Blog do Fernando Rodrigues

Marina acena ao mercado e promete autonomia para o Banco Central
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Fernando Rodrigues

Maria Alice Setubal, a Neca, coordenadora do programa de governo de Marina Silva, afirma que a candidata a presidente pelo PSB reafirmará os compromissos feitos anteriormente por Eduardo Campos (morto no último dia 13) a respeito de conceder autonomia formal, por lei, ao Banco Central.

Em entrevista ao UOL e à “Folha'', Neca disse que ao longo da campanha mais economistas “estarão se aproximando'' e terão mais o perfil de “operadores'' do mercado, para compensar a característica mais acadêmica da maioria dos atuais conselheiros de Marina nessa área –papel no momento de Eduardo Giannetti e André Lara Resende, entre outros.

Essa é uma tentativa de Marina se qualificar como uma candidata confiável aos olhos do establishment financeiro e empresarial. O programa de governo da campanha presidencial do PSB deve ser lançado no próximo dia 29. A candidata também estuda fazer um discurso ou um documento mais sucinto a respeito de seus compromissos na área econômica.

Na entrevista, Neca disse que a meta de inflação anual num eventual governo Marina Silva permanecerá em 4,5%, mas será perseguida uma política que permita fixar o percentual em 3% a partir de 2019.

Neca tem 63 anos e é uma das acionistas do Banco Itaú. Tornou-se amiga de Marina Silva desde a campanha de 2010. Com que frequência conversam? “Quase todo dia. A gente se fala por telefone bastante''.

A partir da consolidação de Marina como candidata a presidente, revela Neca, cresceram as ofertas de doações. “Acho que é o pragmatismo, saiu a primeira pesquisa…'', filosofa.

Sobre o risco de paralisia política no início de uma eventual administração federal marinista, por causa do pouco apoio no Congresso, a avaliação da coordenadora do programa de governo é que “o PSB é um partido que não é tão pequeno assim''. E haverá alianças. Cita alguns acertos eleitorais neste ano nos Estados “já com o PMDB''. E fala que Marina “tem certeza que muitas pessoas do PSDB e do PT vão estar fazendo parte do governo, no Executivo''.

Ao analisar o que considera erros do governo Dilma, faz a seguinte avaliação: “Ela tem uma incapacidade de ouvir. Desagrega. Acho que a Dilma reproduz uma liderança masculina. É aquela pessoa dura, que bate na mesa, que briga, que fala que 'eu vou fazer, eu vou acontecer, eu sei'. Isso é, no estereótipo, uma liderança muito mais patriarcal do masculino, do coronelismo brasileiro''.

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Veja como o PSB em Pernambuco mostrará Eduardo Campos na TV
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Fernando Rodrigues

Ex-governador será estrela da primeira propaganda eleitoral de Paulo Câmara

O ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em 13.ago.2014, será a estrela da primeira propaganda eleitoral de Paulo Câmara, candidato do PSB ao governo de Pernambuco.

O vídeo de 1 minuto e 53 segundos vai ao ar na 4ª feira (20.ago.2014). É ocupado integralmente por um discurso de Campos pedindo voto para Câmara, um quadro técnico que ocupou as secretarias de Administração, Turismo e Fazenda do governo pernambucano.

Campos afirma que Câmara será “um novo líder'' para uma “nova fase da vida política de Pernambuco''. A fala é intercalada com imagens de ambos lado a lado. Assista abaixo:

A situação eleitoral de Paulo Câmara não é confortável neste momento –ele tem 13% das intenções de voto, segundo a última pesquisa no Estado. O senador Armando Monteiro (PTB) possui 47% e ganharia no primeiro turno se a eleição fosse hoje. Monteiro conta com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff.

Na noite desta 3ª feira (19.ago.2014), o PSB também veicula propaganda eleitoral em rede nacional com imagens de Campos. O filme destaca a frase dita pelo pessebista durante entrevista ao Jornal Nacional na véspera de sua morte. “Como disse Eduardo horas antes da tragédia, não vamos desistir do Brasil. É hora de luto, mas também de luta'', afirma o locutor.

Este Blog mantém a mais completa página de pesquisas eleitorais da internet brasileira, com levantamentos de todos os institutos desde o ano 2000. É possível consultar os cenários do 1º turno de 2014 para as disputas de presidente, governador e senador e do 2° turno de 2014 para presidente e governador.

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Dilma tem maior rejeição e menor aprovação entre candidatos à reeleição
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Fernando Rodrigues

Na comparação com FHC (1998) e Lula (2006), a petista larga em pior situação

Última pesquisa pré-TV mostra oposição com melhor marca histórica em ano reeleitoral

Dilma Rousseff melhorou a avaliação de seu governo na pesquisa Datafolha divulgada hoje (18.ago.2014), mas ela começa a propaganda eleitoral em rádio e TV (amanhã) numa situação mais adversa do que os outros dois presidentes que tentaram (e conseguiram) se reeleger até hoje no Brasil.

Os dados comparativos são do Datafolha. Dilma tem um governo rejeitado por 23% e aprovado por 38% dos brasileiros. Parece bom, mas não quando se observa cenários de anos de reeleição anteriores.

Em 2006 nesta mesma época, o governo do petista Lula era rejeitado por 18% e aprovado por 45%.

Também neste momento pré-propaganda na TV, em 1998, o tucano FHC tinha uma taxa de rejeição de 18% para sua administração, e um percentual de aprovação de 39%.

Lula e FHC foram reeleitos. Eis os dados na tabela:

Comparacao-Aprova-Desaprova-governos-pre-TV-ago2014

REJEIÇÃO AO CANDIDATO
Quando se compara a rejeição aos candidatos que tentaram a reeleição ao Planalto com a de Dilma hoje, a petista também está em desvantagem neste momento imediatamente antes do início da propaganda na TV. Segundo o Datafolha, 34% dos eleitores dizem que não votariam nela de jeito nenhum.

Em 2006, a aversão ao candidato Lula era de 29%. Em 1998, só 21% rejeitavam FHC. Eis os dados:

Comparacao-Rejeicaocandidatos-pre-TV-ago2014INTENÇÃO DE VOTOS
Quando se trata de intenção de votos, mais notícias desagradáveis para Dilma Rousseff. Hoje, diz o Datafolha, 36% votariam para reeleger a petista.

Em 2006, Lula entrou na propaganda eleitoral com uma taxa de intenção de votos de 47%. Em 1998, FHC tinha 42% nesta mesma época.

Como não poderia deixar de ser, os votos neste ano estão mais dentro do grupo de oposição. Aécio Neves (PSDB), Marina Silva (PSB) e Pastor Everaldo (PSC), os 3 principais adversários de Dilma, têm 44%.

Em 2006, os 3 adversários diretos de Lula somavam apenas 37%. E em 1998, o grupo anti-FHC tinha, somado, também 37%.

A má notícia para a oposição é que os votos dos 2 principais candidatos (Aécio e Marina) estão no mesmo patamar de 20%. Isso significa que possivelmente eles também terão de se atacar entre si, gastando uma energia que talvez preferissem usar para derrotar a candidata governista.

E sobre Aécio Neves, outro dado histórico negativo: ele é o tucano que entra no horário eleitoral de rádio e de TV com a pior taxa de intenção de votos nos últimos 12 anos. Está apenas melhor do que José Serra, que nesta mesma época, em 2002, tinha 13%.

Os dados estão na tabela a seguir:

Comparacao-Intencao-voto-candidatos-pre-TV-ago2014O blog está no Twitter e no Facebook.


Potencial de Marina continua incerto
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Fernando Rodrigues

Ex-senadora tem 21% no Datafolha, um grande patrimônio eleitoral…

…mas seu tempo de TV é exíguo e o financiamento não está garantido

Desejo de mudança dos eleitores tampouco é claro, pois PMDB é líder nos Estados

Eraldo Peres/AP - 4.out.2013

A ex-senadora Marina Silva é a grande novidade da pesquisa Datafolha divulgada hoje (18.ago.2014), aparecendo com 21% das intenções de voto. Ela está empatada tecnicamente com Aécio Neves (PSDB), que registra 20%. E Dilma Rousseff (PT) está com 36%.

Numa simulação de 2º turno, Marina Silva teria 47% contra 43% de Dilma Rousseff. Não há dúvida de que a ex-senadora é hoje o nome mais competitivo para tentar retirar o PT do Palácio do Planalto.

Mas o fato a ser considerado é que continua incerto o potencial eleitoral real de Marina Silva. Eis algumas dúvidas e observações que emergem a partir dos números da pesquisa Datafolha:

1) Momento emocional: nos últimos dias, Marina Silva foi citada como nunca no rádio e na TV (os veículos de comunicação tradicionais que atingem a maioria da população de maneira maciça durante uma eleição). A pesquisa Datafolha foi realizada em 14 e 15 de agosto, em seguida à trágica morte de Eduardo Campos, que era o cabeça de chapa do PSB na disputa presidencial, tendo Marina como candidata a vice-presidente.

É possível dizer que os eleitores pesquisados pelo Datafolha foram influenciados pelo clima transmitido na TV e no rádio? Essa é uma pergunta difícil de ser respondida com precisão. Mas com certeza é correto dizer que poucos brasileiros deixaram de tomar conhecimento da tragédia ocorrida com Eduardo Campos. A maioria também percebeu que Marina Silva era apontada por todos os analistas, na TV e no rádio, como a substituta natural de Campos.

Um argumento a ser considerado é que com 21% Marina teve menos intenção de votos agora do que os 27% que obteve em abril, quando não estava certo que a chapa do PSB seria encabeçada por Eduardo Campos. Esse percentual menor hoje seria um argumento para dizer: o momento emocional atual não teve influência nas respostas captadas pelo Datafolha.

Mas de maneira oposta também é lícito afirmar o seguinte: sem o clima de consternação transmitido na TV e no rádio, talvez a taxa de intenção de votos não chegasse aos 21% apurados pelo Datafolha.

 

2) Horário eleitoral: uma parte considerável dessas dúvidas sobre o potencial real de votos de Marina Silva será dirimida nos próximos 10 dias, depois que o impacto da tragédia tiver sido mais assimilado pelos brasileiros. Nesse período de 10 dias também já terá sido computada pelos eleitores a mensagem dos candidatos a presidente no horário eleitoral de rádio e de TV, que começa amanhã (19.ago.2014).

Nunca é demais lembrar que Marina Silva, uma vez confirmada candidata a presidente pelo PSB, terá um tempo exíguo para fazer a propaganda de rádio e de TV. Dilma tem 11min24seg. Aécio, 4min35seg. E Marina fica com apenas 2min03seg.

Uma análise do Datafolha indica que Marina vai bem em grandes centros. Nas simulações de 2º turno, “os moradores das capitais e regiões metropolitanas dão uma vantagem de 13 pontos à ambientalista. Separando-se apenas as cidades com mais de 500 mil habitantes, sua dianteira chega a 20 pontos. São os locais onde se concentram em maior proporção a insegurança, o pessimismo e o desencanto”.

Ou seja, para ampliar sua potencialidade eleitoral, Marina precisa descer para os municípios médios e pequenos. E aí só é possível chegar aparecendo no rádio e na TV, pois o Brasil tem cerca de 5.600 cidades e é impossível um candidato visitar a imensa maioria dessas localidades durante uma campanha.

 

3) Financiamento escasso: dinheiro é fundamental numa campanha presidencial no Brasil. Embora Marina tenha sido muito hábil para se aproximar de alguns setores do establishment nos últimos anos (banco Itaú e empresa Natura, entre outros), as finanças da chapa anterior, encabeçada por Eduardo Campos, não iam muito bem.

É possível reverter esse quadro agora, claro. Afinal, empresários e endinheirados gostam de apostar em quem está na frente.

Ocorre que é necessário também dar eficiência à doação de campanha. O dinheiro precisar ser recebido e tem de chegar na ponta, até os militantes que vão montar estruturas locais e defender o nome de Marina durante o processo. Não é uma operação simples, pois exige muita logística e o tempo até a eleição é curto.

 

4) Reação de Dilma e de Aécio: na política, assim como na física, cada ação produz uma reação. Seria ingênuo imaginar que Dilma Rousseff e Aécio Neves ficarão parados, inertes, vendo suas candidaturas ameaçadas indo para o ralo com o eventual avanço de Marina Silva.

Até a semana passada, a chapa Eduardo Campos-Marina Silva vinha sendo poupada tanto por Dilma como por Aécio. Ambos visavam a obter o apoio do PSB num eventual segundo turno. Agora, as coisas mudaram de figura. Não vai demorar para que Marina passe a ser criticada de maneira robusta pelo PT e pelo PSDB.

Vai funcionar? Não se sabe. Mas certamente drenará um pouco da energia vital do PSB e de Marina Silva, que terão de se defender –num momento em que precisam se concentrar em serem propositivos para avançar. Antes, Marina e Eduardo ficavam incólumes na campanha, apenas assistindo à troca de chumbo entre PT e PSDB. Agora, todos estarão na linha de tiro.

 

5) Popularidade presidencial em recuperação: nos últimos 30 dias, foi notório o esforço de Dilma Rousseff para reduzir sua taxa de rejeição. Os resultados foram captados na pesquisa Datafolha, embora a situação da petista não seja totalmente confortável.

Em 15 e 16 de julho, a taxa dos que consideravam o governo Dilma “ruim” ou “péssimo” era de 29%. Agora, na pesquisa dos dias 14 e 15 de agosto, passou a ser de 23%.

Esses 6 pontos percentuais de “ruim” e “péssimo” migraram (não de maneira automática, claro) para o grupo dos que consideram o governo Dilma “bom” e “ótimo'': a taxa subiu de 32% em julho para 38% em agosto.

Aqueles que classificam o governo dilmista como “regular” se mantiveram estáveis, em 38% –o percentual ficou idêntico em julho e agosto. Esse percentual é perto da taxa de intenção de votos da petista (36%).

Como se sabe, um governante que tenta a reeleição “pesca” votos entre os que consideram sua administração ótima, boa ou regular –no caso de Dilma, trata-se de um grupo com 76% dos eleitores do país.

 

6) PSB dividido: o pior que pode acontecer para um candidato numa eleição é ter o inimigo dormindo ao lado. Há inúmeros exemplos na política brasileira de candidatos que sofreram desse mal em disputas presidenciais.

Ulysses Guimarães (PMDB) foi boicotado por sua legenda em 1989. José Serra (PSDB) teve grandes dificuldades com os tucanos em 2002 e 2010.

Não é segredo que o PSB está sendo empurrado para escolher Marina Silva como sua candidata a presidente. O nome da ex-senadora não é resultado de um clamor consensual dentro do establishment pessebista. Trata-se apenas de uma legenda inorgânica (como a maioria) e fragilizada pela morte de seu líder. Para resumir, O PSB sendo compelido a fazer uma escolha de fora para dentro.

Em vários Estados, compromissos assumidos pelo PSB e por Eduardo Campos não têm como ser totalmente honrados por Marina Silva, sobretudo com setores ligados ao agronegócio. É evidente que nada disso será vocalizado em público. O discurso será de união pela vitória. Mas no subterrâneo do PSB muita gente vai se perguntar: “Por que vou ajudar Marina Silva se eleger presidente se ela, ao ganhar, pode perfeitamente tentar conduzir um expurgo dentro da legenda e me retirar todo o apoio político?”.

Em resumo, pacificar o PSB a seu favor é uma tarefa de alta complexidade para Marina Silva.

 

7) Desejo de mudanças, “ma non troppo”: todas as pesquisas desde 2013 apontam para um desejo difuso de mudanças na forma como os políticos governam o país. É um dado que ainda merecerá profundas análises e pesquisas de acadêmicos e estudiosos.

O desejo de mudanças é mais notado em áreas metropolitanas. Mas no Estado mais rico do país, os eleitores estão dizendo que não desejam nada alterado na política tradicional –pretende reeleger Geraldo Alckmin (PSDB) como governador, possivelmente no 1º turno. Aliás, quando se consideram todos os 26 Estados e o Distrito Federal, São Paulo é o único local do Brasil no qual o mesmo partido (o PSDB) vem vencendo todas as eleições desde 1994, há 20 anos.

Há outro dado interessante a respeito de como o desejo de mudanças na política é paradoxal entre os brasileiros. Nas 27 disputas para governador neste ano, o partido que mais tem candidatos competitivos, com chances de vitória, é o PMDB. Há hoje 9 peemedebistas despontando como favoritos nos Estados.

Esse é um número bem maior do que os 4 favoritos do PSDB e os 4 favoritos do PT nas disputas estaduais.

E quantos candidatos favoritos próprios tem o PSB, que é o partido de Marina Silva, nas 27 disputas de governadores? A resposta é: 0. Isso mesmo, zero. Para saber mais, leia detalhes na mais ampla página da internet com todas as pesquisas eleitorais desde o ano 2000, mantida pelo Blog.

 

CONCLUSÃO
Daqui a 10, 20 ou 30 dias Marina Silva poderá ter superado todas essas adversidades? Claro que sim. Até porque, se ela tiver um bom percentual na pesquisa Datafolha, tudo se arruma por decantação.

Imagine o que acontecerá se daqui a 15 ou 20 dias Marina aparecer já bem à frente de Aécio Neves e empatada com Dilma Rousseff? Cria-se uma onda quase incontrolável a favor da candidata do PSB.

Nesse cenário hipotético a seu favor, a ex-senadora poderá se eleger presidente, pois é uma política com muita habilidade, consegue incorporar (como nenhum outro de seus adversários) o anseio pelo “novo”.

Só que para ter sucesso, Marina terá resolver todas as pendências listadas neste post (e sabe-se quantas mais). Possível, é. Mas é também uma tarefa dificílima de ser cumprida até o dia 5 de outubro.

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Poder e Política na semana – 18 a 24.ago.2014
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Fernando Rodrigues

Nesta semana, o PSB deve anunciar sua nova chapa presidencial, que deve ser encabeçada por Marina Silva como candidata ao Planalto. E nesta semana também começa o horário eleitoral gratuito em rádio e TV.

O início da semana será tomado por desdobramentos da morte de Eduardo Campos. Na 2ª feira, a cúpula nacional do PSB reúne-se no Recife para discutir sua chapa para presidente da República. Na 3ª feira, a legenda deve entregar a Marina Silva documento com os compromissos assumidos pelo partido nestas eleições. Na 4ª feira, a ex-ministra deve ser confirmada candidata à Presidência da República.

Na 2ª feira, o Datafolha divulga resultado de pesquisa sobre as eleições presidenciais com o nome de Marina Silva em um dos cenários. Na 3ª feira, começa o horário eleitoral em rádio e televisão.

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, concede entrevista ao vivo nesta 2ª feira ao Jornal Nacional, da TV Globo, no Palácio da Alvorada. Na 3ª feira, faz campanha em Porto Velho e deve visitar as obras das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. Na 4ª feira, Dilma vai a Belo Horizonte e, no sábado, participa de eventos de campanha em Porto Alegre.

Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente, visita nesta 2ª feira a UPP Santa Marta, no Rio. Na 3ª feira, faz campanha em Dourados (MS) e Cuiabá e, na 4ª feira, participa de encontro de sindicatos em São Paulo. Na 5ª feira, o tucano faz campanha em Natal e Pombal (PB). No dia seguinte, vai a Uberlândia (MG) e, no sábado, participa de eventos de campanha em Salvador e Iguatu (CE).

A TV Bandeirantes realiza os primeiros debates entre os candidatos a governador. Na 3ª feira, com os nomes em disputa pelos governos do Rio de Janeiro e do Distrito Federal e, no sábado, com os candidatos em São Paulo.

Eis, a seguir, o drive político da semana. Se tiver algum reparo a fazer ou evento a sugerir, escreva para frpolitica@gmail.com. Atenção: esta agenda é uma previsão. Os eventos podem ser cancelados ou alterados.

 

2ª feira (18.ago.2014)
Dilma no Jornal Nacional – presidente Dilma Rousseff é entrevistada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, no Palácio do Alvorada. A entrevista teria sido na quarta-feira (13.ago.2014), mas nessa data morreu Eduardo Campos e tudo foi adiado.

Aécio no Rio – Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente, visita a UPP Santa Marta, no Rio.

Jorge em SP – Eduardo Jorge, candidato do PV a presidente da República, é entrevistado pelo jornal “O Estado de S.Paulo”.

Pesquisa Datafolha – instituto divulga resultado de pesquisa sobre as eleições presidenciais. Questionário pergunta quem o PSB deveria indicar como candidato a presidente e coloca o nome de Marina Silva em um dos cenários.

PSB decide seu futuro – cúpula nacional do PSB reúne-se no Recife para discutir sua chapa para presidente da República.

Candidatura de Paulo Câmara – Renata Campos, viúva de Eduardo Campos, participa de reunião com Paulo Câmara, candidato do PSB ao governo de Pernambuco, para confirmar o apoio à sua campanha.

Skaf e a educação – Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo de SP, acompanha apresentação de estudantes da Olimpíada do Conhecimento, na escola Senai Suíço-Brasileira, em SP, às 15h.

Padilha na Gazeta – Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de SP, participa do programa A Hora do Voto, da TV Gazeta.

Mauro Paulino, do Datafolha, no Roda Viva – programa Roda Viva, da TV Cultura, entrevista Mauro Paulino, diretor do Datafolha, para analisar os cenários eleitorais mostrados nas pesquisas. Às 22h.

Jornais reunidos – Associação Nacional de Jornais realiza o 10° Congresso Brasileiro de Jornais. Evento deve reunir 600 profissionais no WTC Events Tower, em SP. Até 3ª feira (19.ago.2014).

Economia – FGV divulga o IACE (Indicador Antecedente Composto da Economia) e o ICCE (Indicador Coincidente Composto da Economia).

 

3ª feira (19.ago.2014)
Dilma em Rondônia – presidente Dilma Rousseff faz campanha em Porto Velho e deve visitar as obras das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau.

Aécio no Centro-Oeste – Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente, faz campanha em Dourados (MS) e Cuiabá.

PSB e Marina – legenda deve entregar a Marina Silva documento com os compromissos assumidos pelo partido nestas eleições. Texto servirá de base para cobrar da ex-ministra respeito aos acordos firmados.

Everaldo no Jornal Nacional – Pastor Everaldo, candidato do PSC a presidente, é entrevistado pelo Jornal Nacional, no Rio. Entrevista teria sido no dia 14.ago.2014, mas foi tudo adiado por causa da morte de Eduardo Campos.

Horário eleitoral – início do horário eleitoral em rádio e televisão.

Missa para Eduardo – Catedral de Brasília realiza missa de 7º Dia pela morte de Eduardo Campos, Pedro Valadares, Carlos Percol, Marcelo Lyra, Alexandre Severo e os pilotos Marcos Martins e Geraldo Cunha. Às 12h15.

Eleições no DF e no Rio – TV Bandeirantes realiza debates entre candidatos a governador do Distrito Federal e do Rio.

Skaf na Globo – Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo de SP, é entrevistado pelo SPTV 2ª edição, da TV Globo.

STF julga políticos – 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal analisa inquéritos contra o deputado Bernardo Santana de Vasconcellos (PR-MG), o senador Lindberg Farias (PT-RJ) e o senador licenciado Ivo Cassol (PP-RO). 2ª Turma analisa inquéritos contra os deputados João Lyra (PSD-AL), Augusto Coutinho (SDD-PE) e Jânio Natal (PRB-BA).

FHC no Rio – ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apresenta palestra sobre política na Academia Brasileira de Letras, no Rio, no ciclo “Novos olhares”.

Inflação – FGV divulga o IPC-S Capitais.

Serviços – IBGE apresenta resultado de sua Pesquisa Mensal de Serviços.

 

4ª feira (20.ago.2014)
Marina e a Presidência – PSB deve anunciar Marina Silva como candidata do partido à Presidência da República.

Pedro Ladeira/Folhapress - 17.ago.2014

Dilma em Minas – presidente Dilma Rousseff comanda formatura de alunos do Pronatec em Belo Horizonte.

Aécio em SP – Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente, participa de encontro de sindicatos em São Paulo.

Everaldo em SP – Pastor Everaldo, candidato do PSC a presidente, é entrevistado pelo jornal “O Estado de S.Paulo”.

Luciana em SP – Luciana Genro, candidata do PSOL a presidente, participa de ato da Frente de Solidariedade ao MTST e à Luta por Moradia, no vão livre do MASP.

Padilha no interior – Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de SP, faz campanha em Franca e São Carlos, no interior paulista.

Homenagem a Campos – Senado realiza sessão especial em homenagem a Eduardo Campos.

Vargas e Argôlo – Conselho de Ética da Câmara vota parecer do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo contra o deputado André Vargas (sem partido-PR), e dá andamento ao processo contra o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA).

Petrobras – CPI Mista da Petrobras colhe depoimento de Carlos Cesar Borromeu de Andrade, gerente jurídico internacional da estatal, e Pedro Aramis de Lima Arruda, diretor de Segurança Empresarial da empresa.

Ferrovias – ocorre em Brasília o evento “VI Brasil nos Trilhos”, sobre perspectivas de desenvolvimento do setor ferroviário nacional.

Economia – Fiesp e Ciesp divulgam Revisão do Cenário Econômico do primeiro semestre.

Inflação – IBGE divulga o IPCA-15.

 

5ª feira (21.ago.2014)
Aécio no Nordeste – Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente, faz campanha em Natal. Em seguida, viaja para Pombal (PB).

Padilha na Globo – Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de SP, é entrevistado pelo SPTV 2ª edição, da TV Globo.

Candidaturas – último dia para os pedidos de registro de candidatura serem julgados pela Justiça Eleitoral.

Voto em trânsito – último dia para eleitores se habilitarem a votar em trânsito para presidente. Quem estiver fora do seu domicílio eleitoral pode votar em capitais ou cidades com mais de 200 mil eleitores.

Indústria – FGV divulga a prévia da Sondagem da Indústria.

Emprego – IBGE apresenta resultado da Pesquisa Mensal de Emprego.

 

6ª feira (22.ago.2014)
Aécio em Minas – Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente, faz campanha em Uberlândia (MG).

Luciana em SP – Luciana Genro, candidata do PSOL a presidente, é entrevistada pelo jornal “O Estado de S.Paulo”.

Economia – Banco Central divulga relatório sobre as contas externas do país em julho.

Inflação – FGV divulga o Indicador de Expectativa de Inflação dos Consumidores.

Literatura – começa em SP a 23ª Bienal Internacional do Livro.

 

Sábado (23.ago.2014)
Dilma no Rio Grande do Sul – presidente Dilma Rousseff faz campanha em Porto Alegre.

Aécio no Nordeste – Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente, participa de eventos de campanha em Salvador e Iguatu (CE).

Governo de SP – TV Bandeirantes realiza debate entre os candidatos ao governo de SP.

Candidato do PSB – último dia do prazo para a coligação PSB-PPS-PRP-PPL-PHS-PSL protocolar o perdido do registro da sua nova candidatura à Presidência.

Hackers e eleições – Transparência Brasil e Google reúnem 48 programadores em hackaton sobre eleições.

Márlon em SP – juiz Márlon Reis, um dos idealizadores da Lei da Ficha Limpa, participa da Bienal do Livro com sua obra “O Nobre Deputado”. O texto apresenta um deputado federal fictício disposto a revelar os bastidores da corrupção eleitoral.

 

 

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PT e PSDB só têm 4 candidatos cada um com chances de vencer nos Estados
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Fernando Rodrigues

Nas 27 disputas, quem está mais bem posicionado é o PMDB, com 9 nomes na liderança

PSB, que hoje governa 5 Estados, não tem agora nenhum franco favorito nas pesquisas

Principais postulantes ao Palácio do Planalto há 20 anos, o PT e o PSDB têm apenas 4 candidatos cada um com chances de sucesso nas disputas pelos governos dos 26 Estados e do Distrito Federal.

Essa é uma das conclusões de um levantamento que o Blog acaba de fazer com as 27 pesquisas mais recentes sobre as eleições de governadores.

O Blog tem o maior acervo de pesquisas eleitorais da internet brasileira, com dados desde o ano 2000.

Neste ano, de acordo com as últimas pesquisas realizadas antes do início da propaganda eleitoral em rádio e TV (em 19.ago.2014), momento considerado o da largada da campanha, o PSDB aparece com candidatos a governador numericamente em primeiro lugar em Goiás, Paraíba, Paraná e São Paulo. O PT lidera no Acre, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Piauí.

Eis como está a disputa nas 27 unidades da Federação, segundo as últimas pesquisas disponíveis:

tabelanova

Como se observa na tabela acima (e também no post abaixo), os tucanos governam hoje 5 Estados (Alagoas, Goiás, Pará, Paraná e São Paulo). Nesse universo, estão no páreo como favoritos absolutos apenas em 3.

Os petistas estão no comando hoje do Acre, Bahia, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Nessas localidades, lideram apenas no Acre –Estado sob o PT há 16 anos (leia o histórico dos partidos dos Estados no post abaixo).

Este ano, 18 dos 27 governadores disputam a reeleição. Desses, apenas 3 despontam com favoritos para ganhar já no primeiro turno de 5 de outubro.

A seguir, uma compilação com o número de candidatos competitivos de cada partido:

projecoesEste Blog mantém a mais completa página de pesquisas eleitorais da internet brasileira, com levantamentos de todos os institutos desde o ano 2000. É possível consultar os cenários do 1º turno de 2014 para as disputas de presidente, governador e senador e do 2° turno de 2014 para presidente e governador.

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18 governadores tentam reeleição, mas só 3 são favoritos absolutos
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Fernando Rodrigues

A disputa eleitoral deste ano tem 18 dos 27 governadores tentando se reeleger. Desses, só 3 despontam como favoritos absolutos neste momento, antes do início da propaganda eleitoral na TV e no rádio.

A tabela completa da disputa está no post acima, mas o Blog compilou como está o desempenho dos governadores que tentam a reeleição nesta tabela a seguir:

Governadores-candidatos-a-reeleicao-2014

Os 3 candidatos à reeleição que estão isolados em primeiro lugar e venceriam hoje a disputa no 1º turno são Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Tião Viana (PT-AC) e Raimundo Colombo (PSD-SC).

Chama a atenção que 2 dos francos favoritos são de partidos que há mais tempo governam os mesmos Estados. O PSDB está há 20 anos no comando em São Paulo. O PT manda no Acre há 16 anos –como mostra o histórico dos partidos no post abaixo.

É claro que esse quadro atual pode se alterar com a entrada no ar dos comerciais eleitorais no rádio e na TV, a partir de 19.ago.2014. Ainda assim, é um fato indisputável que os governadores que tentam a reeleição entram desgastados no processo eleitoral.

Mais um sinal para corroborar o desejo de mudanças que aparece em quase todas as pesquisas.

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Só 1 Estado tem o mesmo partido no governo desde 1994: São Paulo
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Fernando Rodrigues

Desde quando as eleições para governadores passaram a ser casadas (no mesmo dia, mês e ano) com a disputa presidencial, em 1994, só uma das 27 unidades da Federação foi comandada por apenas um partido: São Paulo, sob a égide do PSDB há 20 anos.

Em todos os outros 25 Estados e no Distrito Federal houve alguma alternância de poder.

Depois do PSDB em São Paulo, a dinastia mais longeva é a do PT, no Acre, onde os petistas chegaram ao poder em 1998.

Neste ano de 2014, o PSDB desponta como favorito claro em São Paulo (com a reeleição de Geraldo Alckmin). E o PT também tende a ficar no comando do Acre (Tião Viana está à frente nas pesquisas).

Eis uma compilação do Blog com o histórico dos partidos que venceram as eleições nos Estados e no Distrito Federal desde 1994:

Governadores-historico-1994-2014

Este Blog mantém a mais completa página de pesquisas eleitorais da internet brasileira, com levantamentos de todos os institutos desde o ano 2000. É possível consultar os cenários do 1º turno de 2014 para as disputas de presidente, governador e senador e do 2° turno de 2014 para presidente e governador.

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Inflação não se combate com tiro de canhão, diz Guido Mantega
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Fernando Rodrigues

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirma que o governo da presidente Dilma Rousseff seguirá sua “política gradualista'' de combate à inflação e explicou por que considera este o melhor caminho, sem opção por uma “política heroica'' ou um “tratamento de choque''.

Em tom crítico e de condenação, durante entrevista ao programa Poder e Política, do UOL e da “Folha'', Mantega disse que seria fácil reduzir a inflação rapidamente no Brasil: “É só colocar uma bala de canhão: chuta o juro para cima, a economia vai definhar, você vai ter recessão. Aí sim você vai ter uma inflação baixa. Mas aí é a paz do cemitério''.

Em sua opinião, quem promete inflação menor do que a meta atual de 4,5% “pode ter más intenções''. Que tipo de más intenções?

“Subir muito a taxa de juros. Como combatiam a inflação no passado? Era assim: valoriza o câmbio e sobe violentamente a taxa de juros (…). Já tivemos aqui no Brasil taxas de juros reais de 30% a 40%. Armínio Fraga [ex-presidente do Banco Central e conselheiro econômico de políticos do PSDB] praticou essas taxas. Tenho receio de que essa seja a política: dar um chute na taxa de juros. A taxa de juros vai diminuir a inflação causando uma recessão na economia, destruindo a economia''.

Segundo Mantega, esse tipo de política econômica “faria muito mal à economia e nós não faremos isso'', acrescentando que “jamais jogaremos nas costas da população o ajuste da crise mundial''.

Dentro de sua política gradualista, o ministro diz que será possível levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%, em 2018. Será o último ano do mandato do próximo presidente. Ele especula um pouco sobre a taxa recuar para um nível mais baixo, mas dá a entender que essa seria uma situação excepcional. Ou seja, se Dilma Rousseff for reeleita, os brasileiros terão de conviver com um aumento de preços anual sempre acima de 4,5% durante todo o segundo mandato da petista.

Mantega promete uma novidade, já defendida por economistas de oposição: num eventual segundo mandato petista no Planalto, o ministro acha possível estreitar a banda de flutuação da meta de inflação. Hoje, a faixa de tolerância é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Como o centro da meta que é de 4,5%, são aceitas taxas anuais que vão de 2,5% (o piso) a 6,5% (o teto).

O ministro da Fazenda sugere que uma nova administração dilmista reduzirá a banda atual de dois pontos para um ponto ou um ponto e meio percentual. Dessa forma, a inflação anual poderia ficar, no limite mais estreito, confinada numa faixa de 3,5% a 5,5%.

Mantega rebate as críticas de que a inflação esteja sendo contida artificialmente pelo represamento de preços. Afirma que, em sua avaliação, um tarifaço é “desnecessário''.

Em sua defesa, diz que o governo aumentou o preço de remédios, planos de saúde e energia. Indagado, então, sobre se os adversários do governo mentem ao dizer que é necessário um tarifaço no início de 2015, ele responde: “Não sei se mentem, mas podem ter más intenções''.

Lembrado que a própria estatal Petrobras reclama do represamento de preços da gasolina, o ministro, primeiro, diz que o governo tem aplicado, nos últimos anos, duas vezes ao ano para o combustível.

Em seguida, sinaliza que haverá um reajuste neste ano eleitoral. “Os preços vão subir'', afirmou, mas declara que o aumento “não pode ser exagerado, porque senão causará prejuízos a todo mundo''.

E insiste na receita de que, para estatal recuperar seu faturamento, o melhor caminho é “pelo aumento da produção''.

Durante a entrevista, o ministro demonstrou insatisfação com duas críticas recentes. Uma, do atual presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), Benjamin Steinbruch, que afirmou que só “louco'' investe no Brasil atualmente.

“Ele está redondamente equivocado'', disse Mantega, citando números de investimentos estrangeiros no país.

A outra crítica foi do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga (governo FHC), de que o governo Dilma está segurando artificialmente o preço do câmbio, numa espécie de populismo cambial.

“Ele está redondamente enganado'', retrucou, alfinetando o hoje principal economista aliado ao candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves, ao dizer que “artificialismo'' ocorreu no governo FHC. “Não seguramos inflação no câmbio; quem fez isso foram governos anteriores''.

Sobre as previsões de que o país pode ter registrado uma recessão técnica no primeiro semestre deste ano, Mantega prefere dizer que deve ter ocorrido um “crescimento pequeno, uma estabilidade''.

Reconhece, porém, que “não foi um bom resultado'' e joga parte da responsabilidade sobre a Copa do Mundo. “[A Copa] foi um sucesso do ponto de vista de organização. Do ponto de vista da produção e do comércio, prejudicou.''

Em relação às previsões de que o governo não conseguirá cumprir a meta de economizar 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto), o que já é admitido reservadamente por parte de sua equipe, o ministro concede que este “é um ano mais difícil'', mas insiste que continuará perseguindo o cumprimento da promessa.

Ao ser questionado sobre o motivo de a presidente Dilma não ter, até agora, sinalizado mudanças na política econômica num eventual próximo mandato, como chegou a ser sugerido pelo ex-presidente Lula, o ministro afirmou:

“Temos muitas coisas a consertar no Brasil. Só que você tem que olhar o saldo. Consertamos uma série de coisas, mas muitas coisas têm que ser consertadas'', afirmou, sem citar quais.

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Dilma recebe grandes doadores no Planalto
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Fernando Rodrigues

Reprodução

A agenda da presidente Dilma Rousseff nesta quinta-feira (14.ago.2014) inclui dois grandes grupos empresariais:

15h – Joesley Batista
Presidente do Conselho de Administração do Grupo JBS

16h30 – Lázaro Brandão e Luiz Carlos Trabucco Cappi,
Presidente do Conselho de Administração e Diretor-Presidente do Banco Bradesco

O que esses dois grupos têm em comum? São grandes doadores de campanha.

Neste ciclo eleitoral de 2014, o JBS (muito conhecido pela marca Friboi) fez doações totais de R$ 53,3 milhões, sendo R$ 5 milhões para Dilma Rousseff.

O Bradesco ainda não fez doações para políticos neste ano. Nas eleições de 2010, doou R$ 14,1 milhões, dos quais R$ 2,1 milhões para o PT.

A ideia da presidente é passar a receber com mais frequência empresários para tentar reverter o clima de pessimismo que se instalou entre os agentes econômicos.

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