Blog do Fernando Rodrigues

Categoria : Mídia

Globo notificará sites que falam de operação da emissora com o BNDES
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Fernando Rodrigues

TV contesta versão citada por Mirian Dutra

Crédito: Junius-13fev2010

Sede da Rede Globo no Rio de Janeiro

O Grupo Globo decidiu notificar extrajudicialmente sites e blogs que têm noticiado um suposto empréstimo do BNDES que teria beneficiado a emissora.

O assunto foi levantado pela ex-funcionária da TV Globo Mirian Dutra, que teve um relacionamento pessoal com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ela afirmou em entrevista que a Globo a teria “exilado” com contratos na Europa para evitar que sua volta ao Brasil e a relação com FHC prejudicassem a imagem do então presidente. Em troca, a emissora teria recebido financiamentos do BNDES a juros baixos.

A Globo tem em seu site uma versão para essa história: o BNDES era sócio da Globo Cabo, companhia de TV por assinatura do Grupo Globo, e acompanhou o aumento de capital da empresa realizado em 1999. O banco não teria realizado nenhum financiamento ou empréstimo a empresas do grupo.

A novidade neste episódio foi o Grupo Globo tomar a iniciativa de notificar os sites e blogs para que reafirme a informação ou se retratem. A ideia é processar os que não responderem de acordo com o que a emissora considera a versão correta dos fatos.

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Governo gasta R$ 89,5 milhões com assessoria de imprensa em 2015
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Fernando Rodrigues

3 empresas terceirizadas têm 76,3% do total

FSB, CDN e Informe faturam R$ 68,3 milhões

Ministério do Esporte, sozinho, já gastou R$ 14,3 mi

Parte dos órgãos não detalha número de funcionários

getty

Cortes de despesas federais não atingiu assessorias de imprensa

Serviços terceirizados de assessoria de imprensa já consumiram pelo menos R$ 89,5 milhões do governo federal em 2015. As campeãs no faturamento com a prestação desse tipo de serviço são as agências. FSB, CDN e Grupo Informe.

Do total gasto até agora pelo governo, 76,3% (ou R$ 68,3 milhões) foram destinados a essas 3 empresas. Só o Ministério do Esporte consumiu R$ 14,4 milhões (ou 16,8%) dessa verba para pagar a FSB.

O governo da presidente Dilma Rousseff está em meio a um esforço para cortar gastos (o rombo em 2015 será acima de R$ 50 bilhões). Não há na lista possíveis economias a redução das despesas com assessoria de imprensa terceirizada.

Esse tipo de gasto é antigo. Até o mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), a prática era contratar assessores de imprensa por meio de agências de publicidade que prestavam serviços para o governo federal. Essa prática foi aos poucos alterada quando Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao Planalto, em 2003.

Há alguns anos, órgãos públicos adotaram a prática de contratar diretamente empresas de assessoria de imprensa (que preferem ser chamadas de “agências de comunicação”). O serviço prestado inclui o atendimento a jornalistas, consultorias a autoridades, produção de relatórios, redação de press-releases e outros textos promocionais, treinamentos para entrevista e produção de materiais de divulgação.

A contratação é legal, realizada por meio de um processo de licitação. Embora o governo federal tenha mais de 500 mil funcionários na ativa, a administração pública prefere contratar serviços terceirizados de assessoria de imprensa.

Quando um ministro dá uma entrevista a um meio de comunicação, por exemplo, cabe à assessoria convocar os jornalistas e acompanhar a autoridade durante o processo. Também é tarefa do assessor telefonar para jornalistas para revelar informações e até mesmo reclamar de notícias publicadas.

Em geral, os profissionais responsáveis pela direção das assessorias de imprensa são contratados diretamente pelo órgão. É o caso da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom/PR). Nem o atual secretário de imprensa, o jornalista e cientista político Rodrigo de Almeida, e nem o antecessor dele, Nelson Breve, eram terceirizados.

Em 2015, entretanto, a Secom já gastou R$ 8,7 milhões em um contrato com a CDN Comunicação para prestação de assessoria de imprensa.

A terceirização das assessorias contribuiu para que as agências dedicadas a ramo da comunicação desenvolvessem muito nos últimos anos. Antes das terceirizações, as atividades de assessoria de imprensa eram exercidas principalmente por funcionários de carreira dos respectivos órgãos.

Alguns contratos estabelecem até a criação de “agências de notícia” gerenciadas pelas empresas, que produzem press-releases (notas a serem enviadas para a imprensa) em formato de notícia, fotos e vídeos sobre as pautas de interesse do órgão.

O Blog levantou os dados dos contratos de assessoria de imprensa do governo federal que têm os valores mais elevados. A apuração é dos repórteres do UOL André Shalders e Mateus Netzel.

Sob o comando de George Hilton (PRB), o Ministério do Esporte é, atualmente, o órgão que mais gasta com serviços de assessoria de imprensa em toda a administração pública federal. Em seguida vêm o Ministério do Turismo e a Embratur (R$ 11,4 milhões) e o Ministério da Cultura (R$ 9,3 milhões).

A conta tende a crescer até o fim de 2015. Nos contratos considerados pela reportagem, já foram empenhados R$ 103,6 milhões. O empenho é a primeira etapa para a liberação de recursos na administração pública. Significa que o governo reconhece a existência da dívida com a empresa e já separou recursos para quitá-la.

A tabela a seguir mostra os maiores contratos de assessoria de imprensa na administração pública federal (clique na imagem para ampliar):

tabela_ascom_reduxPara ter acesso a todas as informações, em detalhes, sobre os contratos das assessorias de imprensa, baixe a tabela completa.

Não é incomum ainda que o mesmo órgão seja atendido por mais de uma empresa. A Embratur é paradigmática neste caso: mantém 2 contratos com a Máquina da Notícia (o número 27, de 2010, e o 02, de 2011), 1 com a FSB (28 de 2010, voltado para ações nos EUA) e 1 com a portuguesa Cunha Vaz & Associados (ações na Europa).

O Ministério da Saúde, embora seja atendido hoje pela FSB, contratou emergencialmente a Máquina da Notícia por um período de 180 dias (de 15.jul.2014 a 10.jan.2015), sem licitação. Parte dos pagamentos foi feita em 2015. É por isso que as duas empresas aparecem como contratadas na tabela publicada neste post.

A Saúde mantém ainda um 3º contrato com a Exemplus Comunicação e Marketing, para o qual ainda não foram feitos repasses.

NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS: “VARIÁVEL”
O contingente de profissionais que trabalha nos órgãos públicos como terceirizados varia de 33 profissionais (Ministério do Desenvolvimento Social) a 7 (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Muitas empresas de assessoria de imprensa, entretanto, não forneceram ao Blog o número total de funcionários que colocam à disposição dos órgãos públicos.

Os ministérios e órgãos públicos que se recusaram a prestar essa informação alegam que os contratos não exigem funcionários fixos. Também dizem que as tarefas são contratadas e remuneradas conforme a demanda diária (leia o “outro lado” completo ao final deste post).

ESPORTE: R$ 1 MILHÃO POR MÊS
O Ministério do Esporte está longe de ter o maior orçamento da Esplanada, mas é o que detém o maior contrato de serviços terceirizados de assessoria de imprensa. Para 2015, o valor é de R$ 3,29 bilhões de reais.

Em 2015, o Esporte está autorizado a gastar até R$ 18,75 milhões com a contratação de serviços da FSB Comunicação. Desse total, R$ 15,6 milhões já foram empenhados e R$ 14,3 milhões foram efetivamente gastos.

Não há um valor fixo mensal. Uma nota fiscal faturada pela FSB contra o Esporte em julho de 2015 é de R$ 1,6 milhão (clique na imagem para ampliar):
nota_MEO contrato com a FSB foi firmado, originalmente, em 12.jan.2011, no valor de R$ 9,6 milhões. Desde a assinatura, foi aditado 4 vezes –isto é, prorrogado e ajustado.

O último aditamento ocorreu em 30.dez.2014, penúltimo dia do ano. O contrato com a FSB vence no fim de dezembro de 2015.

Procurada, a FSB disse que o Ministério do Esporte só dispõe de 2 funcionários efetivos com formação em jornalismo. Afirmou ainda que os serviços prestados ao Ministério vão além das tarefas tradicionais de atendimento a jornalistas e envolvem a produção de conteúdo digital.

A empresa também atua na divulgação das Olimpíadas do Rio. O portal Brasil 2016, que distribui conteúdo sobre os jogos, foi criado pela FSB a partir do contrato com o Ministério do Esporte.

A FSB não informou quantos funcionários trabalham na prestação do serviço terceirizado de assessoria de imprensa ao Ministério do Esporte. O número de profissionais, segundo a empresa, varia conforme a demanda do ministério (leia o “outro lado” de todos os citados a seguir).

OUTRO LADO
O Blog procurou os órgãos citados na reportagem. Leia o que cada um disse sobre os contratos:

Ministério do Esporte (ME), por meio da FSB
Informa que os contratos não têm custo fixo mensal. Os valores são variáveis, conforme a demanda.
“O contrato do Esporte envolve a prestação de serviços profissionais por homem/hora. Neste tipo de contrato, o número de horas mensais de trabalho varia de acordo com a solicitação mensal e com a comprovação dos serviços executados. No contrato para fornecimento de produtos, o que importa é a entrega do produto demandado. Os serviços são prestados por uma equipe própria da FSB”.
A FSB não explica em detalhes quais tipos de “produtos” são fornecidos.

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)
A pasta informou que está previsto no projeto básico o uso de 33 profissionais, todos com contrato de serviço com dedicação exclusiva e nas dependências do MDS. A contratação é feita com base na CLT e observando a Convenção Coletiva de Trabalho de cada categoria de profissionais. Em 2014, foram pagos R$ 9,2 milhões. Até setembro de 2015, foram pagos R$ 8,4 milhões à Informe.

Embratur (Empresa Brasileira de Turismo)
O contrato com a FSB, de R$ 10 milhões, foi feito para a prestação de serviços de relações públicas nos EUA.
Há um outro contrato, com a Máquina da Notícia, no valor de R$ 3 milhões. Em 2014 foram pagos R$ 2,7 milhões. Em 2015, até setembro, R$ 2,2 milhões.
Desde o início do contrato com a Máquina da Notícia, em 2011, a média de funcionários trabalhando exclusivamente para a Embratur, nas dependências da estatal, é de 8, com remuneração que varia de R$ 94,92/hora (fotógrafo) a R$ 259,13/hora (“funcionário master”). O número de servidores variou entre 6 e 10, desde 2011.

Ministério da Educação
Não demanda disponibilização exclusiva de mão de obra. A contratação de funcionários da Informe é realizada previamente por demanda, com discriminação detalhada dos serviços prestados. Os valores mensais executados no período de julho de 2014 a setembro de 2015 variaram de R$ 365 mil a R$ 396 mil.

Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)
São 23 profissionais, todos com carga horária de 5 horas diárias, conforme rege a legislação (a Seção XI da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT). Todos realizam o trabalho nas dependências do MDA. O serviço é prestado pela RP1 Comunicação Empresarial.

Ministério da Cultura
Para o mês de outubro, a previsão do faturamento é de R$ 707 mil. Há 20 funcionários da CDN prestando serviços de maneira fixa para o ministério. As horas trabalhadas são pagas conforme valores definidos em convenção trabalhista de cada área.

Ministério do Turismo
Gastos variam conforme a demanda e obedecem a teto estipulado no contrato. O trabalho é remunerado de acordo com o volume de horas trabalhadas e o órgão só paga os serviços que tenham sido de fato prestados. O valor do contrato foi estipulado durante processo de concorrência e de acordo com o perfil dos profissionais. No contrato atual, são prestados serviços na sede do ministério e também a partir do escritório da assessoria de imprensa, a FSB.

Secretaria de Aviação Civil (SAC)
Não há número fixo de pessoas ou horas de trabalho. Essas quantidades dependem da demanda de cada mês. O trabalho é remunerado de acordo com o que é realizado e comprovado mensalmente. Os valores são limitados a um teto anual de R$ 6.155.982,38, sem qualquer obrigatoriedade de usar 100% da verba. Atualmente, os serviços são realizados tanto na sede da secretaria e também a partir do escritório da assessoria de imprensa contratada, a FSB.

Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS)
Conta com 7 profissionais contratados, que cumprem 40 horas semanais. Seis deles dão expediente nas dependências da ANS. O valor mensal pago à Informe é de R$ 101 mil.

Ministério da Defesa
O modelo de contratação baseia-se na em pagamentos por cada serviço ou produto criado, remunerados por preços pré-estabelecidos. O contrato não estabelece contratação de trabalhadores fixos e independe da quantidade de horas ou pessoas trabalhando. Conforme o contrato, a prestação dos serviços é realizada a partir do escritório da assessoria de imprensa contratada, a FSB. Apenas excepcionalmente o trabalho é realizado na sede do ministério.

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)
O número de profissionais varia de acordo com a demanda do ministério. Os serviços são solicitados por estimativa e o ministério paga mensalmente apenas aquilo que foi comprovadamente prestado. Não há valor pré-determinado. Os serviços são realizados na sede do MCTI, onde está a maioria da equipe, e também a partir do escritório da assessoria de imprensa contratada, a BR Mais, conforme estabelecido em edital.

Ministério da Integração Nacional
O número de profissionais e horas trabalhadas varia de acordo com as demandas de serviço. A remuneração depende do serviço demandado e do valor da hora/homem estipulado na licitação. Os pagamentos são efetuados após devida comprovação. Os serviços são realizados na sede do ministério, onde está a maioria da equipe, e também a partir do escritório da assessoria de imprensa contratada, a BR Mais, conforme estabelecido em edital.

Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom/PR)
O contrato nº05/2008, firmado com a CDN, foi encerrado em dezembro de 2014. Assinado em janeiro com a CDN, o acordo que vigora atualmente é resultado de uma concorrência pública. Para cada produto ou serviço prestado, a empresa determina quantos funcionários serão necessários para executá-lo. Clique aqui para acessar o novo contrato.

Agência Nacional do Petróleo (ANP)

A remuneração varia de acordo com o número de horas trabalhadas, obedecendo teto estabelecido pelo contrato. A ANP só paga os serviços comprovadamente prestados. O perfil dos profissionais e o valor da hora paga a cada um deles foram estipulados pela licitação. Os serviços são prestados onde a ANP determina, podendo ser na própria agência, a FSB.

Ministério da Saúde
Mantém contrato com a FSB desde 2015, quando a empresa venceu licitação tanto no quesito da proposta técnica quanto no preço. No contrato, não há estipulação de horas de trabalho. A execução do serviço é feita por meio da entrega de produtos demandados pelo órgão a partir de lista estabelecida em edital. Os serviços são realizados principalmente na sede do ministério, onde está a maioria da equipe, mas também no escritório da empresa de assessoria de imprensa. O contrato anterior, com a Máquina da Notícia (de julho de 2014 a março de 2015) foi realizado de modo emergencial, via pregão.

correção (15h15 – 28.out.2015): este post foi corrigido. O contrato da empresa Máquina da Notícia com o Ministério da Saúde vigorou emergencialmente por 180 dias (de 15.jul.2014 a 10.jan.2015) e não por 80 dias como estava originalmente escrito.

p.s. (30.out.2015): Carlos Carvalho, presidente-executivo da Abracom (Associação Brasileira das Agências de Comunicação), que representa as empresas de assessoria de imprensa, enviou nota (eis a íntegra). Ele escreve dizendo que o “segmento, constituído por mais de 400 empresas em todo o país, faturou cerca de R$ 2 bilhões em 2014”. Afirma que “a maioria das empresas do setor não tem clientes governamentais e 70% do faturamento das empresas são provenientes de contratos privados”.
O presidente-executivo da Abracom diz também em sua nota que as empresas de assessoria de imprensa “investem, em média, 5,5% de seu faturamento líquido em reinamento (sic) e reciclagem e 12% em inovação e tecnologia, oferecendo aos clientes agilidade e serviços qualificados”.

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22 empresários de mídia e 7 jornalistas estão na lista do HSBC
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Fernando Rodrigues

Fernando Rodrigues
Do UOL, em Brasília

Pelo menos 22 empresários do ramo jornalístico e seus parentes e 7 jornalistas estão na relação dos que mantinham contas na agência do HSBC em Genebra, na Suíça, em 2006/2007.

Os registros indicam que 14 contas já estavam encerradas em 2007, quando os dados vazaram no escândalo que ficou conhecido como SwissLeaks. Todos os citados foram procurados. Parte negou irregularidades e alguns preferiram não comentar.

Ter uma conta bancária na Suíça ou em qualquer outro país não é ilegal, desde que seja declarada à Receita Federal. Os titulares também devem informar ao Banco Central quando o saldo for superior a US$ 100 mil.

Entre os correntistas do HSBC na Suíça estão ou estiveram pessoas ligadas a algumas das maiores empresas de comunicação do país.

Lily de Carvalho, viúva de dois jornalistas e donos de jornais, Horácio de Carvalho (1908-1983) e Roberto Marinho (1904-2003), também, aparece na lista. Horácio de Carvalho foi proprietário do extinto “Diário Carioca”. Roberto Marinho foi dono das Organizações Globo, hoje Grupo Globo, ao qual pertence “O Globo”. O nome de Lily surge nos documentos com o sobrenome de Horácio, seu primeiro marido, e o representante legal da conta junto ao HSBC é a Fundação Horácio de Carvalho Jr. O saldo registrado em 2006/2007 era de US$ 750,2 mil. Lily morreu em 2011.

Na relação de correntistas do HSBC em Genebra também constam os nomes de proprietários do Grupo Folha, ao qual pertence o UOL. Tiveram conta conjunta naquela instituição financeira os empresários Octavio Frias de Oliveira (1912-2007) e Carlos Caldeira Filho (1913-1993). Luiz Frias (atual presidente da Folha e presidente/CEO do UOL) aparece como beneficiário da mesma conta. Criada em 1990, a conta foi encerrada oficialmente em 1998. Em 2006/07, os arquivos do banco ainda mantinham os registros, mas a conta estava inativa e zerada.

Quatro integrantes da família Saad, dona da Rede Bandeirantes, também tinham contas no HSBC na época em que os arquivos foram obtidos. Constam entre os correntistas os nomes do fundador da Bandeirantes, João Jorge Saad (1919-1999), da empresária Maria Helena Saad Barros (1928-1996) e de Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet.

Eis a lista de proprietários de empresas de mídia que aparecem nos arquivos do SwissLeaks (clique na imagem para ampliar):

ArteMidia-donos

SWISSLEAKS
A descoberta da existência de contas em nome de empresários do setor de mídia e de jornalistas integra a apuração realizada nas últimas semanas pelo UOL, por meio deste Blog, e pelo jornal “O Globo”. O trabalho tem como base um conjunto de dados bancários vazados em 2008 de uma agência do “private bank” do HSBC em Genebra.

As reportagens sobre o acervo de dados têm sido produzidas de acordo com a relevância jornalística e interesse público relacionado aos nomes que aparecem nos arquivos do HSBC. Não haverá divulgação generalizada de toda a lista.

A apuração é comandada pelo ICIJ (sigla em inglês do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) em parceria com o jornal francês “Le Monde”, responsável por conseguir em primeira mão os dados do HSBC. Nos arquivos, há informações sobre 106 mil clientes de 203 países, com um saldo que supera US$ 100 bilhões. No caso do Brasil, existem 8.667 clientes listados, com um saldo total de US$ 7 bilhões.

OUTROS NOMES
Do Grupo Edson Queiroz, dono da TV Verdes Mares e do “Diário do Nordeste”, estão nos registros do HSBC Lenise Queiroz Rocha, Yolanda Vidal Queiroz e Paula Frota Queiroz (membros do conselho de administração). Elas tinham US$ 83,9 milhões de saldo em 2006/07. Também aparece Edson Queiroz Filho como beneficiário da conta –ele morreu em 2008.

Fernando Luiz Vieira de Mello (1929-2001), que durante muitos anos trabalhou na rádio Jovem Pan, teve uma conta que foi encerrada em 1999.

Luiz Fernando Ferreira Levy, que foi proprietário do jornal “Gazeta Mercantil”, que não existe mais, teve uma conta no HSBC de 1992 a 1995.

Dorival Masci de Abreu (morto em 2004), que era proprietário da Rede CBS de rádios (Scalla, Tupi, Kiss e outras), manteve uma conta de 1990 a 1998.

João Lydio Seiler Bettega, dono das rádios Curitiba e Ouro Verde FM, no Paraná, tinha uma conta ativa em 2006/07, com um saldo de US$ 167,1 mil.

Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos, que tem a TV e a rádio Tribuna (no Espírito Santo e em Pernambuco), e o jornal “A Tribuna” mantinha duas contas, com saldo de US$ 4,4 milhões e US$ 5,6 milhões.

Anna Bentes, que foi casada com Adolpho Bloch (1908-1995), fundador do antigo Grupo Manchete, fechou sua conta no ano 2000.

O apresentador de TV Carlos Roberto Massa, dono da “Rede Massa” (afiliada ao SBT no Paraná), e sua mulher, Solange Martinez Massa, estavam com uma conta ativa em 2006/07, com saldo de US$ 12,5 milhões.

Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa (Rede Transamérica), registrava um saldo de US$ 120,6 milhões.

JORNALISTAS
Os 7 jornalistas que aparecem com registros de contas no HSBC nos anos de 2006/07 são Arnaldo Bloch (“O Globo”), José Roberto Guzzo (Editora Abril), Mona Dorf (apresentadora da rádio Jovem Pan), Arnaldo Dines, Alexandre Dines, Debora Dines e Liana Dines .

Os registros de Arnaldo Bloch e de José Roberto Guzzo indicam contas zeradas e encerradas.

No período a que os dados do SwissLeaks se referem (2006/07), Mona Dorf registrava um saldo de US$ 310,6 mil. Os quatro jornalistas com sobrenome Dines compartilhavam uma conta nessa época com depósito total de US$ 1,395 milhão.

Eis a lista de jornalistas que aparecem nos arquivos do SwissLeaks (clique na imagem para ampliar):

ArteMidia-jornalistas

Participaram da apuração desta reportagem os jornalistas Bruno Lupion (UOL), Chico Otávio, Cristina Tardaguila e Ruben Berta (de “O Globo”).

Leia tudo sobre o caso SwissLeaks-HSBC no Brasil

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Empresários de mídia e jornalistas negam irregularidades ou não comentam
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Fernando Rodrigues

Os empresários e os jornalistas que estão na relação de contas do HSBC suíço negaram irregularidades ou preferiram não comentar o caso.

O Grupo Globo foi consultado sobre esta reportagem e respondeu que não faria comentários.

O Grupo Folha e a família de Octavio Frias de Oliveira informam “não ter registro da referida conta bancária e manifestam sua convicção de que, se ela existiu, era regular e conforme à lei”.

O Grupo Bandeirantes, de João Jorge Saad (1919-1999), Maria Helena Saad Barros (1928-1996), Silvia Saad Jafet, atual diretora de Desenvolvimento e Novos Negócios, e Ricardo Saad informou, por meio de sua assessoria, que não comentaria o assunto.

O Grupo Massa, de Carlos Roberto Massa, o apresentador Ratinho, encaminhou o seguinte comentário: “Todos os bens e valores de Carlos Roberto Massa e Solange Martinez Massa foram devidamente declarados aos órgãos competentes”.

O Grupo Alfa, de Aloysio de Andrade Faria, afirmou que não tinha “nada a declarar sobre o assunto”.

O jornalista Fernando Vieira de Mello afirmou que nunca foi titular ou beneficiário de conta corrente no HSBC suíço. “Desconheço que meu pai [Fernando Luiz Vieira de Mello, 1929-2001] tenha tido conta corrente no exterior na citada instituição financeira, lembrando que ele faleceu em 2001”, disse.

O Grupo Edson Queiroz, da TV Verdes Mares e do “Diário do Nordeste”, informou por meio de Lenise Queiroz Rocha, do conselho de administração, que desconhece a existência da conta na Suíça.

O jornalista José Roberto Guzzo disse que “nunca teve conta no HSBC da Suíça, seja no período de 1990 a 1995, seja em qualquer outra época”. Mas ele afirmou que a data de nascimento e o endereço residencial que constam no registro do HSBC coincidem com os seus.

A jornalista Mona Dorf, da rádio Jovem Pan, foi procurada, por meio de sua assessoria, mas não respondeu.

Irmão de Dorival Masci de Abreu, que morreu em 2004 e cuja família é proprietária da rede CBS de rádios, José Masci de Abreu foi contatado pelo UOL por meio da assessoria do PTN, partido do qual é o presidente. A legenda respondeu que não se manifestaria sobre assuntos pessoais dele. O UOL também entrou em contato por e-mail com o Hotel Saint Peter, de propriedade de Paulo Masci de Abreu, irmão de José e Dorival, e não recebeu resposta até a publicação deste texto.

A família Dines informou que três dos quatro filhos de Alberto Dines (Arnaldo, Debora e Liana) “moram fora do Brasil há pelo menos 30 anos”. Por essa razão, não declaram imposto de renda no Brasil. O único que vive no Brasil (Alexandre) é apenas beneficiário das contas na Suíça.

Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos (TV e rádio Tribuna e jornal “A Tribuna“), foi procurado por meio da diretoria de sua emissora, mas não respondeu.

Luiz Fernando Ferreira Levy, do antigo jornal “Gazeta Mercantil”, declarou: “Nunca sequer fui correntista do HSBC no Brasil, muito menos na Suíça. A única conta pessoal que tenho é a do Banco do Brasil onde recebo minha aposentadoria”.

Julieta , mulher de João Lydio Seiler Bettega, da Curitiba e Ouro Verde FMs, afirmou que o casal nunca teve conta na Suíça e apenas é correntista do banco em Curitiba, no Paraná.

Anna Bentes, mulher de Adolpho Bloch (1908-1995), fundador do Grupo Manchete, foi procurada e não foi encontrada.

Arnaldo Bloch, jornalista de “O Globo”, disse: “Nunca tive conta no HSBC, no Brasil ou no exterior. De 1991 a 1994 fui correspondente da Manchete em Paris. Recebia meu salário em remessas enviadas através do Banco do Brasil e depositadas no banco francês Crédit Lyonnais. Quando retornei ao Brasil, em 1994, mantive a conta aberta com saldo irrisório. Quando o recurso findou, em 1999, recebi aviso de que a mesma fora encerrada. Não entendo que relação isso possa ter com a lista de correntistas do HSBC”.

Leia tudo sobre o caso SwissLeaks-HSBC no Brasil

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A falência do futebol e a curiosa programação da TV aberta
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Fernando Rodrigues

O futebol brasileiro vai mal por várias razões. Uma delas é pouco analisada nem mencionada: a exposição errática das marcas dos clubes mais importantes na TV aberta.

Tome-se como exemplo o que vai acontecer neste domingo (8.mar.2015).

Em São Paulo haverá um clássico entre duas equipes importantes: São Paulo X Corinthians.

No Rio de Janeiro, outro clássico: Fluminense X Botafogo. Em Minas Gerais, um grande confronto: Cruzeiro X Atlético.

E qual será o jogo a ser transmitido ao vivo pela TV aberta fora do eixo Rio-SP? O fantástico embate entre Bonsucesso X Vasco. Eis a programação publicada hoje em Brasília pelo jornal “Correio Braziliense”:

Jogos-8mar2015

Muito provavelmente nunca passou pela cabeça de dirigentes de grandes clubes de futebol (os que têm grandes torcidas) negociar a exposição de suas equipes na TV aberta fora do eixo Rio-SP. Nenhum dirigente de futebol talvez pergunte para a TV Globo quantas vezes seu time será visto, ao vivo numa tarde de domingo, em praças como Brasília, Bahia, Amazonas, Roraima ou Maranhão.

Esse é mais um erro administrativo-gerencial das grandes marcas do futebol brasileiro. Ao fecharem contratos pensando apenas no dinheiro (os direitos de imagem pagos pela TV Globo) e em quantas vezes seus jogos serão transmitidos em seus Estados, perdem a oportunidade de avançar com suas marcas para localidades nas quais há consumidores e torcedores desassistidos.

Hoje, neste domingo (8.mar.2015), muitos torcedores-consumidores que vivem acima do trópico de Capricórnio no Brasil vão assistir ao jogo Bonsucesso X Vasco (a programação de futebol da TV Globo em Brasília é, em geral, replicada, nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste).

Sim, é verdade que nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste a tendência é sempre maior de haver torcedores de times do Rio de Janeiro. Ainda assim, mostram as pesquisas sobre o tamanho de cada torcida, parece evidente que um clássico (não importa entre quais times nem de qual Estado) teria mais audiência em Manaus ou em Teresina do que Bonsucesso e Vasco.

São Paulo, Corinthians, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro e Atlético, só para citar os times que disputam clássicos hoje, poderiam estar vendendo suas marcas em mercados importantes do país. Mas por uma decisão curiosa da TV Globo, esses times hoje ficarão circunscritos a seus Estados –perdendo muito dinheiro, pois deixam de expor suas marcas na TV aberta.

Esse é apenas um aspecto marginal da quase falência do futebol brasileiro. Mas certamente tem algum peso na situação depauperada da finanças do times nacionais.

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“Tenho treino em interrogatório”, diz Dilma ao evitar questões sobre 2015
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Fernando Rodrigues

Planalto organizou café da manhã com 52 repórteres e 22 fotógrafos e cinegrafistas

Presidente ironizou falta de “assunto” da imprensa nesta época do ano

Sérgio Lima/Folhapress - 22.dez.2014

Dilma Rousseff recebe jornalistas para entrevista durante café da manhã no Planalto

A presidente Dilma Rousseff chegou 54 minutos atrasada e aparentando estar bem-humorada ao café da manhã de final de ano com jornalistas de Brasília, realizado nesta 2ª feira (22.dez.2014) no Palácio do Planalto.

No primeiro andar do palácio, em local conhecido como Salão Leste, esperavam por Dilma 52 repórteres –a maioria do sexo feminino– e 22 fotógrafos e cinegrafistas. Enquanto a presidente não aparecia, 8 garçons serviam água, suco de laranja e café. Sobre a mesa, pães, frios, iogurte, geleia, abacaxi, uvas, melão e mamão.

Dilma entrou na sala às 9h54. Abriu a conversa brincando com a escassez de pautas da imprensa típica desta época do ano. No período de Natal e Réveillon, com o Congresso e o Poder Judiciário em recesso, é comum os jornalistas terem que recorrer a reportagens “frias”, como levantamentos e retrospectivas, para preencher os espaços vazios.

Em tom irônico, Dilma disse que fatiaria o anúncio dos novos ministros em duas levas para ajudar a imprensa a ter sobre o que falar. “Eu entendo esse drama horroroso que começa no dia 24 [de dezembro] e se prolonga até o dia 1º de janeiro, eu entendo. Eu me disponho, inclusive, a ajudá-los. Vocês vão ter assunto”, disse.

Vestida com um terninho azul de mangas rendadas, a presidente tomou somente água e não comeu nada. Está seguindo um regime que veta farinha branca, doces e outros carboidratos. “Não posso comer nada disso”, disse. Ela também recusou o suco de laranja. “Gosto do de melancia”.

Dilma posicionou-se à mesa tendo ao seu lado esquerdo ministro Thomas Traumann, da Secom (Secretaria de Comunicação Social). Do lado direito, o secretário-executivo da pasta, Roberto Messias. No fundo do salão, o general José Elito, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, responsável pela segurança da presidente, acompanhou trechos do evento.

Dilma se recusou várias vezes a responder a perguntas sobre medidas econômicas do seu segundo mandato, como cortes de gastos ou aumento de impostos. Pressionada, reagiu dizendo estar acostumada a manter o equilíbrio durante interrogatórios. “Tenho um treino em técnica de interrogatório que vocês não imaginam”, disse, sorrindo.

A referência tem 2 origens. Dilma é conhecida por submeter os projetos apresentados a ela a um “espancamento”, questionando com dureza os ministros sobre números e detalhes da proposta. Outra possível referência é ao seu passado de militante política presa durante a ditadura, que submetia seus opositores a torturas para arrancar informações.

Depois dos 80 minutos da sessão de perguntas e respostas, a presidente se levantou e foi cercada pela maioria dos jornalistas presentes –os que desejaram posar para fotos ao lado da petista. Esse momento fotográfico durou alguns minutos e a presidente, que não costuma dar entrevistas coletivas, saiu do recinto.

Eis uma das fotos de Dilma com parte dos jornalistas da entrevista de 22.dez.2014:

Foto-Dilma-Jornalistas-22dez2014

Parte dos jornalistas posa para foto ao lado de Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto (22.dez.2014)

Leia a transcrição da entrevista.

(Bruno Lupion)

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Azerbaijão prende jornalista que investiga enriquecimento de presidente
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Fernando Rodrigues

Khadija Ismayilova foi detida na 6ª feira por 2 meses, sem julgamento

Repórter aponta envolvimento da família presidencial em corrupção

Khadija Ismayilova chega para audiência judicial em Corte no Azerbaijão

Khadija Ismayilova chega para audiência judicial em Corte no Azerbaijão

A jornalista Khadija Ismayilova, repórter investigativa no Azerbaijão, foi presa na 6ª feira (5.dez.2014) em Baku, capital do país, em um movimento para intimidá-la a abandonar sua série de reportagens sobre o enriquecimento da família do presidente azeri Ilham Aliyev.

Khadija é acusada pela Promotoria local de incitar um homem a cometer suicídio. Ela compareceu a uma audiência judicial na 6ª feira e saiu da Corte presa, sem ser julgada, em medida preventiva com duração de 2 meses.

Khadija é integrante do ICIJ (Consórcio internacional de Jornalistas Investigativos), que reúne 185 repórteres de 65 países. Ela já ganhou prêmios por reportagens para a rádio Free Europe e a rádio Liberty’s, no Azerbaijão.

O trabalho que incomodou o governo local foi uma série de reportagens sobre negócios empresariais da família do presidente Aliyev. Ela apontou envolvimento oculto das filhas do presidente no setor de telecomunicações do país, fortunas depositadas em paraísos fiscais e o pagamento de propinas no setor de mineração de ouro.

Na 5ª feira (4.dez.2014), um dia antes de Khadija ser presa, Ramiz Mehdiyev, chefe de gabinete de Aliyev, divulgou documento de 60 páginas em que acusa a jornalista de “desacato” e “postura destrutiva contra membros conhecidos da comunidade do Azerbaijão”, com o objetivo de “agradar seus chefes no exterior”.

A prisão de Khadija provocou reação em organizações de jornalistas. Drew Sullivan, da OCCRP (Organized Crime and Corruption Reporting Project), que trabalha com Khadija, afirmou que o episódio “soa como uma escalada na intimidação” contra a repórter por ter divulgado notícias relevantes para a população do Azerbaijão.

Marina Guevara, diretora do ICIJ, enviou ofício à Promotoria do Azerbaijão e à embaixada do país nos Estados Unidos pedindo a imediata suspensão das acusações e a soltura de Khadija. Para o ICIJ, as denúncias contra a jornalista são “falsas” e funcionam como pretexto para silenciar a repórter.

“Khadija não trabalha sozinha. Ela trabalha em equipe. Seus colegas estão localizados em diversos países do mundo e continuarão o trabalho ainda não concluído de Khadija. O senhor terá que nos prender no Reino Unido, nos Estados Unidos, na Romênia, na Suécia e em mais de outros 60 países se quiser silenciar Khadija Ismayilova”, afirma a diretora o ICIJ.

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Jornal “Diário do Comércio” deixa de circular em São Paulo
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Fernando Rodrigues

Publicação existe desde 1924 e é bancada pela Associação Comercial de SP

Razão para fim do jornal foi o custo de manter o título na plataforma impressa

diariodocomercio

A versão impressa do jornal “Diário do Comércio”, editado pela ACSP (Associação Comercial de São Paulo) desde 1924, deixará de circular em novembro.

O motivo são os custos de manutenção do jornal impresso em um momento em que as pessoas cada vez mais se informam pela internet. O “Diário do Comércio” seguirá existindo apenas na versão online e devem ocorrer cortes de vagas na redação. A revista “Digesto”, vinculada ao periódico, também sairá de circulação.

A assessoria da ACSP informa que o periódico irá às bancas por “mais uma ou duas semanas” para cumprir obrigações contratuais com anunciantes. A tiragem atual declarada do “Diário do Comércio” é de 25 mil exemplares.

O Blog apurou que o jornal pode sair de circulação já a partir de 2ª feira (3.nov.2014).

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62% dos brasileiros dizem ter pouca ou nenhuma confiança nas pessoas
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Fernando Rodrigues

Família é o único círculo que merece “muita confiança” da população

O ambiente familiar é o único círculo social que merece “muita confiança” da maior parte dos brasileiros, segundo levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgado nesta 4ª feira (12.mar.2014). De acordo com a pesquisa, 73% dos brasileiros têm muita confiança na família.

Outros núcleos sociais, como amigos e vizinhos, são vistos com desconfiança pela população. Só 18% dizem confiar muito nos amigos, 11% nos vizinhos e 9% nos colegas de trabalho ou da escola. Apenas 6% têm muita confiança nas outras pessoas, e 62% dizem ter pouca ou nenhuma (gráfico abaixo).

confianca

O motivo de tanta cautela está na percepção dos indivíduos sobre os que o circundam. Para 82% dos entrevistados, a maioria das pessoas só quer tirar vantagem. Essa sensação é maior na região Nordeste, onde 89% declararam isso, e menor nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde o percentual cai para 71%.

Contrariando o senso comum, a pesquisa mostra que moradores do interior confiam menos nas outras pessoas do que os habitantes das capitais. Nas cidades interioranas, 64% dos moradores dizem confiar “quase nada” ou “nada” nos outros –a taxa é de 60% nas capitais.

Entre os que estão nas cidades no interior, 83% dizem que as pessoas só querem tirar vantagem e apenas 15% acham que os outros agem de maneira correta. Já nas capitais, 80% acreditam que o outro quer tirar vantagem e 19% avaliam que as pessoas agem de maneira correta.

Os mais jovens também são mais desconfiados. Entre os que têm entre 16 e 24 anos, 67% dizem ter quase nenhuma ou nenhuma confiança nos outros. O percentual cai para 57% quando se analisa a parcela com 50 anos ou mais.

A pesquisa, inédita, foi realizada pelo Ibope com 2.002 pessoas em 143 municípios, em 17 a 21 de setembro de 2012. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A CNI, que financiou o levantamento, diz que a sensação de confiança das pessoas influencia nos negócios. “É importante conhecer o consumidor. Quando ele está desconfiado, isso afeta sua decisão de consumo”, diz Renato da Fonseca, gerente-executivo de pesquisa e competitividade da entidade.

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Governo faz vídeo sobre espuma suspeita perto de usinas nucleares de Angra
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Fernando Rodrigues

Moradores da região ficaram preocupados com a anomalia

A Eletrobras Eletronuclear lançou um vídeo nesta 2ª feira (9.dez.2013) para explicar à população o surgimento de volume excessivo de espuma no litoral de Angra dos Reis, próximo às usinas nucleares Angra I e II. Os moradores da região ficaram preocupados com a anomalia e levantaram suspeitas contra a atividade das usinas.

Segundo a Eletrobras, a espuma decorre de agrupamentos de microalgas marinhas que chegaram ao litoral nos últimos dias e não tem relação com o funcionamento das usinas. Assista ao vídeo abaixo, com imagens aéreas da região.

A estatal afirma que essas algas chegam vivas ao litoral, mas morrem por ausência de nutrientes ao se aproximarem da costa e liberam proteínas e gorduras que formam um “caldo orgânico”. Com a movimentação das ondas e do vento esse “caldo” se transforma em espuma.

“A origem da formação de espumas não tem relação com a operação das usinas nucleares em funcionamento há mais de 30 anos, sem qualquer ocorrência semelhante”, afirma a Eletrobras Eletronuclear, responsável por operar e construir as usinas termonucleares no país.

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