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Arquivo : Prefeitura de São Paulo

Os “mannos” e o Ralph Nader brasileiro
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Fernando Rodrigues

publicitário analisa como Russomanno pode acabar ganhando eleição paulistana

O publicitário Rui Rodrigues envia ao Blog uma excelente reflexão sobre a disputa pela Prefeitura de São Paulo. Ele já participou de várias campanhas presidenciais para vários tucanos e é agora um consultor em comunicacao institucional e política. Conhece como poucos o comportamento do eleitorado brasileiro –e muito o paulistano.

A liderança de Celso Russomanno (PRB) na corrida paulistana é colocada em perspectiva: “Ele não é só o ‘candidato Procon’ que está sendo vendido na mídia”.

Para o publicitário, Russomanno (ou o político que se dispuser) tem tudo para neste século 21 usar sua ênfase sobre consumo e direitos do consumidor para cobrar mais respeito ao uso do dinheiro público.

“Não vejo a mesma ênfase para o dinheiro dos impostos que deveria, na contrapartida, oferecer serviços de qualidade na saúde, educação, transporte, segurança e outros. Cadê o recall do governo? (…) E nessa praia, defendendo a ‘cidadania’ aparece o paladino Russomanno, defendendo o ‘cidadão consumidor’, o brasileiro, e por excelência o paulistano dos nossos dias. Com um pouco de jeito pode vir a ser o Ralph Nader brasileiro”.

A referência, nesse caso, é ao influente ativista político norte-americano Ralph Nader. Advogado, ele atua em proteção ao consumidor, causas humanitárias, meio ambiente e governança democrática. Ganhou notoriedade ainda nos anos 60 quando fez um estudo profundo da falta de segurança nos automóveis dos Estados Unidos.

Nader já participou de seis campanhas presidenciais nos EUA. Nunca teve sucesso, mas em 2000 sua presença acabou ajudando na eleição do Republicano George W. Bush, pois a candidatura independente de Nader retirou votos do democrata Al Gore.

A seguir, o artigo de Rui Rodrigues que merece ser lido por quem deseja entender o que se passa na eleição paulistana de 2012:

 

RUI RODRIGUES (*)
PUBLICITÁRIO

Eu me perguntava a razão de Celso Russomano estar tão bem posicionado e pensava…

1. Lá estão os simpatizantes do PT que não sabem quem é o candidato do PT.

2. Lá estão também aqueles que gostam do sujeito, gente de menos informação política, com a cabeça feita completamente pela mídia televisiva que é o reino do Russomano.

3. Lá estão também os que não gostam do PT e não são tucanos. Com o Russomano, acharam alguém para votar que não o Serra, completo tucano, ou o Chalita, um voto muito indefinido.

4. Aliado a isso tudo o fato de o sujeito não ter rejeição. O que se falava ou se fala contra ele?

Bem, essas eram as razões para o voto no Russomano.

Eu imaginava que a lógica seria o voto do Russomano migrar para o Haddad e para o Serra num movimento que repetisse a polarização histórica da cidade.

Não aconteceu assim. O Haddad ganha votos, mas não do Russomano, e o Serra não ganha votos. Ele perde. E perde para o Russomano e não para o Haddad. Então fiz outras reflexões.

O voto no Russomano é mais sólido do que eu podia supor.

O Russomano não é só o ‘candidato Procon’ que está sendo vendido na mídia.

Aqui no Brasil o que conferiu cidadania ao povo, e isso vem sendo martelado insistentemente pela propaganda oficial, é o consumo. E o consumo de bens oferecidos pela indústria e não o consumo de serviços oferecidos pelos governos.

O que define o cidadão brasileiro é a possibilidade de ter um carro, uma TV, uma geladeira etc.… Não é a qualidade do serviço de saúde ou educação… Pede-se com ênfase (Russomanno é mestre nisso) o respeito ao dinheiro gasto comprando algo, tanto que recall passou a ser, a meu ver, um instrumento de marketing e não a constatação de que lhe venderam uma droga (bem, isso é assunto para outra conversa).

Pede-se com ênfase esse respeito, a esse dinheiro, e não vejo a mesma ênfase para o dinheiro dos impostos que deveria, na contrapartida, oferecer serviços de qualidade na saúde, educação, transporte, segurança e outros. Cadê o recall do governo? Vão dizer que é na eleição… Então tá.

Vamos lá.

E nessa praia, defendendo a “cidadania”, aparece o paladino Russomano, defendendo o “cidadão consumidor”, o brasileiro, e por excelência o paulistano dos nossos dias.

Com um pouco de jeito pode vir a ser o Ralph Nader brasileiro.

Ele poderia propor a transição do cidadão consumidor de produtos para o cidadão consumidor de serviços públicos.

Daria um belo discurso e um posicionamento único para ele.

Então…voltando para o voto…

José Serra não bateu no sujeito porque achava que por gravidade o voto do Russomano se não está com o PT poderia vir para ele como o cara que ganha do PT.

O PT não bateu em Russomanno porque achava que o voto petista que está lá viria assim que o grau de conhecimento de Fernando Haddad aumentasse –e ainda mais com a benção de Lula.

Na verdade, a meu ver, o voto em Russomanno estava mais consolidado do que se pensava:

1. Ele tem o voto dos que não querem o PT e se cansaram de Serra.

2. Todos que se cansaram da velha dicotomia têm alguém para votar e em quem o povo acredita.

3. Russomanno tem inclusive o voto dos que eram simpatizantes do PT e que se decepcionaram com o mensalão mas não querem votar tucano (por falar nisso, em São Paulo o efeito mensalão é diferente dos de outros Estados e cidades).

4. Russomanno tem o voto do cidadão consumidor que se sente respeitado e vê nele um real defensor dos seus direitos.

Pode acontecer o que já aconteceu: Russomanno ser a real alternativa para não deixar o PT levar e como não conseguirá governar com o que tem, poderá ir para os braços do PSDB. Já aconteceu com Gilberto Kassab que tinha uma prefeitura tucana nos seus principais quadros.

Nesse cenário, o PT deve estar bem preocupado. Pensava que poderia perder para José Serra, e, engraçado, hoje torce para ter Serra no segundo turno –porque sabe que para Russomanno a derrota poderá ser inevitável.

RUI RODRIGUES, 61 anos, é publicitário. Atuou, entre outras, nas seguintes campanhas eleitorais: FHC e Antonio Britto (1994), FHC (1998), José Serra (2002) e Antonio Anastasia (2010).

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Gastos superam doações oficiais em SP
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Fernando Rodrigues

Candidatos a prefeito na capital paulista já gastaram R$ 11 milhões, mas receita foi só de R$ 3,8 milhões.

Os candidatos a prefeito de São Paulo vivem uma situação surrealista. Juntos, os 12 postulantes já dizem ter realizado despesas de R$ 11,003 milhões. Mas a receita somada de todos eles é de apenas R$ 3,776 milhões. Ou seja, produziram um déficit de R$ 7,227 milhões.

São caloteiros? Fazem despesas e não pagam? Não necessariamente. É que a lei eleitoral brasileira permite prestações de contas parciais. É o que ocorreu na semana passada.

Os políticos preferem ir dizendo quais são suas despesas, mas optam por revelar os nomes dos doadores e quanto recebem apenas mais adiante –de preferência só depois da eleição, o que é (incrível) perfeitamente permitido pela lei.

Assim, os eleitores brasileiros votam sem saber exatamente quem financia os políticos.

Outro detalhe importante: os gastos e despesas associados aos candidatos no quadro acima dizem respeito apenas aos valores atribuídos nominalmente a eles. Ou seja: aos gastos de campanha declarados em seus nomes e a doações efetuadas diretamente a eles.

Não estão contabilizados no quadro acima os gastos da campanha pagos por meio de contas dos partidos e dos comitês de campanha. Também estão de fora as doações recebidas pelo partidos e pelos comitês.

Em uma campanha os candidatos têm auxílio de seus partidos e podem realizar gastos sem associar seu nome a eles. Outro post do Blog comenta essa anomalia da lei brasileira que permite aos políticos esconderem os nomes de seus doadores.

O quadro mostra, por exemplo, que José Serra (PSDB) não desembolsou nada em sua campanha até agora. Mesmo que ele quisesse, isso não seria possível: já apareceu na TV, produziu material de campanha e gastou com outras coisas. Tudo, na verdade, é pago por meio de seu partido, o PSDB.

O Blog listou nos quadros abaixo as informações disponíveis: nomes de quem doou diretamente em nome dos candidatos a prefeito de São Paulo.

Além dos doadores listados, é possível conhecer outros apoiadores das campanhas de José Serra (PSDB) e de Miguel (PPL). São doadores que repassaram recursos para as contas dos comitês das campanhas para prefeito e não para as contas dos candidatos. Como o valor caiu na conta do comitê para prefeito, pode-se saber que os prefeitáveis se beneficiaram da doação, diferente do que acontece quando a doação vai para o comitê da campanha para vereador ou para o comitê único do partido (nessas situações, não é possível saber quem usufrui do recurso).

O comitê de José Serra recebeu R$ 500 mil da JHS F Incorporações, R$ 1,2 milhão do PSDB estadual e R$ 250 mil de Adibe Zarzur Zogbi. O comitê de Miguel recebeu R$ 3.750 de Vilson Ferreira Dornelles.

A seguir, lista dos doadores que repassaram recursos em nome dos candidatos a prefeito de São Paulo:

 

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Pós-Haddad, Erundina vira hit nas redes sociais
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Fernando Rodrigues

Deputada do PSB tem 17 mil referências no Twitter e 8 mil no FB.
A deputada federal e ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSB-SP), de 77 anos, foi mencionada 17.274 vezes por 9.162 usuários do Twitter das 18h de ontem (19.jun.2012) até as 13h de hoje (20.jun.2012). Para efeito de comparação, o nº de menções equivale a 8% dos 214,1 mil votos que a deputada teve na eleição de 2010.

 

Os dados levantados por Manoel Fernandes, diretor da Bites Consultoria, refletem a repercussão nas redes sociais da desistência de Erundina de ser candidata a vice-prefeita de São Paulo na chapa de Fernando Haddad (PT). “Ela entrou 64 vezes no Trending Topics Brasil [assuntos mais comentados do Twitter] desde segunda-feira às 17h quando se começou a dizer que sairia da chapa de Haddad”, diz Fernandes. A deputada abandonou o barco após petistas se aliarem a Paulo Maluf (PP-SP), seu adversário histórico.

 

No Facebook, segundo a Bites, Erundina foi mencionada mais de 8 mil vezes no mesmo período.

 

Fernandes afirma que um perfil de Belo Horizonte com 232 seguidores foi o que mais twitou sobre Erundina (74 vezes).

 

Outros perfis que se destacaram foram os do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e do apresentador Milton Neves. Para o diretor da Bites, o senador usa seu perfil “para criticar ostensivamente a aproximação de Lula com Maluf”. Já Milton Neves, “elogiou a deputada para os seus 408.000 seguidores”.

 

 

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Cargo para PRB visa a derrubar candidatura de Russomano a prefeito de São Paulo
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Fernando Rodrigues

efeito colateral também importante é evitar críticas de cunho religioso contra Fernando Haddad

A decisão da presidente Dilma Rousseff de dar um cargo no governo federal para o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) tem um objetivo certeiro: tentar derrubar a candidatura de Celso Russomano a prefeito de São Paulo. Por tabela, facilitar a vida do petista Fernando Haddad, que também disputará a prefeitura paulistana neste ano.

Russomano era do PP, mas se indispôs com Paulo Maluf e bandeou-se para o PRB em 2011. O Partido Republicano Brasileiro, criado em 2005, tem ligação estreita com a Igreja Universal do Reino de Deus. Nas pesquisas de opinião, Russomano aparece com até 21% das intenções de voto, muito por conta de suas aparições em programas populares na TV. Aqui, a página mais completa da web com todos os levantamentos eleitorais disponíveis neste ano.

Com a ida do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) para a Secretaria da Pesca e Aquicultura, o Planalto espera ter pavimentado o caminho para que a direção nacional do PRB elimine do mapa a candidatura de Russomano –Crivella nega (leia a parte final deste post).

A nomeação de um representante do PRB para a Esplanada dos Ministérios é a primeira reação objetiva do PT e de Dilma Rousseff à entrada de José Serra (PSDB) na corrida pela sucessão de Gilberto Kassab na Prefeitura de São Paulo.

Os petistas correm para fechar o maior arco de alianças possível em torno de Haddad –e assim garantir um grande tempo de TV e rádio durante o horário eleitoral.

Religião & Haddad
Outro efeito colateral importante da nomeação de Marcelo Crivella é um acordo tácito para que os políticos evangélicos sob o guarda-chuva do PRB evitem críticas de cunho religioso contra Fernando Haddad.

Quano era ministro da Educação, Haddad envolveu-se na polêmica da cartilha sobre respeito a homossexuais em escolas. Logo os evangélicos e religiosos em geral classificaram a iniciativa de “kit gay”. A operação foi abortada, mas a imagem de liberal do petista permaneceu.

Há um temor do PT de que durante a campanha eleitoral deste ano Haddad possa ser alvo de políticos conservadores. Com a presença do PRB na Esplanada dos Ministérios, há um entendimento entre o governo Dilma e a cúpula do partido de Crivella para que sejam evitados os debates em torno de aspectos religiosos durante as disputas por prefeituras, sobretudo na cidade de São Paulo.

“Só tivemos conversas técnicas”
Após ser anunciado como novo ministro do governo Dilma, Marcelo Crivella negou que a nomeação tenha por objetivo tirar Celso Russomanno da disputa pela Prefeitura de São Paulo. “Acho que o PRB em São tem um candidato, que é o Celso Russomano, e em nenhum momento quando a presidente me convidou isso foi aventado. Pelo contrário, só tivemos conversas técnicas”, afirmou, segundo publicou a Folha.com. “Ela [Dilma] queria fazer uma homenagem ao povo fluminenese”, disse Crivella.

O político disse ainda ter “muita honra” de integrar a bancada evangélica no Congresso, mas que sua entrada no governo se deve à posição de filiado ao PRB e não à de integrante da bancada evangélica.

 

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Serra fica fora do jogo se não disputar Prefeitura de SP, diz presidente do DEM
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Fernando Rodrigues

O presidente nacional do Democratas, senador José Agripino (RN), acha que o tucano José Serra deve entrar na disputa pela Prefeitura de São Paulo. “O Serra hoje está fora do jogo. Se não entrar, suas chances mais adiante são mínimas, quase nem existiriam”, diz o líder do DEM.

O PSDB enfrente no momento um impasse. O partido convocou eleições prévias entre seus filiados –que vão escolher quem será o candidato da sigla a prefeito de São Paulo. Essa votação está marcada para o dia 4 de março, mas Serra não se inscreveu.

“Ele não tem nada a perder, só a ganhar. Se ganhar, será prefeito de São Paulo e acumulará forte capital político. Se perder, também terá feito uma reentrada no jogo. Hoje, Serra está fora do jogo para2014”, diz Agripino.

Indagado sobre como Serra poderia eventualmente ser candidato a presidente em 2014 se entrar agora na disputa e ganhar a Prefeitura de São Paulo, Agripino respondeu: “Mas aí estamos antecipando muito as coisas. O fato é que hoje ele está fora do jogo. Se não entrar, continua de fora. A disputa para 2014 é uma outra história”.

Segundo o presidente nacional do DEM –partido que nos últimos 20 anos fez sólidas alianças eleitorais com o PSDB–, as conversas em São Paulo entre as duas siglas têm sido conduzidas pelo governador paulista, o tucano Geraldo Alckmin. “Ele nos disse que Serra tinha emitido sinais que indicavam uma possibilidade, mas não com certeza, de entrada na disputa pela Prefeitura de São Paulo”.

Agripino diz que o DEM já tem pré-candidato lançado para prefeito de São Paulo, Rodrigo Garcia, mas que a legenda estará “sempre disposta a conversar”. Agora, afirmou, “Serra terá dizer quais são as suas necessidades para que venha a ser candidato”. Por enquanto, ressaltou, “o candidato do DEM tem nome e é Rodrigo Garcia”.

Na semana passada, antes do Carnaval, Serra telefonou a Rodrigo Garcia e ambos ficaram de conversar pessoalmente. O encontro deve acontecer só agora, pois o tucano passou o feriado fora de São Paulo.

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