria no exercício do poder, à sua grande presença em todos os municípios brasileiros, à experiência administrativa em câmaras de vereadores, prefeituras e governos estaduais. Queria aqui ressaltar o papel da parceria com os governadores do PMDB, o gov. Silval Barbosa, Roseana Sarney, André Puccinelli e Confúcio Moura. Dou como exemplo a grande aliança pelo desenvolvimento do Rio de Janeiro, feita com o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes. Ontem, ao comemorar os 448 anos de aniversário do RJ, inauguramos a base de equipamentos para nossa fábrica de submarinos nucleares, o hospital geral da ilha do governador  e o Museu de arte do Rio, o MAR. Lá, no MAR, eu disse que mais que dinheiro é preciso uma parceria de qualidade para transformar a realidade. Uma parceria como  a que fizemos no Rio, com coragem e lealdade políticas, capacidade de gestão e com a força e a determinação de transformar.

Sras. e Srs. a proximidade do PMDB com o povo brasileiro tem sido um instrumento fundamental para o sucesso das políticas que temos implementado.

Por isso, encerro desejando longa vida ao PMDB e longa vida à nossa parceria. Me dirijo calorosamente ao meu amigo Michel Temer para agradecer o apoio, a solidariedade, a lealdade e a solidariedade, uma verdadeira parceria que, eu tenho certeza, continuará por longo tempo. Ainda temos muito o que fazer pelo Brasil, meu amigo. E eu quero continuar fazendo, junto contigo, junto com todos vocês e junto com o PMDB.

Muito obrigada.

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Bastidores: um ruído para Temer no PMDB
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Fernando Rodrigues

Presidente reeleito havia prometido ficar no comando da sigla…

…mas recuou avisando a quase ninguém que agora pretende se licenciar

Três caciques, pelo menos, ficaram boiando: Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e Moreira Franco

O presidente nacional do PMDB, Michel Temer, não teve 24 horas de sossego depois de ser reeleito no sábado. Um grupo minoritário, porém ruidoso, ficou insatisfeito com o recuo do colega sobre como tocar o dia a dia do partido.

Haverá choro e ranger de dentes nos bastidores do PMDB. E em algum momento essa chorumela pode se transformar em algo prático.

Nas semanas recentes, durante intensas conversas, Temer havia aquiescido e concordado em assumir de maneira completa o PMDB. É que nos útimos 10 anos, ele ficou licenciado do cargo, período no qual assumiu interinamente o vice-presidente da legenda –o senador Valdir Raupp, de Rondônia.

Agora, o trato era que Temer seria reeleito para o cargo de presidente nacional do PMDB –o que se deu ontem, sábado, 02.mar.2013 – e não se licenciaria.

Essa promessa de Temer ajudou a debelar uma incipiente tentativa de alguns descontentes que pensaram em lançar uma chapa de oposição –com pouquíssimas chances de ganhar, mas com potencial enorme para tornar público o que todos já sabem: o racha histórico crescente dentro da legenda.

Mostrar um partido dividido era o que Michel Temer menos desejava neste início de 2013. Ele tem sido ameaçado por boatos quase diários de que alas do PT (sob o comando de Luiz Inácio Lula da Silva) pretendem tirá-lo da cadeira de vice na chapa presidencial de 2014 ao lado de Dilma Rousseff. O ideal no sábado era demonstrar um partido unificado ao seu lado.

Deu certo. Mas só até o final do dia.

Quando muitos já estavam a caminho do aeroporto para viajar de volta aos seus Estados, Michel Temer deu uma entrevista. Recuou em público da posição que havia assumido em privado: disse que iria sim se licenciar do cargo de presidente do PMDB e passar o dia a dia do partido para o senador Valdir Raupp (RO).

“Eu vou manter o mesmo sistema que eu vinha mantendo com o presidente Raupp”, afirmou Temer.

Quem conhece Michel Temer sabia que ele estava incomodado em assumir o papel de multipresidente –presidente do PMDB, vice-presidente da República e eventual comandante do Planalto quando Dilma Rousseff se ausentasse do país.

De fato, apesar de ser legal, essa situação produziria um despautério político. Haveria constrangimentos incontornáveis. Exceto com Ulysses Guimarães (nos anos 80), o Brasil nunca mais teve um presidente de partido no comando do país.

Temer ruminou em silêncio e vagou por esse labirinto na semana passada. “Assumo ou não o PMDB formalmente e viro um multipresidente causando um constrangimento político para mim e para o governo?”.  Ou a outra opção: “Digo que vou de novo me licenciar e me arrisco a ter uma oposição explícita contra mim na frente da presidente Dilma durante a convenção do partido?”.

Na dúvida, Temer parece ter seguido o ensinamento lusitano atribuído a d. João 6º: “Se não sabes o que fazer, não faças nada”. Ou seja, o líder do PMDB deixou a ala descontente de sua legenda pensar que ele assumiria integralmente o partido.

Foi uma boa estratégia. Temer foi reeleito. Os telejornais noturnos de sábado (2.mar.2013) mostraram imagens dele reeleito e nenhum sinal de dissidência entre os militantes do PMDB na frente de Dilma Rousseff (aqui o Jornal Nacional, o Jornal da Band e o Jornal da Record). Imagem é tudo –embora tenha sobrado sempre uma dúvida sobre a falta de ênfase no discurso de Dilma sobre quem será, de fato, o seu companheiro de chapa em 2014. Mas essa é outra história.

A forma melíflua com que Michel Temer tomou sua decisão provocou reações de assombro no início da noite de sábado (2.mar.2013). Quem se surpreendeu? O Blog identificou pelo menos 3 integrantes da cúpula do PMDB: o líder do partido na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), o vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima, e o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Moreira Franco.

Os três só souberam que Temer havia desistido de se manter no cargo de presidente do PMDB por meio de conversas com jornalistas. “O compromisso era ele não se licenciar. Eu não sabia. É muito ruim se for isso mesmo”, declarou, ainda incrédulo, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, no final do dia e já fora do recinto da convenção.

O resumo da ópera é simples. Para uma parcela do PMDB houve ambiguidade de comportamento por parte de Michel Temer. Ele havia dito uma coisa para alguns aliados e fez outra na prática (prometeu que ficaria no comando do PMDB, mas declarou depois que vai se licenciar e passar o partido para o vice, Valdir Raupp)

Por que alguns peemedebistas queriam Temer no comando diário do partido? Por duas razões principais.

A primeira e mais pública é que não faz sentido um partido que é o segundo mais importante na aliança que governa o Brasil ser tocado por um presidente interino. A partir de agora, como se sabe, será necessário negociar acordos para formar palanques em 26 Estados e no Distrito Federal. Michel Temer, como presidente nacional do PMDB, segundo essa argumentação, teria mais poder para fazer as melhores negociações a favor do partido.

A segunda razão, essa mais oculta, é que uma ala do PMDB está irritada com o avanço e o poder do grupo de senadores da legenda –Renan Calheiros (AL) à frente, recém-eleito presidente do Senado. Renan fez uma campanha velada (para alguns até bem explícita) contra as eleições do presidente da Câmara, Henrique Alves (RN), e do líder dos deputados, Eduardo Cunha (RJ). Por essa razão, o time do PMDB na Câmara decidiu impor como vendeta a destituição do senador Valdir Raupp do cargo de presidente interino da legenda.

E agora, o mais importante: haverá consequências?

Possivelmente nenhuma. No curto prazo.

Michel Temer também pode vir a público e dizer que foi mal entendido. Pode declarar que vai assumir mais as tarefas políticas do PMDB, mas sem controlar a burocracia do dia a dia.

Vai ficar tudo o dito pelo não dito, um desfecho típico do PMDB. A ambiguidade é uma marca registrada do partido. Uma praxe acadêmica interna.

Mas os sinais estão emitidos.

Michel Temer tem o controle do partido, mas de uma forma um pouco mais precária do que o normal.

O Palácio do Planalto sabe disso. E gosta. O PT adora. Nada como ter um aliado enfraquecido internamente.

Tudo o que Dilma Rousseff, o PT e Lula querem é repetir a mega-aliança de 2010, que tinha dez legendas (e obter um tempo gigantesco na propaganda de rádio e TV). Nessa lógica, o PMDB é mais do que desejado. Só que a presença de Temer como candidato a vice só é um contrapeso que os petistas engoliram como um preço a pagar na época em que o peemedebista tinha, de fato, o comando mais robusto da sigla.

Se o PMDB fraquejar com Temer, o partido pode por obra de seus caciques regionais até ficar na aliança dilmista. Mas a garantia de Temer na cadeira de vice tende a sofrer ataques especulativos diários. Ainda mais agora, que ele usou sua astúcia e ambiguidade para engambelar alguns colegas da legenda.

Por fim,  conclui-se:

1) a tendência natural continua sendo o PMDB se entregar de novo ao PT na campanha presidencial para reeleger Dilma Rousseff;

2) mesmo com o ruído provocado agora, Michel Temer tem se mostrado mais habilidoso do que seus adversários dentro da legenda. Ele não chega a ser um Frank Underwood de House of Cards, mas se não for ele, quem comandaria o PMDB?;

3) quem está feliz vendo de fora essa trapalhada peemedebista é o PT e também, certamente, o PSB e Eduardo Campos, o eterno “plano B” de Lula para a vaga de vice de Dilma.

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PMDB usa Renan na TV hoje à noite
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Fernando Rodrigues

Presidente do Senado é um dos 16 peemedebistas no vídeo de 10 minutos

“Para as redes sociais, mais liberdade de expressão”, diz Renan no programa

O PMDB apresenta hoje (28.fev.2013), às 20h30, o seu programa partidário na TV em rede nacional. Em 10 minutos, aparecem na tela 16 personalidades da legenda. Logo no início surgem Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves, presidentes do Senado e da Câmara, respectivamente.

Abaixo, o vídeo de 10 minutos com o programa do PMDB:

 

Coube a Renan Calheiros fazer um discurso a favor da liberdade de expressão. Ele repete, de maneira um pouco mais elaborada, o que já vem dizendo sobre as manifestações que pedem a sua saída da Presidência do Senado.

Eis o texto de Renan no programa do PMDB:

“É com a convicção de que ninguém pode ser proibido de dizer o que pensa, nem de expressar seus sentimentos, que chego à Presidência do Senado”.

“Democracia é respeitar as divergências, é conviver com as diferenças”.

“Para os erros da democracia, mais democracia. Para as redes sociais, mais liberdade de expressão”.

“E, assim como a presidente Dilma muito bem colocou, também prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”.

“A contribuição do PMDB para o modelo democrático que vivemos hoje é enorme. Assim como é enorme a minha vontade de acertar. Neste momento posso afirmar que nada é maior do que ela”.

“Nada é maior do que a minha vontade de acertar”.

 

Renan, como se observa, cita nominalmente a presidente Dilma Rousseff, de quem o PMDB é aliado. Além de Renan, citam Dilma no programa apenas o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura) e o líder do governo no Senado, Eduardo Braga. Curiosamente, Michel Temer, vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, absteve-se de citar sua colega de governo.

Para os que defendem a saída de Renan do cargo, a atitude do PMDB de usar o presidente do Senado em seu programa de TV pode parecer uma afronta. Talvez até seja, mas o efeito é evanescente porque Renan é apenas um dos 16 “atores” do programa. Em apenas 10 minutos, fica difícil acompanhar o que cada um está falando. Nem um diretor premiado seria capaz de fazer algo inteligível com tanta gente em tão pouco tempo –cada um falando de um tema diverso.

O Blog captou a imagem de cada um dos 16 peemedebistas que hoje à noite entrarão nas casas de todos os brasileiros. Eis a montagem:

O fato de o PMDB usar esse número excessivo de personalidades da legenda num tempo exíguo de 10 minutos não denota apenas falta de senso estético. Trata-se de um sinal claro também de como o partido continua dividido. Aparecer no programa não garante um voto a mais para esses políticos nas próximas eleições. Mas emite-se uma mensagem direta para o público interno: esses são os que mandam. O caciquismo continua sendo a única ideologia visível no PMDB.

O presidente nacional do partido, Michel Temer, recebe um tratamento especial ao final do programa. Tem um tempo maior para falar e sua imagem é captada por uma câmera aérea acoplada a um pequeno helicóptero teleguiado. Um drone com 8 hélices.

Essas imagens aéreas salvam em parte o programa do PMDB. O local das filmagens foi a nova torre de TV digital de Brasília, uma bela obra de Oscar Niemeyer. O comercial foi produzido pelo publicitário Elsinho Mouco, da agência Pública. Os ângulos usados exalam um ar futurista. Apesar do esforço do diretor, o resultado é modesto. Não por culpa da produção, mas porque é mesmo difícil agregar modernidade a uma agremiação com ar tão envelhecido como é o PMDB.

Eis alguns fotogramas das imagens aéreas do programa do PMDB. Em uma delas, aparece Michel Temer:

Além de Michel Temer, Renan Calheiros e Henrique Alves, aparecem também no programa: Sérgio Cabral (governador do Rio; deveria ter aparecido o prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes, mas ele cedeu lugar a Cabral); deputado Eduardo Cunha (RJ); senador Eduardo Braga (AM); ministro Garibaldi Alves (Previdência); deputado Eliseu Padilha (RS); ministro Moreira Franco (SAE); ministro Gastão Vieira (Turismo); ministro Mendes Ribeiro (Agricultura); prefeita Teresa Surita (Boa Vista-RR); senador Eunício Oliveira (CE); senador Romero Juca (RR) e ministro Edison Lobão (Minas e Energia).

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Lula evita Renan Calheiros
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Fernando Rodrigues

Petista recebeu presidente da Câmara, mas nada está marcado com presidente do Senado.

O ex-presidente Lula, principal articulador político do PT, trata de maneira diferente os novos presidentes da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Lula marcou reunião com Alves para hoje (22.fev.2013), mas não agendou nada com Renan Calheiros. Nem há sinais de que tal encontro vá ocorrer.

Os dois peemedebistas foram eleitos para o comando do Congresso sob uma saraivada de críticas e acusações de mal feitos. Mas o caso de Renan é muito mais midiático, até porque um escândalo fez com que ele renunciasse à Presidência do Senado em 2007. Na ocasião, o senador foi acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior (mais especificamente, a pensão de sua filha com Mônica Veloso).

Agora, no momento em que volta a comandar o Senado, Renan é acusado pela Procuradoria-Geral da República de apresentar documentos falsos para provar que podia pagar a pensão. Além disso, há uma grande mobilização anti-Renan: um abaixo assinado online já conseguiu mais de 1,5 milhões de assinaturas para que ele deixe a Presidência do Senado.

Contra Henrique Alves, também há acusações de peso: é investigado pelo Ministério Público, por exemplo,  por repassar dinheiro a empresas de aluguel de veículos, como registrado pela “Folha”. Mas ainda não teve a mesma repercussão dos casos envolvendo Renan Calheiros.

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Lula receberá Henrique Alves na 6ª feira em São Paulo
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Fernando Rodrigues

Tema do encontro será chegada de Alves, do PMDB, à Presidência da Câmara.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) receberá o novo presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), em seu instituto, em São Paulo. O encontro será na 6ª feira (22.fev.2013) e deverá começar às 15h.

Lula já havia telefonado para o Henrique Alves no dia em que ele foi eleito presidente da Câmara (4.fev.2013), segundo informou a assessoria do peemedebista. Agora, a reunião será uma cortesia pela chegada do aliado ao comando da Casa.

A vitória de Alves, aliás, tem tudo a ver com Lula. Foi no governo do petista que começou a valer o acordo de revezamento entre PT e PMDB na Presidência da Câmara. Donos das maiores bancadas de deputados, os 2 partidos combinam em quem votar para o cargo. Elegeram Arlindo Chinaglia (PT-SP) para o biênio 2007-2008, Michel Temer (PMDB-SP) para 2009-2010 e Marco Maia (PT-RS) para 2011-2012. Agora, na vez do PMDB, o cargo ficou com Henrique Alves (PMDB-RN).

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PMDB rachado toma comando total do Congresso
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Fernando Rodrigues

Há divisão clara entre grupo de deputados e de senadores peemedebistas que ascenderam ao poder

O PMDB voltou a comandar as duas Casas do Congresso. Na última 6a feira (1.fev.2013), Renan Calheiros (PMDB-AL) ganhou a presidência do Senado. Hoje (4.fev.2013), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ganhou a presidência da Câmara.

Essa situação hegemônica não é inédita. Mas agora assumiram 2 políticos muito mais arestosos do que os da última dupla de peemedebistas que controlou o Legislativo (José Sarney e Michel Temer, em 2009 e 2010).

Renan Calheiros e Henrique Alves, para começo de conversa, são mais jovens e têm mais ambições no momento do que tinham Sarney e Temer quando assumiram. Mas o importante é que hoje o PMDB está muito menos pacificado do que em 2009, quando o partido caminhava junto com o PT para um projeto quase certo de poder –Luiz Inácio Lula da Silva se consolidava como o mais popular presidente da história recente e tinha uma candidata a sucessora que se consolidava nas pesquisas, Dilma Rousseff.

Agora, o PMDB rachou ao meio na hora do escolher o seu líder na Câmara (o escolhido foi o deputado fluminense Eduardo Cunha). De um lado estava Renan Calheiros. Do outro, Henrique Alves.

Não será uma convivência fácil entre Câmara e Senado daqui para a frente. Quem pagará o preço, um pouco, será o PMDB –que rachado sempre poderá menos. Mas o custo maior sobrará para o Palácio do Planalto: em vez de negociar com uma sigla razoavelmente unida, terá sempre de mitigar os problemas falando com as muitas facções peemedebistas.

Não é à toa que no seu discurso de posse, Henrique Alves citou uma das maiores derrotas de Dilma Rousseff na Câmara, quando os deputados derrubaram o Código Florestal desejado pelo Planalto.

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